domingo, 31 de marzo de 2013

VIOMUNDO - O desabafo


viomundo




Luiz Carlos Azenha, de um dos melhores sites do Brasil, o VIOMUNDO:

Sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador. 

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.


Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?


O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.


Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.


Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.


Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão - entre outros que teriam se beneficiado do regime de força - houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.


Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.


E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.




Johnny Albino y La Hiedra

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Em 27/dez/2010 aqui lembramos um dos astros do Trio Los Panchos, Johnny Albino, no texto Todos os vinhos da presidenta.

Lá está: nascido em Puerto Rico, em 19/dez/1919, um cantor maravilhoso. 

Hoje registramos a data da sua partida: 7/mai/2011.

Porto Rico é propriedade extra-oficial dos Estados Unidos. Ainda assim, com o Brasil sendo a privada, algumas notícias não chegam a tempo.

Deixa para lá. 

Enfim, Johnny Albino partiu. O cantor que Frank Sinatra dizia ser um dos dois dos seus melhores sonhos (o outro era Nelson Gonçalves).

Um ano e dez meses passados, este blog une seu lamento aos lamentos de América.

Vaya con Diós.

O lembramos, acompanhado de seus companheiros do sensacional Trio San Juan (Jaime Gozilez na primeira guitarra e José Ramón Ortiz na segunda voz), que colocou abaixo a Nova Iorque dos anos 50, com o sensível bolero italiano L'edera (clique no bolero, postagem de 24/dez/2010). Isso antes de Albino se incorporar ao "terrível concorrente", Los Panchos.

La Hiedra (Saverio Seracini / Vincenzo D'Acquisto).







sábado, 30 de marzo de 2013

Aleluia de um farsante, n'A Charge do Dias

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Os boêmios do Botequim do Terguino seguem em seu périplo de indignação, no rastro dos artistas do traço e do pensamento. Aliás, a comunidade dos artistas é a mais firme instituição democrática do Brasil: não combinam entre si, mas "sentem" quando o perigo é muito grande, quando o abuso é demais, e aí não sossegam, do Oiapoque ao Chuí.

Os amigos estão de churrasco de peixe no Beco do Oitavo,  com dois tonéis cortados dispostos no canteiro no meio da rua, ao lado do pé de oliveira. Um sábado ensolarado, magnífico, em Porto Alegre. Além do churrasco de salmão, terão vinhos e a fantástica Bacalhoada à António Portuga

Negrote e os demais moradores de rua da Cidade Baixa cedo se instalaram em quatro mesas que Luciano Peregrino lhes reservou na calçada, como sempre. No total, doze mesas. Hoje a novidade é a presença da Meméia, nova na praça, idade indefinível, toda escabelada, que juntou-se aos seus irmãos de infortúnio. Toda escabelada e feliz. Racionado será apenas o vinho, essa turma pega forte e não convém, a maioria tem a saúde abalada. O Contralouco será o garçom das mesas de Los Callejeros, como os apelidou. Eles o respeitam, quando algum adoece ele o leva para a sua casa. É comum ficarem hospedados mais de uma semana, Mr. Hyde medicando, até conseguir vaga em hospital.

Falar nele, o Contralouco, que costuma se postar de tocaia naquela via, à espera de algum "pastor" (horror dos horrores: para "encher de porrada", como diz), disse que não estava a fim de se incomodar num dia tão bonito, então colocou placas de advertência no início e no fim do quarteirão: 

"Pastores e Judas, tudo a mesma coisa, imploro que não passem daqui, há perigo. Ass: Contralouco. PS: Políticos também".

Retornou ao bar dizendo: "Pra depois não dizerem que não avisei".

Somente Gustavo Moscão não gostou da iniciativa, disse à Jussara: "Pombas, passamos o ano inteiro caçando os bandidos, e logo hoje, que é o dia de bater o brim deles, o Contra me vem com essa". 

Jussara do Moscão, sua esposa, que vive se preocupando com essa mania de encrencar com a "corvada", com um olhar desestimulou-o de propor a alteração dos avisos, queria mudar para "Pastores de preto, imploro que entrem e sintam-se em casa, temos festa em sua homenagem. Ass: Contralouco. PS: Políticos também".

O filósofo Aristarco de Serraria usou da palavra, para uma platéia atenta. Depois de discorrer sobre o significado do Sábado Santo, ou Sábado Negro, foi direto ao ponto: 

- Alevantam-se, ó confrades, aos poucos, as vozes da nação, pelo seu povo e seus intelectuais. Ontem o pensador Mauro Santayana (AQUI) deu uma espinafrada geral na sociedade e nas autoridades, a respeito do farsante que tomou os noticiários. Vou ler um pequeno excerto: "Flagrado em vídeo que o mostra em pleno ato de estelionato, ao exigir de um fiel a senha de seu cartão de crédito, o 'pastor' não foi expelido da Comissão, pela negligência ética e cumplicidade corporativa da Câmara. Ele e seu partido, que se intitula 'cristão', são uma blasfêmia e um insulto ao homem de Nazaré que nos dá a sua mão na difícil travessia da vida". 

Respirou fundo, emocionado, e prosseguiu:

- Sentimos falta das vozes de muitos respeitáveis políticos - não ouse, Sr. Lula, a conversa não é com o senhor. Só como exemplo: Suplicy, Paim, onde andam vocês?".

Logo serenizou as feições e seguiu falando sobre o significado destes dias. Pifou o gravador, mas Jezebel do Cpers garante que foi uma informal Liturgia das Horas.

Miss Leilinha Ferro, a coordenadora da coluna, ciente da importância do tema, liberou um número de obras maior que o regulamentar, que escolheram antes do almoço. Amanhã virão com amenidades.

Vão em desordem:

Frank, de A Notícia (Joinville, SC).



Clayton, de O Povo (Fortaleza, CE).



Miguel, do Jornal do Commercio (Recife, PE).



Zé Dassilva, do Diário Catarinense (Floripa, SC).



Sinovaldo, do Jornal NH (Novo Hamburgo, RS).



Flávio (o famoso Flávio Luiz Nogueira, baiano de Salvador, que reside em Sampa). Aqui Chupim da Tristeza não se conteve, expressando o que passava na mente de todos: "O Flávio matou a pau, o pobre bicho é o menor dos culpados".



J. Bosco, de O Liberal (Belém, PA).



Thomate, de A Cidade (Ribeirão Preto, SP).



 A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que no ano passado se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

viernes, 29 de marzo de 2013

Voltar ao homem

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Em julho de 2012, aqui publicamos uma Carta Aberta ao Ministério Público. Segundo o contador do blog, foi lida por... 41 pessoas. Um breve texto aludindo ao mundial interclubes de futebol nos rendeu milhares de acessos, mas, enfim, é do jogo. Entre os leitores, talvez o ministério público, vez que a ele dirigida. Nada de resposta, seguimos na mesma. Lá falávamos de estelionato, entre outras coisas. 

Hoje quem fala é o pensador Mauro Santayana, em sua coluna no Jornal do Brasil. Ouçamos.



Este foi um ano, no Brasil e no mundo, contra o homem. Esta Sexta Feira da Paixão, que lembra a morte de Cristo, deveria ser consagrada a todos os flagelados, torturados e mortos, sob o signo da ignomínia na história. Ano a ano, cresce a esperança de paz entre os verdadeiros cristãos, e ano a ano, essa esperança se desfaz, diante da brutalidade e da indiferença de uma sociedade devotada ao culto da violência.

Há poucos dias, um jogador de futebol que se destacara como goleiro de popular clube do Rio, confirmou, no tribunal, que um comparsa matara uma de suas eventuais amantes, esquartejara o corpo e atirara as partes a cães famintos. A notícia foi lida com aparente indiferença. Nenhuma das mais conhecidas personalidades públicas brasileiras manifestou sua indignação contra crime tão hediondo. Durante o processo, em que se investigava o desaparecimento da jovem, surgiram informações de sua vida irregular, como garota de programa e atriz de filmes pornográficos, como se tal comportamento devesse ser punido com a morte.

O horror a que essa jovem foi submetida, pelo fato de exigir do pai de seu filho que assumisse a responsabilidade devida, não espantou ninguém. E a ignomínia do expediente assumido pelos assassinos, de fazer com que os cães devorassem seus restos, a fim de ocultá-los, tampouco trouxe indignação a uma sociedade tão preocupada com a sobrevivência de rãs e lagartos.

Confirma-se a previsão de grandes pensadores do passado, de que a tecnologia, ao nos oferecer instrumentos mágicos, nos devolveria à barbárie. Como estamos no Brasil, poucos se espantam (embora em número bem maior do que ocorreu com a morte da “namorada” do goleiro) com a escolha do “pastor” Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O estranho religioso, que deveria estar na cadeia pela ofensa feita à metade da população brasileira, negra e mestiça, aferra-se ao cargo, com a protérvia de afirmar que só sai dali morto.

Flagrado em vídeo que o mostra em pleno ato de estelionato, ao exigir de um fiel a senha de seu cartão de crédito, o “pastor” não foi expelido da Comissão, pela negligência ética e cumplicidade corporativa da Câmara. Ele e o seu partido, que se intitula “cristão”, são uma blasfêmia e um insulto ao homem de Nazaré que nos dá a sua mão na difícil travessia da vida. Se a Câmara guardar um mínimo de ética deve ir além – e cassar o seu mandato. Vamos ver como agirá nesta segunda feira, que lembra a Ressurreição.

Estamos perdendo a alma, no abismo profundo do egoísmo – ou, na melhor teologia, no abismo do inferno. Esse é o verdadeiro suicídio da Humanidade, que poucos percebem. Podemos refletir hoje, à margem das homilias dos sacerdotes e da bela liturgia da paixão, sobre estes dois tristes episódios de nosso país e nosso tempo, entre outros: o martírio de uma mulher infeliz, que sonhou com a segurança e a riqueza para seu filho, e a petulância de um falso religioso, impiedoso e hipócrita, misógino e racista, que responde a processo por estelionato no STF, infelizmente eleito por cidadãos de São Paulo - que se orgulha de ser o mais rico e mais civilizado dos estados brasileiros.

CBF: dá-lhe, Baixinho!

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Há décadas também nos perguntamos até quando o Brasil vai tolerar certas organizações. Pelo jeito, o Romário vai perder a voz e não vai adiantar. Muito interessante a alusão ao filho do Vladimir Herzog (assassinado durante a ditadura militar). Oremos. Mas sem Sanchez, Romário, pliz.

A matéria é do jornal Coletivo.

Durante entrevista, o deputado federal Romário (PSB) fez duras críticas à cúpula da CBF e chamou o vice-presidente da entidade, Marco Polo del Nero, de chefe do “cartel” da entidade. Também acusou os dirigentes da confederação de superfaturamento na compra de terreno para a nova sede da CBF. As críticas que Romário tem feito ao presidente José Maria Marin, em relação a supostos esquemas de corrupção, ganharam eco de outros personagens, como o filho de Vladimir Herzog, que acusa Marin de envolvimento na morte do pai. Em relação às críticas de Romário aos dirigentes, a assessoria de imprensa da CBF disse que só se manifestaria mais efetivamente ao tomar conhecimento de todo o teor da entrevista.

Um dos pontos mais abordados por Romário foi em relação às eleições da CBF, em 2014. Marcadas por denúncias de compra de votos há décadas e numa estrutura viciada, que marca a relação da entidade com federações e clubes, o deputado diz que a possibilidade de uma mudança efetiva de rumo do comando do futebol brasileiro é quase impossível. “A próxima eleição (2014) vai ser comprada também. Torço e acredito que apareça algum candidato avulso, contrário aos métodos atuais e que possa incomodar os atuais dirigentes”, ressalta o ex-jogador.

Romário revela que dois nomes poderiam trazer melhorias ao futebol brasileiro e ajudar a limpar a CBF. “Tem um que já esteve lá do outro lado, que tem seus defeitos, como todos nós, mas que já deu provas de que é um ótimo administrador e botou o Corinthians no topo. Se o Andrés Sanchez se candidatasse à presidência da CBF, muito provavelmente teria meu apoio. O Raí é outro nome que também seria excelente, um cara íntegro, inteligente, muito respeitado. O ideal seria uma chapa unindo os dois”, finaliza.



Anonymous detona Marco Feliciano

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Abaixo, excertos da matéria postada pelo Anonymous (confira a íntegra AQUI):

(...) o caso mais grave é o de Matheus Bauer Paparelli, neto do chefe de gabinete de Feliciano. Ele é secretário parlamentar, contratado pela Câmara em novembro do ano passado, e recebe R$ 3.005,39 mensais. Mas o jovem formado em direito dá expediente a 1.170km do Congresso: ele é funcionário do escritório Fávaro e Oliveira Sociedade de Advogados. Ligamos para a firma e foi o próprio Matheus quem atendeu o telefonema. Questionado se ele também era funcionário do gabinete do pastor Marco Feliciano, ele disse que a ligação estava ruim e desligou. Depois, não atendeu mais as chamadas. O escritório Fávaro e Oliveira recebeu R$ 35 mil da Câmara entre setembro de 2011 e setembro de 2012, por meio de repasses da cota parlamentar de Marco Feliciano. Ao todo, o pastor gastou R$ 306,4 mil de sua cota em 2012, valor bem próximo do limite permitido pelas regras da Câmara para os parlamentares paulistas, que é de R$ 333,2 mil.

Com verba pública:

Confira alguns casos de funcionários lotados e de contratação de empresas pelo gabinete do deputado Marco Feliciano

» O advogado Rafael Novaes da Silva, contratado pelo gabinete da Câmara e pago com recursos públicos, defende a empresa Marco Feliciano Empreendimentos Culturais e Eventos, do próprio deputado, em um processo que tramita no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Ele assumiu a causa depois de ter tomado posse como funcionário do gabinete.
» O produtor de tevê Welington Josoé Faria de Oliveira é contratado da Câmara dos Deputados e recebe salário com recursos públicos. Mas trabalha como produtor de tevê dos programas pessoais do pastor Marco Feliciano, sob o codinome Well Wap.
» O advogado Anderson Pomini defendeu Marco Feliciano em um processo de impugnação contra a sua candidatura, antes das eleições. Depois de conseguir liberar o pastor para disputar o pleito, a empresa Pomini Advogados Associados recebeu R$ 21 mil em três repasses de R$ 7 mil, em fevereiro, março e abril de 2011, logo depois que Feliciano tomou posse.
» O policial civil e pastor Talma Bauer e sua família estão entre os que mais doaram recursos para a campanha do pastor Marco Feliciano. Depois da eleição, ele assumiu cargo no gabinete, assim como sua filha, Cinthia Brenand Bauer, que também doou recursos e depois foi nomeada como assessora. Há outras duas pessoas que são parentes de Talma Bauer contratadas pelo gabinete de Marco Feliciano.
» O deputado Marco Feliciano emprega cantores gospel que participaram da gravação dos seus CDs. Um deles, Roberto Marinho, afirma em sua página pessoal que a função dele como braço direito do pastor é acompanhá-lo “nas viagens de ministrações pelo Brasil e pelo mundo”.
» Matheus Bauer Paparelli, neto de Talma, é um funcionário fantasma do gabinete do deputado Marco Feliciano. Apesar de ser contratado pela Câmara com salário de R$ 3.005,39, ele dá expediente diariamente no escritório Fávaro e Oliveira Sociedade de Advogados, que fica em Guarulhos. A reportagem gravou uma conversa com ele, em que Matheus confirma que trabalha mesmo no escritório de advocacia. Essa empresa recebeu R$ 35 mil em recursos da Câmara dos Deputados entre setembro de 2011 e setembro de 2012.

jueves, 28 de marzo de 2013

Até quando, Ceará?

Apelo para uma lan, com Leilinha Ferro ao lado, que me cortou os merengues com Aristarco, Moscão, João da Noite (de passagem, depois conto) e Luciano, este de volta mesmo. 

"Tu precisa colocar algo no teu blog, me ajude..."

Larguei tudo e saí, abraçado, magina, a guria do Terguino.

Depois arrumo o estrago anterior, aqui na lan o computador é duro mas está aceitando o blog. Lá na palafita tem 30, mas agora...

A Leilinha não quer deixar passar o grito do Ceará, que Brasília não escuta. Um uivo que se ouve nos confins do Universo. 

"Se deixar para postar amanhã já era, tio Sala". 

Ela tem pressa. A vida tem pressa, pela morte à frente. Penso em dizer que é assim desde mucho, mucho, mas me calo, a menina tem direito às suas ilusões.

Um dia hão de pagar, o mal está lá mesmo no Ceará que tanto amamos de longe, o mal está nos donos do Ceará e de xópins, sabemos quem são, nosotros de águas do Sul, como sabemos os donos daqui. 


Mas morrer de sede não pode!


Com ele, Newton Silva.






miércoles, 27 de marzo de 2013

Desaloja, Satanás!, n'A Charge do Dias

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Os boêmios do Botequim do Terguino pedem edição especial d'A Charge do Dias. 

A indignação é muito grande. Leila informa que o "O tio Contralouco não sossega, desde ontem anda de lá para cá, murmurando, feroz: 'Se eu pego um cara desses'. Hoje encheu de pau um pastor, depois descobriu que tinha se enganado, era só um leão-de-chácara de terno preto vagabo, indo para o seu trabalho de peitar bêbedos depois de lhe vender litros de bebida falsificada, como falou o tio Aristarco. Esse 'vagabo' é coisa do tio Peregrino, que entende de ternos. Isso de corajosos de espancar bêbedos e meninos, enquanto a baiúca pega fogo, é coisa do senhor, tio Salito. Baiúca também é uma palavra que aprendi com o senhor. O equívoco do tio Contra deu-se porque, milagrosamente, o sujeito passou no Beco do Oitavo com um livro na mão, de capa preta, parecia uma Bíblia. O tio Contralouco depois se lamentava: que mancada, pombas, mas nunva vi leão lendo livro, achei que era o livro-caixa dos corvos, que eles disfarçam de Bíblia. O tio Moscão, que não gosta de leões, disse que errou mas fez bem". 

"Enviam recado para o Lulaluf e a Dilminha: Cría cuervos..."

"Falei com o tio Aristarco, hoje apareceu vestido de branco, lindo, eu perguntando sobre o significado disso, filósofo sabe das coisas. Soube que é um imemorial ditado espanhol: Cría cuervos y te sacarán los ojos. Entre muitos modos de ver, disse-me que é como alimentar algo ruim. Um dia aquela ruindade, por ignorância ou má-fé, acaba contigo, te arrancará os olhos é figurativo. Vende-te, trai-te, mata-te de desgosto. Ai, cría cuervos... então me dei conta de que corvos com ovelhas não combina, e já pensei em lobos, horror..".

"Eu amo o tio Aristarco de Serraria. Paciencioso. Fez-me sentar ao seu lado e falou uns dez minutos sobre o tema. Pairando nos exemplos que citou, a ingratidão, tão comum às nossas filhas, disse, depois remendou acrescentando filhos. Acho que a filha mais velha dele atacou novamente, ela que já o fez chorar tanto".

Disseram mais, outro recado: "O bicho vai cair sim, só que agora, depois de desafiar a Deus e todo mundo, a queda será muito pior, daqui a pouco iremos todos para a rua, ver de perto os exércitos de racistas e homofóbicos que o sujeito diz possuir".

Era para ser maior o número de obras escolhidas, mas nosso notibuc levou uma bala, digamos, perdida (vez que o seu destino talvez fosse o meu pobre coração, judiaria, isso não se faz, ele já anda destroçado), de modo que perdemos as obras recebidas ontem, estamos sem noti, agora improvisando noutro. Por isso, e também devido a outros embaraços, só postamos as de hoje.

Nani.



Clayton.


Mário.



Zop.


Rico.



Miguel.


Desconcertado em Mozart

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No ar da palafita, a Sinfonia Concertante 297, que sempre me deixou desconcertado. Mas desconcertado mesmo fiquei com mensagem recebida de Silvana Maresia, com as imagens abaixo. Só pode ser brincadeira.


martes, 26 de marzo de 2013

Noche cubana

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Há pouco entrei numa tabacaria à procura de um jornal. O sujeito estava com a tevê ligada num programa qualquer de rede aberta. Aconteceu um milagre: vindo daquela caixa de idiotices, ouvi os acordes do bolero Contigo en la distancia, em solo de guitarra, me trazendo à memória grandes cantores e cantoras, além do autor, o cubano César Portillo de la Luz, introdutor do bolero filin. O clássico deve ser dos anos 50.

- Que programa é esse, seu?

- É a novela da Globo.

Saí pensando com meus botões: o seu César Portillo, agora com 90 anos, vai gostar de receber uma graninha de direitos autorais da plim-plim. Vão pagar, sim?

Pensando nisso, rodo outra de suas obras, Noche cubana, gravação de 1958 da espetacular Omara Portuondo.





Tanguera

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Na madrugada que desfalece onde moro, ou me escondo, rosto molhado, ardeu, com a água salguei meus olhos castanhos, meu Deus, gritei ao chorar, os vizinhos ouviram, será, estou desfigurado, que droga de espelho, hei de quebrá-lo um dia, eu não aguento mais...

Pára, guri, aguenta sim. 

Uma das obras-primas de Marianito Mores.





domingo, 24 de marzo de 2013

#Rede, bem-vinda

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Muito se tem falado na #Rede, movimento puxado por Marina Silva. É ainda incipiente, não chegou  às massas, porém o  pessoal conta com um tempo bem razoável até 2014. 

Passamos a catar informações, para tentarmos entender o processo. Em princípio nos agrada sobremaneira a idéia de quebrar o monopólio do "fazer política" dos "partidos", esses antros em que se transformaram. A idéia de candidaturas independentes é simplesmente fascinante, será um chamamento aos cidadãos e cidadãs decentes que, sabedores de que seriam obscurecidos pela podridão do sistema partidário vigente, nunca tentaram mandatos, ou, se tentaram, logo se decepcionaram, desistindo. 

Há tempo para que o projeto seja compreendido pela sociedade, para não ficarmos no simplismo, ou armadilha, do "seremos a favor se a Globo e a plutocracia em geral forem contra". 

No Rio Grande do Sul, pelo que vimos, por enquanto a #Rede possui apenas um endereço em todo o estado, e não é na capital (fica no centro da cidade de Canoas, na grande Porto Alegre). O site da #Rede traz o Estatuto e demais informações sobre a organização, clique AQUI

Marina arregaçou as mangas e foi à luta, está viajando o Brasil inteiro, explicando o processo e coletando assinaturas para o registro da nova agremiação. Aqui em casa todos assinaremos, obviamente, o que não significa compromisso ou filiação, como bem esclarece a coordenação do movimento. 

A proposta é o bom combate, com idéias, longe de se arrancar a assinatura de um coitado, à socapa, na penumbra de algum templo, de olho nos cofres públicos. Tendo nomes como Marina Silva e Heloísa Helena na Comissão Nacional Provisória, entre outros, é evidente que essas pessoas tem algo importante a dizer, querem participar, trazer sua contribuição, não se trata de nenhuma quadrilha, como tantas de quem só ouvimos falar quando leiloam seu minutinho na tevê aos grandes tubarões, por dinheiro vivo ou permissão de assalto a alguma estatal, secretaria ou ministério. Acreditamos que todo o pessoal de esquerda assinará, como também as mentes mais arejadas dos partidos de centro, como o PT, e centro-direita, como o PMDB e o PSDB.

Na última sexta-feira, 22, ela esteve em Belém, e concedeu entrevista ao Diário do Pará, que reproduzimos abaixo:



P: Como está o processo de coleta de assinaturas para registro definitivo da Rede?

R: No início, fomos criando as comissões provisórias estaduais. Já existe um colegiado nacional, composto por 90 pessoas, e um colegiado executivo formado por 16 pessoas, além de dois porta-vozes. Nós não temos a figura do presidente. Somos dois porta-vozes, um homem e uma mulher, e, a cada seis meses, dentro do colegiado de 16 pessoas - vamos mudando esses porta-vozes. Estamos cuidando do processo de organização nas redes sociais para divulgar a coleta de assinaturas. Agora, estamos fazendo as visitas aos Estados para ampliar a coleta e também para estimular o debate em torno das diretrizes programáticas da Rede. Vamos partir da “Plataforma pelo Brasil que Queremos”, que foi apresentada em 2010 [durante a eleição presidencial em que Marina foi candidata]. Vamos aprofundar essas diretrizes com os diferentes setores da sociedade para que a gente possa ter um programa que represente o compromisso da sociedade brasileira. Queremos produzir uma agenda para o Brasil em lugar de ficarmos prisioneiros dessa lógica de apenas eleição pela eleição, como se o poder fosse um fim em si mesmo.


P: Quem é o público alvo da Rede? Há um perfil? São mais os jovens?

R: Eu acho que é um povo que está se reencantando com a política. Esse é o perfil. De todas as idades, de todos os setores. Agora, claro que a juventude, até pelo perfil de ser questionadora, está muito mobilizada, sobretudo nos novos espaços de atuação política. Mas é um movimento muito diversificado.


P: Alguns críticos dizem que esse movimento quer “despolitizar a política”. Até na escolha do nome vocês evitaram a palavra partido... 

R: Despolitizar a política é a forma como os partidos estão hoje. Eles é que estão despolitizando a política, porque a transformaram em projeto de poder pelo poder. Você não vê mais os partidos discutindo ideais, propostas. Eles discutem é como faz para se coligar para ter mais tempo de televisão, como é que faz para se coligar para ter apoio de prefeito, de deputado e senador. Não estão discutindo proposta para sair da educação, da saúde precária que temos e da degradação ambiental. Isso sim é despolitizar a política. Não é o nome ‘partido’ que assegura a politização. Ela é assegurada pelo conteúdo, pela visão e forma como as pessoas atuam. Neste momento, o que não falta é discussão sobre o País. Há um reencantamento com a política. Engana-se quem pensa que a palavra partido assegura a qualidade da política. Pelo contrário. Os partidos hoje têm o monopólio do fazer político e estão exilando a sociedade da participação. 


P: A proposta da Rede de limitar o número de mandatos para parlamentares não pode levar à perda de bons quadros políticos?

R: A gente colocou uma cláusula que diz que, em casos excepcionais, mediante um plebiscito entre os membros da Rede, é possível abrir exceção. Mas, em vez de pensar na perda, a gente pode pensar que está ganhando ao não ficar repetindo seguidas vezes pessoas que fazem da política um meio de vida e que se elegem a qualquer custo, que transformam o fazer político em um emprego. Política não é emprego. É lugar de serviço, de buscar o bem comum. Dois mandatos seguidos já dão sim para dar uma contribuição. Fui senadora por dois mandatos e decidi não buscar um terceiro. Estou dando minha contribuição em outros espaços.


P: A Rede mostra uma preocupação grande com o caciquismo. Por quê? 

R: Por que não temer as figuras que se perpetuam no poder? Por que não temer os que se sentem donos dos espaços públicos que não deveriam ser privatizados por determinadas figuras que acabam passando o poder de pai para filho e de filho para neto, como se a gente estivesse vivendo ainda uma monarquia em plena democracia? Defendemos que os processos sejam horizontais, legítimos e para que a haja a possibilidade da alternância de poder, uma das coisas boas da democracia. 


P: A proposta de candidatura independente não enfraquece a Rede, já que serão candidatos sem qualquer compromisso com o partido e seu estatuto?

R: Mas devem ter compromisso com os princípios. Princípio da ética na política e do desenvolvimento sustentável. E quem foi que disse que a sociedade participando da política enfraquece a política? Não vamos confundir fortalecer a política com apenas fortalecer os partidos. A Rede vai ter os seus candidatos orgânicos, os seus filiados orgânicos. A diferença é que, como defendemos as candidaturas independentes, vamos fazer o exercício da filiação democrática para as pessoas que têm representatividade e que sejam coerentes com os princípios da Rede. Essas lideranças devem ter a chancela de um determinado número de pessoais para pleitear uma filiação democrática e assim poderem se candidatar, independentemente. Isso vai criar uma concorrência com os partidos, inclusive com a gente mesmo. Hoje os partidos têm o monopólio da política. Queremos quebrar esse monopólio. Tem muita gente boa que gostaria de participar da política de forma independente. Na Itália, temos essas candidaturas independentes; nos Estados Unidos, na Argentina e no Chile também há. No Brasil só o partidos têm o monopólio da política.


P: Uma das críticas à democracia brasileira é justamente o excesso de partidos. O que a senhora pode dizer dessa crítica no momento em que trabalha para criar mais um partido? A senhora concorda que já tem partido demais no Brasil? 

R: Eu diria que tem política de menos e a Rede vem exatamente para dar uma contribuição a uma cultura política. Nós evitamos o nome partido porque não somos uma configuração semelhante a essas a que você se refere. É uma nova configuração. A política está mudando no mundo. As novas tecnologias estão revolucionando as empresas, a educação, a forma de produzir conhecimento, a arte. Por que não vão revolucionar a política? Os 20 milhões de votos que me foram dados na eleição de 2010 já são uma revelação de que os partidos, da atual forma como estão, não conseguem mais manter o monopólio da política. Existem outras formas de dialogar diretamente com o cidadão, que não quer ser apenas espectador. Ele quer ser também protagonista. 


P: A senhora saiu do PT, se filiou ao PV e agora está criando a Rede. A experiência no PV foi ruim? 

R: Foi um misto de coisas muito boas com coisas negativas. Foi bom porque ali existem pessoas sérias, comprometidas. Infelizmente foi ruim porque há uma burocracia cristalizada que monopoliza o partido, que não faz eleição para escolher seus dirigentes. Foi por isso que eu saí. Eu não posso fazer o discurso de um partido democrático, aberto para discutir dentro de uma legenda que sequer escolhe seus dirigentes. Mas o PV é um partido que tem pessoas com compromisso com a sustentabilidade e continuamos juntos na comunidade de pensamento. 


P: A senhora tem falado em prazos para coleta de assinaturas para registro definitivo do partido. Vocês pretendem lançar logo candidatos nas próximas eleições?

R: Temos o compromisso de estar aptos para poder fazer essa escolha. Se fosse o interesse apenas de fazer a eleição pela eleição, teríamos criado o partido em 2011 para concorrer em 2012. Não é uma agenda eleitoreira. Ficamos dois anos configurando o movimento. Eu até lutei muito para que continuássemos como movimento, mas as pessoas começaram a querer participar da política institucional e queremos estar aptos para decidir se vamos ter ou não candidato.


P: O seu nome aparece naturalmente como candidata à presidência... 

R: Tendo sido candidata [em 2010], o nome está sendo colocado, mas essa decisão será tomada no tempo certo. Não vamos antecipar a discussão eleitoral. Acabamos de ter uma eleição para prefeito e já anteciparam a eleição para a presidência porque só estão vendo o poder pelo poder. E nós queremos discutir propostas, ideias. Não estamos fazendo qualquer coisa para conseguir as 500 mil assinaturas. Queremos os que têm identidade programática.


P: A senhora já declarou que a Rede não é oposição nem situação. Afinal onde a Rede se situa no atual quadro político?

R: A Rede tem posição. A oposição pela oposição e a situação pela situação não contribuem com o País. A situação por situação só vê méritos, mesmo quando os erros saltam à vista. A oposição por oposição só vê defeitos, mesmo quando os acertos são evidentes. O Bolsa Família é um excelente programa de inclusão social. A oposição por oposição levou muitos anos para reconhecer isso. A estabilidade econômica e o controle da inflação são uma conquista do Brasil. Não tenho dificuldade em reconhecer isso, mas também não tenho dificuldade em assumir posição contrária ao que está sendo feito com o código florestal. Se a presidente Dilma Rousseff tiver uma boa proposta para inclusão social ou a saúde, pode ter certeza de que terá meu apoio. Mas se ela negocia com a bancada ruralista o fim da proteção às nossas florestas, eu assumo uma posição contrária. Isso é ter posição. 


sábado, 23 de marzo de 2013

Negociando às/as margens

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Já que estamos em Porto Alegre, cidade onde..., ah, eu disse aos companheiros: vamos dar um tempo ao Luciano até sábado à noite, depois voltamos. Sinto-me perdido em Porto Alegre.

Os companheiros não se sentem perdidos em lugar algum, onde quer que andemos, como eu também. Eu exceto aqui. 

Um homem de Angola, Miquirina Segundo; da Tanzânia, Kafil M'Oba. Aristide Neptune do Haiti. Entre outros que não convém. Só que eles não moraram quinze anos em Porto Alegre, eu sim. Machucaram-me demais.

E assim, com lindos pensamentos, iniciei a noite de sexta-feira na velha palafita. Depois do inverno que fez ao final do verão, agora um verão no início do outono em Porto Alegre. A gente de calção, pés no chão. A bergamoteira está carregada.

Domingo à noite cairemos fora. 

Aí a bela surpresa.

Recebo, por correio eletrônico, convite para assistir a uma defesa de tese de mestrado, na segunda-feira. O Rei de Porto Alegre deve ter enviado por educação, como poderia saber que estamos por aqui?

Ah, assim me mata, tudo clareou, que noite linda, há vida em Porto Alegre, não são apenas aqueles zumbis. 

Fui-me ao Beco do Oitavo. Vou sozinho, compañeros. Deixei a tigrada na palafita, não dá nada, ninguém lembrará de mim deste jeito. Miquirina argumentou, apreensivo: E o teu jeito de caminhar, Sala... o desenho do corpo... deixa só eu ir junto, fico 10 metros atrás... 

Não, não precisa. Eles só olham para o próprio umbigo. A moçada não, me verão de longe...

O Rei de Porto Alegre tem 24 anos, mas já é rei há uns 8, sem saber. Tocou-se há uns 5, mas ainda lhe é difícil, pela modéstia, admitir. E isso acarreta muita responsabilidade. Para quê agora, né? OK, façamos de conta de que não é. Quando retornar do doutorado em Buenos Aires assumirá o posto. Sim, neste abril já estará num apartamentinho próximo ao Obelisco.

Miquirina me deixa na Olaria com Venâncio, dali vou de a pé. Seis ou sete quarteirões curtos a percorrer, aproveito para ver os bares al pasar... Lindos, faturando alto. Fiquei com a impressão de que estão elitizando a zona boêmia da cidade. Deve ser impressão. 

Olho o que restou da antiga arquitetura daquela via. Depois da República afundo o chapéu e aperto o passo. Neste mundo tudo muda. 

Abracei umas 25 almas na chegada. Ou 20, não contei, e não quero contar agora, prefiro pensar como é bom um abraço sincero. 

Está decidido, ficaremos em Porto Alegre. Vamos assistir à defesa da tese na segunda-feira. No Uruguay é feriado a partir deste Domingo de Ramos, 24, a semana inteira, pára quase tudo. No Brasil só a partir de jueves, quinta-feira.

Na mesa com o Rei, a moçada da Antropologia: Ana Paula, Patrícia, que já defenderam, o moçambicano Segone (uma risonha escultura de ébano), que defenderá em julho, e o  colombiano Tomaz, também em julho. Cristiano, de niver, pandeiro na mão. Em seguida chegam pessoas de outras cátedras, Jessica, Bárbara, Mareu, Brumi e uma numerosa rapaziada. Sim, senhores: mestres. Logo irão para o doutorado. 

O Brasil precisa desses moços. Uma nova esquerda, para substituir os que temos hoje na cúpula do governo, uns comprometidos pelo rancor, sofreram na carne a terrível ditadura, outros que passaram para o outro lado, adotando idênticas práticas dos que combatíamos. Fizeram a sua parte, muitas coisas boas. Hora de curtirem a aposentadoria, uns bem belos em casa, outros na cadeia.

Uma nova esquerda, uma vida nova, necessariamente com visões antagônicas entre os muitos componentes, mas sem grupelhos com sede demais, o pote é raso para tanta vaidade. Uma nova, sem ranço, capaz de admitir o outro, as razões do outro, sem bola nas costas de traição. Talvez não seja nesta década o sonho, pois, antes desta geração que hoje vejo, já temos outra, abjeta.

Esta geração, mestres agora, doutores amanhã, será o começo de um novo Brasil. Em cinco anos? Tomara. Quinze já estará bom.

Bem, Alex Martins Moraes, o Rei de Porto Alegre, defenderá sua tese às 14 horas de segunda-feira (Lunes), no miniauditório do Campus do Vale. 

Li rapidamente algumas folhas esparsas, a intensa movimentação no bar O Porto (na Rua André da Rocha, ao sopé da escadaria da Duque), superlotado de estudantes curtindo música latina ao vivo, de chamamés a tangos, não permitiu a leitura da íntegra. 

O prólogo li inteiro. Guapo, não tem agradecimento nem dedicatória de puxa-saquismo. Lembrou, sim, dos amigos do bar e dos sofridos fronteiriços do meio em que trabalhou. De arrepiar.

Rei é rei.


NEGOCIANDO ÀS/AS MARGENS


Experiências de trabalho, deslocamento, indocumentação e acesso aos serviços do Estado na fronteira uruguaio-brasileira.




viernes, 22 de marzo de 2013

Ao Luciano, com carinho

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Silvana Maresia, por si e pelo Jucão da Maresia, envia correio para esta Rádio Espantado.

"Dedicamos ao Luciano Peregrino. Tudo passa, festejemos a vida. Sabemos que ele entenderá o mais que aqui não dizemos".

Canção da Manhã Feliz é de 1962, autoria de Haroldo Barbosa (que ontem completaria 98 anos, se vivo fosse) e Luís Reis. Com a Gal.



O acidente com Peregrino, n'A Charge do Dias

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"Na minha família era assim: minha mãe, irmãs, depois esposa e filhas, assistiam filmes americanos, de guerra ou sentimentais. O personagem principal, em guerra ou apaixonado, bebia garrafas de uísque e saía, gritava de tristeza e solidão, errante, entrava em inferninhos, brigava a socos, matava até - algum mexicano malvado o provocava, o roteiro era sem querer, porque estava triste, ele tinha um retrato da namorada no bolso. Herói, armado. Elas choravam de compaixão, compreensivas, lindo o ator. Outras pessoas se drogavam pesado, um fiasco atrás do outro, segundo as suas concepções, delas, suicídio à vista, e se suicidavam em cocaína, mas tudo era compreensível e desculpável, os sentimentos da pessoa a levaram àquilo, e corriam a comprar seus discos, quando cantores, artista morto é lindo. Amavam Clinton, Xuxa, Maicon Jékson, Roberto Carlos e Caetano Veloso. Amavam todos, uma lista sem fim. A novela da Globo. E eu, retrato de alma, desarmado, só lendo uns livrinhos, sem alarde, quase escondido. Eu, o filho, irmão e pai, que tudo dava, a todos socorria, que nem maconha experimentei, que para matar um semelhante só se em defesa delas, eu... ao menor desejo, se fosse ao bar da esquina beber com simples meio-amigos, ou namorar aquela lourinha, aquela moreninha, tentar viver... eu era um criminoso, onde já se viu. Imagine se eu errasse, cometesse mesmo um errinho de nada. Foi num desses dias que desapareci. Dormiram e me esgueirei, ganhei a rua e saí correndo espavorido. Já longe, muito longe, no caminho escuro dos trilhos que circundavam a mata, parei, abri a minha carteira, febril, caí de joelhos na linha, e rasguei aos gritos de solidão expulsa as fotos delas, com ódio da horrível ingratidão. Depois rasguei os documentos. Como clandestino peguei um trem que passou, e me tornei Lúcio, mudando meu nome, ainda sem saber do Quincas Berro D'Água. Limpei-as, dei comida, beijei-as na dor, acalmei-as em seus desesperos, curei seus males, e elas seguem lá, querendo me matar, matar ao único ser honesto que conheceram." (Luciano Peregrino).



Esta coluna, embora não tenha perdido o título de "do Dias", que ao final se explica, passou a ser semanal por algum tempo, ou irregular ao menos. Sairia amanhã. Antecipamos devido a um grave acontecimento.

Lúcio Peregrino teve um novo "tilt", vinte dias após o primeiro. Como já se falou aqui, Lúcio surpreendeu a todos, mas agora acendeu-se uma luz vermelha, algo andou mesmo lhe acontecendo, pelo que os dirigentes da mesa central do botequim andam pensando em interná-lo "por bem", pelo amor que lhe dedicam, mas isto é difícil diante da nossa legislação, mais difícil no seu caso específico, pois o boêmio é órfão de pai, mãe, esposa, filhos, enfim, ninguém se importa, salvo os companheiros de boemia, o guapo é solito neste mundo cruel.

Aristarco de Serraria lembrou Mahatma Gandhi: "A raiva e a ingratidão são irmãs gêmeas da incompreensão". Contralouco discordou: "O Gandhi foi generoso, é mais que incompreensão. Levantar a voz já é crime. Eu aceito tudo, mas ingratidão ninguém merece, é a soma de todas as coisas ruins. Conheci alguém que arreganhava os dentes e espancava de berros o próprio pai, quando este esteve em péssima situação financeira e de saúde, atribuindo-lhe indevida culpa pelo momentâneo extravio de um gato. O velho aguentou essa e outras no osso do peito, e calado um dia jogou-se embaixo de um ônibus".

Chupim da Tristeza desconfia que o problema aí reside, na ausência de família. Jezebel do Cpers, a anciã do bar (que não nos ouça) lembra que todos ali são sua família, afinal, quem tirou a roupa e lhe deu banho na última vez? Ela. E seguiram nesse tranco, o tema é inesgotável.

A bobajada que o boêmio derramou não difere muito da primeira, mas desta vez ele gritando que de há muito não tem ninguém, tempo demais, e não aguenta mais viver sozinho. 

Repetimos a coluna do dia 2 de março, que saiu mais ou menos assim:

Miss Leilinha Ferro, a jovem coordenadora da coluna A Charge do Dias, como sabem os trilhões de leitores que leram o blog, ontem foi afastada do botequim pela vulgaridade de certo boêmio, o âncora das Notícias do Notibuc, o Sr. Lúcio Peregrino, o já lendário acamalador de mulheres políticas e esposas de políticos, para não falar nas tiangas dos chamados "grandes" empresários. Aliás, o epíteto vem do seu hábito de peregrinar por camas alheias. Lúcio surpreendeu a todos, algo andou lhe acontecendo.

(Aqui emendou comentários nada dignificantes sobre um "maldito gigolô" de direitos inumanos e sua troupe, sobre o que nos fazemos de desentendidos, mas, que, dizem, serviu para o Contralouco se postar à frente do bar, para "pescar uns vagabundos vestidos de preto". A parte final deste parágrafo de hoje são palavras do Sr. Contralouco, obviamente, pois este blog não emite juízo de valor ou desvalor.)

Por falar nisso, os mais velhos ficaram preocupados, pois Lúcio é um túmulo, nunca fala nada sobre a sua vida particular, o que só lhe aumenta a fama, e ontem repentinamente falou, e demais. Por exemplo: "Na primeira vez em que fui à Brasília, em duas semanas passei o pau em todas as jornalistas da área Política, depois experimentei as da Cultura, ao cabo de dois meses voltei pra Porto Alegre, se não venho embora acabaria embarrigando até as das Fofocas, pois era eu chegar no bar Carpe Diem e tinha uma fila me esperando, os garçons faziam buquimequi sobre quem seria a sorteada. Tinha dias que faziam oito buquimequis, pois eu largava uma e voltava pegar outra. Gostei mais das jornalecas da política, taradas como só". 


(Falou depois, ao saudoso João da Noite, sobre os jornalecos fúteis, comprados pelos bandidos do Congresso - disse conúbio -, que o fitavam no bar: "Eu tava louco que me tocassem..., fui de avião mas os ferros foram de caminhão")

Note-se aí, já na primeira manifestação, a insciência de bons modos, a declarar a origem rústica do sobrevivente, impingindo escabrosas expressões aos ouvidos do eventual leitor, ou, pior, leitora, posto que esta de aparelho auditivo apurado, tido hipocritamente como mais doce, mais fácil se tivéssemos dito de pronto da vulgaridade do "passei o pau", todo mundo entende a palavra vulgar, do vulgo, e entende sempre pensando que os outros é que o são, e essa trouxa assim carregada pela asneira do boêmio, aliada ao perigo da generalização, ora, compreendamos, claro que alguma tianga, que o povo de Bujumbura já sabe que significa moça, deve ter escapado, pois ao generalizarmos, como sabemos todos os aimorés, devemos fingir que não estamos generalizando, deixando, como sugeriu o explosivo Évariste Galois num dos intervalos da sua obsessão pela equação de quinto grau, lá por 1.830, quando vicejavam técnicas de humilhar e destruir o próprio pai, traiçoeira
mente, pela horrenda técnica francesa daqueles tempos, o que lhe repugnou de pronto e,... ah, deixando uma brecha onde todos do universo a que nos dirigimos poderão se abrigar, não fica um, até como medida de autoproteção diante da possibilidade de repentinamente nos transformarmos em querelado ou réu diante do juiz Tourinho, com este estaríamos fritos, porém deste poderemos nos vingar um dia, em sangrenta vindita pela madrugada, depois de um cão morto pendurado na porta, os sicilianos preferem peixe enrolado num jornal, normal, o diabo que devemos ter em mente é o juiz Maior dos Santos, cheio de seguranças alados e, até onde se sabe, e se sabe nada além de uma ilusão, lindo fox do Mário Lago, pero justo com os ricaços, sempre perdoados pela matança, os pobres que se fodam, ai, a rusticidade e os maus modos contaminam, eta gente burra, isso é coisa que se diga, diante deste juiz não há desculpas para leviandades que causam mortes ou graves transtornos, um dia Tourinho e Maior se encontrarão, um de joelhos e o outro só olhando, estou sabendo. Voltando imaginem a cena daquele teatro bufão, a gente em frente ao juiz menor, ele protegido por irmãos que ganham mil nada por mês, desasados porém treinados para espancar e matar pobres como eles, para proteger magnatas de insensíveis ferraris, venturosos em ternos negros e cachecóis brancos de seda. Sorrisos limosos, como diria o poeta Alex Moraes, alvos de provocação, llenos de saúde: eu sou o cara, eta expressão bem grossa essa, deixam picando mas não diremos cara de que sem pestana, limosamente dizendo papai me adiantou nos negócios que capturou à força dos bugres, ave, para ao fim e ao cabo descobrirmos que o que nos salva é a letra do samba do Paulo César Pinheiro, música do Eduardo Gudin, que estabeleceu que sem sombra de dúvida maior é Deus. 

Um pequeno deslize do notívago, motivado por razões etílicas que logo veremos. 

(No dia seguinte ele reconheceu que teve um "tilt", pois ao chegar em casa resolveu fazer um foguinho embaixo da casa do deputado que mora defronte, foguinho que, felizmente, foi discretamente abafado pela esposa do referido. Isso quem lhe disse foi ela, hoje, vez que o tilt apagou seus atos dos dias anteriores.)


Para a meninada de 16 a 26, que muitas histórias ouviram sobre o boêmio que hoje conta com recentes 40 anos, foi uma decepção. Esperavam que os garçons fizessem vinte buquimequis por dia. É a velha história, quem conta um conto sempre aumenta um ponto. Pobre do Lúcio, só oito por dia e na voz do povo já passava de vinte.  


Bem, mania de mudar de assunto... Onde estava... Ah, o singelo moço tinha tomado todas desde o meio da tarde de tresontonte, loiras acompanhadas de tirambaços de steinhager do frizer, e quando a noite veio o encontrou um tanto excitado, ainda que sem perder a alegria, proferindo um rosário de palavras de baixo calão ao se referir aos ilustres padres comedores de crianças (e reclamava: dizer que não faz muito botavam a culpa na gente, os comunas, nessa de comer criancinhas), para não falar que difamou importantes figuras da nossa pátria, no mesmo tom, nossos símbolos de gatunagens, covardias e doenças mentais, a herança psíquica da ditadura, com bem captou o filósofo Aristarco em um dos seus escritos. Isso disse ele.


Bem, logo cedinho a guria nos enviou um correio eletrônico, colocando os pontos nos is.

Tentaremos resumir, vez que a menina não é deslumbrada (alô, Lulaluf, quando vai passar o deslumbramento, ô chulé?), não tem leite retido a compensar, e detesta holofotes.

Uma que, ao contrário do que pensam Terguino Ferro - seu pai, mais Aristarco de Serraria, Gustavo Moscão, Carlinhos Adeva, Tigran Gdanski, Chupim da Tristeza e as professoras Jezebel e Silvana, isto é, os mais afoitos na proteção aos bons costumes, ela não é mais criança. "Já ouvi coisa pior ao ligar a tevê, tio Salito".

Outra que entende perfeitamente o crime do celibato: "Sou universitária, tio, e tenho namorado, e sei muito bem que o crime foi motivado por razões econômicas, o famoso substrato material, ou seja, padre sem família não tem quem reclame herança ou pensão alimentícia. A insânia do "direito à propriedade" que eles tanto defendem vem do tempo em que vendiam lugares no Céu, para beneficiar a cúpula de assassinos e os que a sustentavam. Se por um lado diziam tentar evitar o caos absoluto - de fato um perigo que sempre rondou a humanidade, impingindo uma estúpida fé, por outro o incentivavam. A empresa deles está à beira da falência, hoje o povinho entrega o ouro para os pastores analfabetos e brutos de alma - esses que o tio Contralouco vive surrando -, devido a falta de instrução que o sistema sempre negou à imensa maioria, para manter seus privilégios que só se sustentam com a escravidão, como o senhor mesmo diz: "ao povo do sopé da montanha do Nome da Rosa", aludindo ao livro do cara, que bem mostra como o povinho sempre foi tratado. Lá, no meio do povinho, quantos Mozart, quantas inteligências raras, morreram de fome, enquanto misóginos enlouquecidos mandavam em tudo pela força da espada?".

Essa menina vai longe.

Concluiu dizendo que esta foi a última vez que Terguino a mandou para casa. "Na próxima não volto mais, ele que se vire sozinho". 



Bem, isto ocorreu no dia 2 de março. Desta vez Leilinha disse que não volta mais. O Terguino que arranje alguém para cuidar do caixa.

Pausa para visitarmos o amigo Peregrino, a palafita irá em comitiva, viemos especialmente para isso, desde Montevideo, às pressas. Pensamos em sugerir, com muito jeito, que o varão arranje uma boa companheira, sabemos que não é fácil, mas tentar não custa. Mais tarde traremos as obras escolhidas pelos empinantes.

De volta, 19:30 h. As coisas são complicadas. Lidar com o Luciano, que conhece a história e os choros da humanidade é complicado. Complicado... é loucura.

Prezada Leilinha: perdoe-nos a franqueza, mas fez bem o seu pai em banir os menores de 40 anos do botequim, pois mesmo que você e alguns universitários tenham cabeça de 60, os temas que brotaram, perigosos, eram para gente de 80. Aliás, menores de 40 quanto aos boêmios, vez que Terguino pediu que todos se retirassem, qualquer que fosse a idade, à exceção dos boêmios da antiga, "de maior" e amigos do companheiro Luciano. Sim, hoje nos pediu que passássemos a chamá-lo pelo seu verdadeiro nome: Luciano (...), deixa assim, para quê sobrenome, né? Disse que também há séculos deixou de traçar aquelas senhoras, vive como um monge, bem, monge também não, que isso nem monge merece, vez que hoje em dia não existem bruxas nem as mulheres representam a personificação da maldade, mas vive sozinho.

Depois da saída dos "de menor", houve a expiação do Peregrino, com a "sessão lágrimas". Explosão de lágrimas incontidas. No "mea culpa" ninguém concordou com o Luciano, ora, nunca matou nem roubou, e jamais feriu inocentes, ao contrário, passou a vida palestrando em leprosários, asilos e prisões, entregando o pouco que nunca economizou (disto entendo um tiquinho de nada, Leilinha), incógnito, enquanto moleques zé-valentes do pápi certinho, só rindo, pensam só em si, e ... deixa para lá. Isso ele não disse, mas sabemos. E tem coisas... Aristarco de Serraria sabe muito bem do número de pessoas que se mata de solidão diariamente neste mundo de Deus, solidão y otras cositas más, e estas cositas más é que entortam o rabo da porca. O pessoal não permitirá, eu idem, que o tio Luciano embarque nessa.

O Contralouco, ladino como só, escapuliu durante a conversa, que duraria até alta madrugada. Feito um ladrão, entrou por uma janela dos fundos da casa do Luciano. Duas horas depois voltou pálido, respiração descompassada. Disse à Jezebel que encontrou uma carta que começava assim: "Queridos amigos do Botequim. Peço a vocês, posto que a mais ninguém devo isso, perdão pelo gesto que tomarei...". Jezebel não hesitou, jogou o assunto na mesa. Foi aí que Luciano se abriu, em prantos, lavando a alma.

Assim, suplicamos que retorne ao seu posto, Leila. Tenha humildade, compreensão com temas ainda secretos, o mundo e os livros tratarão de trazê-los à tua vida, no tempo certo. Infelizmente. 

Sim, continuamos misturando tu com você, um delicioso vício, dizemos antes que algum boludo aponte.

O imbróglio e suas múltiplas facetas e nuances muito nos comoveu, tanto que, por proposição de Aristarco de Serraria, que se dispôs a auxiliar nos debates, talvez tornemos ao assunto outro dia, com transferência ao mundo dos homens, macro, ou seja, abstraindo o caso específico do companheiro, que em verdade retrata um universo de custosa compreensão. Jezebel relembrou Antonio Maria, com "Se eu morresse amanhã de manhã", clássico da solidão que alucinada se transfigura em terrível depressão. Há que se ter morrido muitas vezes para se ousar penetrar em certas searas, só livros de psicologia não resolvem, então vamos ver.

Nem pensem, trilhões de amigos que lêem este blog, em sugerir médicos, dizer que hoje em dia há drogas que tudo curam. Esses moleques (97,3% filhinhos de pápi) não hesitariam em fincar um garrafão de lítio goela abaixo do tristonho moço. Decididamente, quem fala é um sobrevivente de coisa pior: não é por aí.

Salvo se alguém souber como se lida com ódio sem razão, e com o pior, a ingratidão, mas sem agressividade. Cartas a este blog, toda ajuda é benvinda. Alguém sabe a verdadeira razão de terem matado Jesus? Pensem. Não seria porque era um insulto ser assim tão puro e bom? Por vê-lo bravo quebrando o comércio ruim, a mentira por dinheiro? Insuportável.

Tal a insistência da querida moça, que todos amamos, que colocamos lá em cima 1/5 das mágoas afloradas no desabafo, com a autorização, obviamente, do boêmio. Possivelmente mal escritas (como transmitir, cortando trechos, o coração do outro?), suprimidas passagens que, francamente, confie em nosotros, não convém ainda, nosotros, os boêmios da antiga, ainda não estamos preparados.


Bem, os boêmios escolheram as obras do dia, dos artistas do traço e do pensamento. 

Para gáudio desta palafita, começaram com o mestre Santiago, eterno guerreiro do bem, que há muito não aparecia. 

Santiago que, aliás, se a memória não nos trai, criou um célebre personagem, chamado... Terguino. 

Ao ver a obra, Jucão da Maresia ensopou os olhos, depois endureceu as feições, ao que Silvana Maresia ao notar apressou-se, o abraçando: "O que foi, meu amor, sentiu-se mal?". 

Juca, tentando conter o vulcão do seu coração, como nos disse depois, respondeu apenas, com a voz firme, saindo de embargada: "Vai atrás, mulher". Vá entender.




Em seguida com aquele que, queiramos ou não, é o nauseabundo assunto do momento. Os gritos de "desaloja!" para cima de certo elemento são ouvidos nos universos paralelos. A pedido de Carlinhos Adeva lembramos aos trilhões de leitores que dito espécime é o menor dos culpados, remetendo para os inconsequentes que o colocaram lá. Traremos os nomes amanhã.

Com o "doido" do Benett, da Gazeta do Povo.




Mestre Aroeira.




Mestre Nani.



Outro "doido", William.




Por fim, uma alegria no bar, apesar das tristezas do dia. Com o... deve ser doido, Rodrigo Bernardo, da Folha do Litoral. De leve e sem misturar com remédios, diria Luciano.




Miss Leila já tinha enviado as suas, de "despedida", fulica da cara. Estamos certos de que voltará atrás, é boa e compreensiva.

Com o amigo cearense Newton Silva, "o cara", amado pela palafita e pelo botequim. Mestre.




E com o "maluco" de amor chamado Ykenga. Con permiso dos boêmios, e do autor, aqui na palafita tentamos identificar os personagens da obra. À esquerda, o fel, Augusto Nunes, ídolo da extrema-direita, filhinho rico de prefeito. À direita..., bem, este é só sair às ruas e olhar. Podemos ter errado no primeiro, mas em troca de seis por meia dúzia.






A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que no ano passado se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.