viernes, 31 de mayo de 2013

A turma do Ronaldinho Gaúcho

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ÍNTEGRA DA SENTENÇA

(31.05.13)

Comarca de Porto Alegre

Vara Cível do Foro Regional Tristeza

Avenida Otto Niemeyer, 2000

Processo nº: 001/1.09.0072434-3 (CNJ:.0724341-20.2009.8.21.6001)

Natureza: Cobrança

Autores: Adriano Ricardo de Carli e Vera Maria Erbes

Réus: Roberto de Assis Moreira, Karla Duran de Assis Moreira, Deisi de Assis Moreira

Juiz Prolator: Juiz de Direito - Dr. Alex Gonzalez Custodio


Vistos. Trata-se de AÇÃO DE COBRANÇA ajuizada por ADRIANO RICARDO DE CARLI E VERA MARIA ERBES em desfavor de ROBERTO DE ASSIS MOREIRA, KARLA DURAN DE ASSIS MOREIRA, DEISE DE ASSIS MOREIRA E RONALDO DE ASSIS MOREIRA.


A parte autora informou ter notificado judicialmente os réu em ação nº 107.0207728-7, uma vez que os mesmos se recusam a ressarcir os prejuízos materiais causados aos autores, em decorrência de uma obra que era realizada pelos demandados. Narrou que os demandados realizaram a construção de um muro localizado no fundo de sua propriedade, o qual ruiu, resultando o desabamento não só do muro, como de todo o aterro em direção ao terreno e casa dos autores.

Relatou que o desabamento do muro que dividia os terrenos destruiu as paredes da residência dos autores, além de esquadrias, vidros, telhado, calçada, pintura externa e interna, rede elétrica e telefônica, fossas e esgotos, cercas, ajardinamento, assoalho interno, dentre tantos outros danos ocasionados. Informou que após o sinistro, os autores ficaram aproximadamente 10 dias sem poder habitar sua residência, uma vez que não tinham sido concluídos os trabalhos de limpeza e remoção de entulhos no terreno atingido. Afirmou que a obra realizada pelos réus apresentava-se irregular por carecer de licença edilícia junto aos órgãos municipais e não ter Anotação de Responsabilidade Técnica de engenheiro responsável. Destacou que ainda hoje os autores convivem com os danos causados pelos r éu, tais como entupimento de esgoto, ruído em linha telefônica problemas com a TV a cabo, sistema de gás, e assoalho desnivelado. Requereu a distribuição do processo por dependência do processo nº 001.107.0207728-7, a citação dos réus, a procedência do pedido, a condenação dos réus ao pagamento de indenização/ressarcimento pelos danos materiais no valor de R$ 119.976,68, além de danos morais, custas processuais e honorários advocatícios. Postulou pela produção de todos os meios de provas em direito admitidas. Juntou documentos (fls.17/138). À fls.158/159 a parte ré requereu a desistência da ação em relação ao réu Ronaldo de Assis Moreira, o que foi homologado (fl.160).

Devidamente citados (fls. 148 e 155) os réus apresentaram contestação (fls.168/169). Contestaram por negativa geral a pretensão da parte autora, tornando controversos os fatos alegados na peça preambular. Requereram a improcedência da ação, a condenação do autor ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, a produção de todos os meios de provas em direito admitidas, a concessão do benefício de AJG e a intimação pessoal da Defensoria Pública de todos os atos processuais.

Houve réplica (fls.172/174).

À fls.181/229 foi juntado Laudo Técnico.

Vieram-me conclusos os autos.

É o relatório.


Passo a decidir.

O feito comporta julgamento antecipado, não sendo necessária a produção de outras provas, fulcro no art. 330, inciso I e II, do Código de Processo Civil.

Constata-se a desconsideração e o desrespeito que o dinheiro e fama em excesso podem causar em uma pessoa, mesmo com seus vizinhos, em total descaso, mesmo conscientes de que causaram prejuízos a terceiros, necessitando essas pessoas virem a Juízo buscar a satisfação de seus direitos.

E não é a primeira vez que isso ocorre!

Os requeridos entendem estarem acima da lei e da Justiça, ocultando-se para não serem citados, como bem comprova a certidão do Oficial de Justiça, em Notificação interposta pelos autores, a fls. 109-verso dos autos, em que suspeitava que o Sr. Roberto de Assis Moreira estava ocultando-se para impedir o cumprimento de ordem judicial.

Também não é a primeira vez que isso acontece nesse Juízo!

Em nova tentativa de notificação do Sr. Roberto de Assis Moreira, o Oficial de Justiça certificou a dificuldade de acesso ao condomínio em que reside o réu, com nova suspeita de ocultação, fl. 114-verso, somente sendo notificado na pessoa do seu Procurador, conforme se constata a fl. 117-verso.

Repiso o que afirmei em Sentença anterior com relação a postura e conduta do Sr. Roberto de Assis Moreira: é pessoa tão comum quanto um gari que recolhe os dejetos na frente do Forum! Não é sua condição financeira que determina quando e como ele possa ser citado, intimado ou notificado.

O mesmo se diga de suas irmãs, conforme as certidões dos oficiais de justiça descrevem!

Ressalte-se que essa desconsideração com a Justiça chega ao ponto de ter a família Moreira que ser defendida pela DEFENSORIA PÚBLICA, em razão de não se conseguirmos localizá-los, mesmo depois de inúmeras tentativas, esquivando-se de citações e intimações, como se isso pudesse livrá-lo de responder pelo evento lesivo decorrente do colapso do muro edificado por eles.

Necessariamente os réus terão que efetuar pagamento de honorários para o Fundo de Reaparelhamento da Defensoria Pública, porque é falta de vergonha ser defendido por um órgão destinado a defender pobres, enquanto o Sr. Roberto de Assis Moreira exige para seu irmão uma indenização no valor de 40 milhões de reais junto ao Flamengo, efetivamente com honorários dele incidentes sobre esse valor!

Novamente verifica-se a total falta de preocupação dos requeridos ao deixar transcorrer em branco não somente a sua defesa no presente processo, mas novamente desleixo na condução de obras em sua residência, mormente agora em que causam prejuízo de maior monta a seus vizinhos!

Veja-se que para os requeridos parece que é como se nada tivesse acontecido na ordem do dia, em suas rotinas, como se nada ao seu redor tivesse importância.

Informado pelos autores que o Sr. Roberto de Assis Moreira estaria em Porto Alegre entre os dias 30 de março de 2009 e 01 de abril de 2009, foi devidamente citado, conforme certidão de fl. 148, E MESMO ASSIM CITADO POR TERCEIRA PESSOA ? seu procurador -, DIANTE A EXTREMA DIFICULDADE DE ACESSO À RESIDÊNCIA E OCULTAÇÃO DO RÉU.

Deise e Karla não fogem a regra da Família Moreira, dificultando ao máximo serem intimadas, somente ocorrendo a citação a fl. 155, MAS TAMBÉM POR TERCEIRA PESSOA, CHEFE DA SEGURANÇA DOS RÉUS.

Em sendo a residência do Sr. Roberto de Assis Moreira, os autores desistiram da ação com relação ao Sr. Ronaldo de Assis Moreira, a fls. 158/159, homologada a fl. 160.

Nas citações por hora certa, novamente não foi possível a citação dos requeridos, declarando-os devidamente citados a fl. 167, designando ? POR MAIS ABSURDA QUE POSSA SER - , Curador Especial para suas defesas, na DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RGS.

Aonde chega o cúmulo do descaso, desrespeito e total falta de consideração com os terceiros, e mesmo com o Poder Judiciário, entendendo-se inacessíveis e inalcançáveis os Irmãos De Assis Moreira, como se mantivessem um verdadeiro BARONATO em Porto Alegre, onde somente são encontrados se eles concordarem e quiserem ser encontrados, mormente com exagerada segurança que os cerca, mais do que a própria Presidente Dilma, quando visita seu ex-companheiro e amigo, Dr. Carlos Araújo, vizinho deste Julgador.

Até onde irá esta inversão de valores, por conta do capital, como único e exclusivo mandante dessa sociedade e que norteia os procedimentos da Família Moreira?

O Poder Judiciário não pode se curvar a estes expedientes!

A prova jungida aos autos somente retrata o zelo e dedicação do escritório que patrocina os autores, especialmente os documentos de fls. 194/217, que retratam com extrema realidade fática os prejuízos materiais auferidos pelos autores em sua residência, numa verdadeira enxurrada, que patrolou seu imóvel, como se uma ?tsunami? tivesse passado por ali!

Pouco resta para afirmar sobre o prejuízo material sofrido pelos autores em sua residência, totalmente invadida pela lama e sujeira!

O Laudo Técnico realizado pela Eng. DIVA YARA MELLO LEITE, embora guarde a qualificação de ter sido elaborado de forma unilateral, é descritivo e isento no que se refere as causas do incidente, limitando-se a levantar o sinistro ocorrido, conforme ela afirma, EM RESIDÊNCIA DE ALTO PADRÃO, edificada em quatro pavimentos, QUE FAZ DIVISA COM O IMÓVEL PROPRIETÁRIO DO MURO QUE ENTROU EM COLAPSO.

Registre-se que o muro que entrou em colapso foi o edificado pelos requeridos!!!

O Laudo, a fls. 186/188, descreve as avarias ocorridas no imóvel do autor, em decorrência da negligência dos requeridos, evidenciando que o sinistro quase inviabiliza a moradia (de alto padrão), causando grande estrago, os quais são devidamente ilustrados pelas fotografias anexadas, fls. 194/217.

Veja-se que o valor total do prejuízo material para conserto da residência e colocação dela no estado anterior ao incidente totalizou R$ 85.182,00 (oitenta e cinco mil cento e oitenta e dois reais), na data de 30 de maio de 2007.

O próprio Condomínio do Lago emitiu Parecer, fl. 100, em que exigiu providências da Família Moreira acerca das condições do muro que entrou em colapso e causou prejuízos aos condôminos.

Ressalte-se que o muro servia de arrimo, de escora, para uma área que foi nivelada (levantada) para comportar a colocação do campo de futebol da Família Moreira. Por isso, quando do colapso do muro, houve a transposição de grande quantidade de lama, areia e terra para o lado da residências dos autores, conforme demonstram as fotografias de fls. 195/199, causando os prejuízos internos, fls. 200/213.

O MURO EDIFICADO ERA TOTALMENTE IRREGULAR E ILEGAL, ausente autorização da municipalidade e sem anotação de responsabilidade técnica. Coerente com a formação e instrução dos requeridos, como se tivessem edificado um "puxadinho" na residência.

As tentativas de solução amigável foram traduzidas pela Notificação Judicial, sem sucesso.

Assim, tenho por comprovada a saciedade a responsabilidade civil dos requeridos, não somente pela responsabilidade em razão da propriedade sobre o muro colapsado, mas também pela culpa in vigilando, ao edificarem muro de contenção, ou de arrimo, sem as qualificações e exigências técnicas que se faziam necessárias, mormente quando serviria de apoio para colocação de grande quantidade de terra e areia para manutenção do campo de futebol da Família Moreira.

Verifica-se a altura do terreno dos requeridos com relação à residência dos autores, imaginando o desespero de ver toda aquele terra desabar em direção não somente ao seu terreno, mas sobre a edificação residencial.

Inconteste a culpa dos requeridos pelos prejuízos materiais sofridos pelo autor, nos valores indicados pelo Laudo Técnico, o qual deverá ser corrigido pelo IGPM e juros de 1% ao mês a contar da do evento lesivo.

No tocante ao pedido de indenização pelos danos morais, estou convicto de sua procedência, mormente examinando as fotografias escaneadas, que compõe o Laudo Técnico, imaginando, repiso, o desespero dos autores ao verem tamanho estrago em sua residência, e mais ainda depois do desleixo e total falta de consideração dos requeridos para com o sinistro, como se nada tivesse acontecido.

Sergio Cavalieri Filho, em seu livro Programa de Responsabilidade Civil, sustenta:

"O dano moral está ínsito na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a concessão de uma satisfação de ordem pecuniária ao lesado. Em outras palavras, o dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa, ipso facto está demonstrando o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das regras da experiência comum.??

Como bem afirma Cavalieri Filho, e repiso, ... o dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa, ipso facto está demonstrando o dano moral à guisa de uma presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das regras da experiência comum.

Flagrante a existência do fato lesivo e a responsabilidade dsos requeridos, o que determina, diante da prova da ofensa, totalmente procedente o ressarcimento do dano moral.

O Estado tem como um dos fundamentos de sua existência o dever de zelar pelo bem estar de cada um de seus cidadãos, e, sendo assim, tem o dever de garantir o bem comum a acontecimentos que ofendem a integridade e dignidade individual, insculpido no art, 5º, inciso XXXV ? da CF ? em que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

O dano moral fere a integridade, o senso de preservação, o sentido de dignidade, a auto-estima e valores de justiça e bom senso do indivíduo e, por isso, determina a possibilidade de reparação ao ofendido, na proporcionalidade dos prejuízos sofridos. Como dizia, quando na ativa, o Des. Décio Antônio Erpen, a indenização ao mesmo tempo significa a eliminação do prejuízo e das conseqüências, e também uma penalidade ao ofensor, algo que não é possível quando se trata de dano extra patrimonial.

A reparação faz-se através de uma compensação imposta àquele que deve reparar a vítima pela perturbação sofrida, assim como é punição, no sentido de advertência, ao agente ofensor, para que no futuro proceda com maior diligência.

O pedido de indenização tem fundamento não objetivar ao requerente um enriquecimento ilícito. A fixação da reparação do dano moral deve ficar a arbítrio dos Juízes, que devem levar em conta as situações do caso concreto. Desta forma, observa-se a jurisprudências abaixo:

DANO MORAL. QUANTIFICAÇÃO. O DANO MORAL DEVE SER FIXADO EM VALOR QUE SIRVA, TANTO AO OBJETIVO REPARADOR QUANTO AO PUNITIVO, A FIM DE COIBIR O OFENSOR A REINCIDÊNCIA NA PRÁTICA LESIVA. ADEMAIS, O QUANTUM FIXADO PELA REPARAÇÃO DO ABALO MORAL, NÃO DEVE CAUSAR O ENRIQUECIMENTO INJUSTIFICADO DAQUELE QUE RECEBE, NEM O EMPOBRECIMENTO DEMASIADO DE QUEM DEVE PAGAR. APELO PROVIDO APENAS PARA REDUZIR O VALOR DO DANO MORAL. (TJRS, Apelação Cível nº 598529857, 5ª Câmara Cível, , Dês. Relator Marco Aurélio dos Santos Caminha).

Assim, totalmente procedente o pedido de indenização pelos danos morais.

No que diz com sua quantificação, como bem retratado no acórdão acima colacionado, o quantum fixado pela reparação do abalo moral, não deve causar o enriquecimento injustificado daquele que recebe, nem o empobrecimento demasiado de quem deve pagar.

Inconteste a capacidade financeira dos requeridos, bem como a condição dos autores, residentes em condomínio de alto padrão. Os próprios requeridos residem em imóvel de alto padrão!

Entendo que o valor pretendido pelos autores, fixado em 200 (duzentos) salários mínimos como mínimo para cada um dos autores, em princípio, poderia estar de acordo não somente com os transtornos sofridos por ambos, bem como pela condição dos requeridos de arcar com esse ressarcimento e que efetivamente pudesse lhes servir de "ADVERTÊNCIA E PUNIÇÃO", não se podendo falar em 30 ou 60 salários mínimos, que para a Família Moreira seria o mesmo que dar um "troco" aos autores.

Todavia, não é a primeira vez, e tenho convicção de que não será a última, em que a Família Moreira se entenda melhor do que os outros simples mortais.

Entendo, como retro referido, que os valores para servirem de alerta e penalidade à Família Moreira devem em patamares maiores, para que efetivamente possam enxergar mais além da fama e do glamour de seus filhos, bem como para entenderem que devem ser mais zelosos com seu patrimônio, mas especialmente mais zelosos no trato com as pessoas, fazendo-lhes ressaltar que os valores e princípios de humanidade e solidariedade estão acima do lucro, do dinheiro, do patrimônio, da fama pessoal e do glamour.

Dessa forma, entendo que o valor da indenização pelos danos morais deva ser fixado em 300 (trezentos) salários mínimos para cada um dos autores, o que importa em um valor de R$186.600,00 (cento e oitenta e seis mil e seiscentos reais) para cada um dos autores, totalizando um valor de R$373.200,00 (trezentos e setenta e três mil e duzentos reais) .

ISSO POSTO, JULGO PROCEDENTE o pedido constante da inicial para o fim de DECLARAR que os requeridos são os responsáveis pelo sinistro ocorrido no muro divisório de seu imóvel com o imóvel dos autores, por responsabilidade em razão da propriedade sobre o muro colapsado, mas também pela culpa in vigilando, ao edificarem muro de contenção, ou de arrimo, sem as qualificações e exigências técnicas que se faziam necessárias, mormente quando serviria de apoio para colocação de grande quantidade de terra e areia para manutenção do campo de futebol da Família Moreira e CONDENAR os requeridos, de forma solidária, ao pagamento de indenização pelos danos materiais no valor de R$ 85.182,00 (oitenta e cinco mil cento e oitenta e dois reais), com correção monetária pelo IGPM e juros de 1% ao mês a contar da data de 30 de maio de 2 007, data da assinatura do Laudo Técnico, bem como CONDENAR os requeridos, de forma solidária, ao pagamento de indenização por danos morais, os quais fixo em 300 (trezentos) salários mínimos para cada um dos autores, o que importa em um valor de R$186.600,00 (cento e oitenta e seis mil e seiscentos reais) para cada um dos autores, totalizando um valor de R$373.200,00 (trezentos e setenta e três mil e duzentos reais), com correção monetária pelo IGPM e com juros de 1% ao mês a contar da intimação para pagamento da indenização.

CONDENO os requeridos, de forma solidária, ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, os quais fixo em 10% incidentes sobre o valor total da condenação, fulcro no art. 20, § 3º, do Código de Processo Civil.

Publique-se.

Registre-se.

Intimem-se.

Alex Gonzalez Custodio, Juiz de Direito

jueves, 30 de mayo de 2013

O Brasil e o Pacífico

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Por Mauro Santayana, no JB


Não foi uma caminhada fácil, nem se iniciou ontem, mas o Brasil deixou para trás a situação acanhada, quando, de tempos em tempos, nossos ministros da Fazenda viajavam aos Estados Unidos, de chapéu na mão. A dívida externa nacional, sempre acumulada, pelos juros brutais, tinha que ser “rolada” de maneira humilhante. Os que procuraram escapar ao “contrato de Fausto com o diabo”, conforme Severo Gomes, sofreram a articulação golpista comandada de fora, como ocorreu a Vargas, a Juscelino e a João Goulart.

Livramo-nos, durante o governo Lula, do constrangimento de abrir a contabilidade nacional aos guarda-livros do FMI, que vinham periodicamente ao Brasil dizer como devíamos agir, em relação à política fiscal ou na direção dos parcos investimentos do Estado. Ainda temos débitos com o exterior, mas as nossas reservas cobrem, com muita folga, os  compromissos externos.

Não obstante isso, os nossos adversários históricos não descansam. Ontem, na cidade colombiana de Cali, os governos do México, do Chile, da Colômbia e do Peru se reuniram para mais um passo na criação da Aliança do Pacífico — sob a liderança dos Estados Unidos e da Espanha — claramente oposta ao Mercosul. O Tratado que reúne, hoje, o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o Uruguai — e que deverá ampliar-se ao Paraguai e à Bolívia — representa poderoso mercado interno, com um dinamismo que assegurará desenvolvimento autônomo e relações de igualdade com outras regiões do mundo.

Os norte-americanos, em sua política latino-americana, agem sempre dentro do velho princípio, que Ted Roosevelt atribuía aos africanos, de falar mansinho, mas levar um porrete grande. Ainda agora, preparam uma recepção de alto nível para a chefe de Estado do Brasil, que visitará Washington, em outubro — e será recebida com todas as homenagens diplomáticas. Ao mesmo tempo montam o esquema de cerco continental ao nosso país.

Sendo assim, foi importante a visita que fez anteontem a Washington o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, a convite do Instituto do Brasil, do Centro Woodrow Wilson, e do US Businness Council. O parlamentar, exibindo números bem conhecidos em Washington, mostrou que o Brasil deixou de ser país em desenvolvimento, para tornar-se uma potência consolidada. Ele argumentou que o Brasil é investidor importante na economia norte-americana, e, embora não o tenha feito, poderia lembrar que somos o país que tem o terceiro maior crédito junto ao Tesouro dos Estados Unidos.

Os espanhóis que, em troca do tratamento privilegiado que lhes damos no Brasil, tratam de nos prejudicar, estão exultando com a Aliança do Pacífico. No entender de seus analistas, a nova organização vai sufocar o Mercosul. Ainda que alguns de nossos parceiros estejam encontrando dificuldades ocasionais, a pujança conjunta supera, de longe, a economia dos países da Aliança. A economia mexicana depende de empresas norte-americanas, que se aproveitam de seus baixos salários e outras vantagens para ali montar seus automóveis e “maquiar” outros produtos.

A força da economia brasileira, na indústria de porte — em que se destaca a engenharia de excelência na construção pesada — reduz a quase nada a importância dos países litorâneos do Pacífico, em sua realidade interna. Os Estados Unidos os querem no Nafta, e é provável que consigam esse estatuto de vassalagem. Nós, no entanto, não podemos deixar os nossos vizinhos da América do Sul isolados, em troca de uma parceria com Washington que de nada nos serve.

É hora também de dar um chega pra lá com a Espanha de Juan Carlos, Rajoy e Emilio Botin, o atrevido presidente do Banco Santander, que consegue ser recebido no Planalto com mais frequência do que alguns ministros de Estado. O Brasil deve manter as melhores relações diplomáticas com os Estados Unidos, desde que as vantagens sejam recíprocas. Mas se, ao contrário deles, não levarmos o big steak, estaremos advertidos de que “os Estados Unidos não têm amigos: os Estados Unidos têm interesses”, conforme a frase atribuída a  Sumner Welles e repetida depois por Kissinger.
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martes, 28 de mayo de 2013

O que é isso, Fernando Gabeira?

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Anteontem o vi. Muito estranho o seu proceder, seu Fernando Gabeira. Eu achava que a idade não o envileceria. 

O que foi fazer lá? Com a idéia infantil de que há de se compreendê-los, convencê-los em humanidade? Pobre Fernando. São inumanos. Vá lá que sejam fortes com a ralé abaixo do morro do Nome da Rosa, trocando restos por bundas, a pau, mas, a gente... A gente os conhece desde as cavernas. Não mudam. A idéia era resistir, lembra?

Pensei que foste ao escárnio em rede nacional para resistir, mas qual o que...

Do outro lado, um letrado de direita que a cada sete grunhidos ou menos um era "eu". Só rindo, que eu, meu? Luiz Pondé, escarrando clichês, leu apenas cem livros, todos dirigidos ao seu ambiente de criação que nunca foi às ruas, às noites de sofrimento, e se achando o cara, ah, como é bom ter grana no banco, familiar, professor não ganha tanto apesar de eventual quem indica, família boa, malandro, como é bom abraçar ursinho de pelúcia enquanto alguns eisteins morrem de fome em vilas de miséria. Desfaz do que não leu, como se tivesse lido, recusa o que não pensou.

E você ouvindo, feito trouxa, abismado, aquelas bobagens.

No programa da notória Rede Band, que sabemos do que e a que vem. 

O Sr. Mitre consta como chefe daquele lodo, mas quem escolhe os entrevistados? Sr. Mitre, o senhor mal consegue dissimular, ou o desconforto ou o fato de não estar entendendo nada do que se passa. 

Mas, tu, Gabeira, o que foi fazer lá, subscrever os clichês extremosos do suposto pensador? Por quê?

Alguém venderia a mãe se lhe torcessem o braço? Talvez, porém a mãe dele é outra, quiçá uma babá, diferente da  outra que passamos horrores, venderia não.

Para subscrever o que o homem entende de mulheres é que não foste, talvez entenda de paquitas velhas, no seu dizer. Ah, mulheres, as viu cheias de jóias, criaturas perfeitas em futilidades, elegantes de nascença, quanta segurança de ouro mal havido, o pai, o muito no banco, despreocupadas, gentis... umas múmias de palácios, que devem ter a quem puxar. 

Ou terias comparecido para agradar a Avenida Paulista? Perda de tempo, meu caro, salvo se pretendes te converter às suas cartilhas.

Tu viu o lindo filhinho de pápi e do perverso sistema assumir Aristóteles, o defensor da escravidão - nisso está vencido em parte - também, 2.335 anos... e na sua urgência de preparar dirigentes de elite, isto é, os filhos deles, iguais a eles, viste? Por mais cuidado que o professorzinho tenha tomado, está na cara. 

Disse na tua cara. E ficaste quieto, meu chapa.

Francamente, o que é isso, companheiro?

Hoje me dói repetir o de sempre, que así pasan los dias e nada muda. Dava para acabar com o suposto pensador em dois minutos, sem levantar a voz como ele levanta em trejeitos e falsetes de guru. Guru para os iguais a ele, ou as negras dele, ou o que seja.

Aristóteles, na parte que eles leram, não dá nem para a saída, depois que a história registrou Hitler.

A gente ainda pensa em Sócrates.

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sábado, 25 de mayo de 2013

Ríe, chinito

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Contribuição de Maria Eugénia, em homenagem aos nenês de todo o mundo, dádiva e esperança. 

A turma aqui da palafita aproveita e dedica aos seus, Miquirina Segundo para Angola, Kafil M'Oba para a Tanzânia, Aristide Neptune para o Haiti... ah, meio mundo. Por mi parte, hoje vai para a epidérmica estudiante Natividad, luz dos meus olhos castanhos.

Mira la luna mi niña y se acuna, que es larga la noche y claro el camino.

Joaquim Barbosa e o arcebispo de Porto Alegre, n'A Charge do Dias

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Clóvis Baixo, na ponta da mesa, diz:

- Amigos, ontem me contaram uma piadinha de salão...

- Pronto, lá vem ele com piada velha e fria -, diz, como sempre, Carlinhos Adeva.

Clóvis faz que não ouviu e continua:

- O sujeito, camisa esporte, calça de brim e tênis, entra no consultório médico levando os exames de sangue. O doutor os examina e vê que está tudo bem, nada da possível causa da eventual depressão, aquela insônia, parece febre, que abala o vivente. Aí o drácula que detesta cubanos, querendo justificar o preço da consulta, 300 paus, se mete a psicológico: "Bem... vejamos..., quantas vezes por mês o senhor faz sexo?". O homem tem um sobressalto, pela pergunta assim tão íntima. Tartamudeia, depois diz: "Bem, com mulheres, né? No total, quatro, uma por semana". O médico se acende, cheio de razão: "Talvez esteja aí a razão das suas insônias e tristezas. Eu faço duas vezes por semana, às vezes mais". O sujeito pensa um instantinho e responde: "Certo, mas considere que o senhor é médico, e eu sou o arcebispo de Porto Alegre".

Putz, e eu aqui me prestando a reproduzir essas bobagens.

Leilinha liberou geral as charges, para compensar o dia de ontem e pela presença de Maria Eugénia. 

Os boêmios elegeram as seguintes obras, pelo ritual de sempre (duas urnas, a primeira obra escolhida é retirada de concurso, etc e tal):

Ronaldo, de Récife, levou a turma ao delírio. O filósofo Aristarco de Serraria queria saber se o Joaquim tem mais cadeiras e sofás em casa, que a turma o visitaria para assistir e torcer ao seu lado e pelo seu lado, se preciso levando uns banquinhos mochos, meio boi sacrificado a las 5 da matina, uma ovelha idem, e o barril de chope. Os barris, corrigiu Tigran Gdanski.



Para elegerem mestre Aroeira (RJ) foi um abraço. Aqui, bem..., deixa pra lá. Deixa pra lá mas o Contralouco votou contra, queria reservar a obra para a série Os Filhos da Puta.



E... de novo Aroeira, hoje só dá Aroeira. A benção. Bruno Contralouco novamente votou contra, pela razão já explicitada.



Ufa, respiraram aliviados ao emergir da urna o mestre Geraldo Passofundo, enfim um gaúcho. Com o seu já célebre eleitor brasileiro.




E a urna de lá revelou outro cara que é ídolo dos empinantes. O Contralouco de novo, vocês sabem.

Ele, Paixão, do Paraná.





E a de cá deixou-os espantados (por alguma razão essa palavra me agrada, espanta-me com algo que não sei definir), pois de novo Paixão. Idem o Contralouco. A turma entrou numa que, definitivamente, o Bruno é do contra, como expressou Jezebel do Cpers.



Maria Eugénia, agora Mareu do Mato posto que mudou-se para uma pequena cidade gaúcha (3 mil hab), epa, pequena e linda, de povo hospitaleiro como é de lei, usou da honra concedida pela coordenadora e escolheu uma a solas.

Nani (RJ). O Contralouco se remexeu na cadeira, inquieto, mas calou-se em homenagem à Mareu.




Miss Leilinha abraçou ao Simanca, da Bahia. O Contralouco mordeu um palavrão e se foi lá para os fundos, oferecendo a sete livre e a saída para quem topasse sinuca a dez paus.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

No rodízio, Bruno segue dando título à coluna. Títulos que por regra, para nosotros aqui de poucos neurônios, nada têm a ver com as calças, que Deus nos ajude e nos perdoem os trilhões de leitores. Salve, irmãos de Angola! Salve, amigos do Burundi!

jueves, 23 de mayo de 2013

Bahia, mas bah... Se o Boris morrer vem outro, n'A Charge do Dias

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Mas bah! Bahia, terra da felicidade... Recebemos agora, por carta eletrônica, intensas indignações, por uns, alegrias, por outros, da Cidade Baixa de Porto Alegre. 

Se a coisa aí em Salvador, morena eu ando louco de saudade, está tão buena, seu Sid, aqui na nossa Cidade Baixa não é assim, escreveu Wilson Schu. Na ausência momentânea de Lúcio Peregrino (estavam pelo noti da Leilinha), ninguém entendeu. Mas saíram pela Cidade Baixa, a morir, braços abertos. Tema funesto, mas fazer o quê. Negrote e Meméia mandam abraços à Cidade Baixa daí.





E elegeram a obra do Nani.




E... outra do Nani. Só dá Nani. Como a anterior, sobre filhos da puta.





Silvana Maresia, em lugar de Leila, abraçou ao Zop. Só dá Zop. Voltando ao tema que vai da mentira da tevê, com o viado velho do CCC cuspindo fedentinas de ódio, à hipocrisia das chamadas instituições. Ao terrorismo.







NE: O Sr. Bruno Contralouco retornou à função de dar título ao material enviado pelo botequim, isto é, dar título à coluna A Charge do Dias. Miss Leilinha Ferro o suspendeu há poucos dias, porque os títulos dados pelo boêmio nada tinham a ver com as calças. Ele cantou à Leilinha: Se você jurar, que me tem amor, eu posso me regenerar, mas se é, para fingir, mulher... A menina o ouvia de boca aberta, rindo. Mas jurou renegeração. Enfim, repetimos o que dissemos quando foi empossado pela primeira vez: seja o que Deus quiser.

Por falar no querido amigo, consta que chegou de volta ao bar à tardinha, depois que os amigos já haviam eleitas (epa) as obras do dia, enfim, as escolhas em votação na urna do bar. E veio alegre, afirmando com aquele olho amarelo de crocodilo que médico hijo de papi é bom frito. Eia! Nem frito, dizemos nós, o povo da palafita que deveria se manter silente.
Ninguém contestou, não convém contrariar.

Um dia como nunca outro igual

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Às dez da manhã Bruno Contralouco sorve o seu primeiro gole de dyabla verde. Quieto, pensativo. Um silêncio preocupante, está assim desde que chegou, no começo a tigrada ficou de pulga na orelha, mas logo o ignoraram, passando cada um a cuidar dos seus afazeres, suas conversas, estava na cara que hoje o Contra não iria matar nenhum pastor, salvo se o provocassem por passar no Beco do Oitavo, essa rua para eles é proibida, os boêmios proibiram, uma ditadura, fazer o quê. 

Olhando bem perceberam as feições amenas, por vezes seus olhos se iluminavam com algo pensado, pensar ou recordar é viver, todos sabem, só não arriscaram perguntar a razão da paz de espírito do irmão de vida. 

Subitamente, ele fala devagar:

- Vocês sabem que dia é hoje?

Silêncio. 

Clóvis Baixo tira a cara de trás do jornal e arrisca:

- 23 de maio, ora...

Jussara do Moscão dá sua contribuição:

- Nome de rua...

- Sim, estão certos, mas não, meus amigos, reflitam. Dou outra pista: 23 de maio de 2013 (disse 2013 separando as sílabas).

Luciano Peregrino acelera as buscas nas manchetes de jornais pelo notibuc, pensando putz, algo sério deve ter ocorrido e só o Contra é quem sabe, em casa nunca desliga o rádio da rádio Universidade. 

Luciano encontra políticos roubando, polícia matando pobre para proteger banqueiros que elegem os políticos, a puta do show-"realidade" chupando um filho de empreiteiro da política, banqueiros rindo com lucro de um bilhão por mês, o Lula mentindo, um filhinho de um desses incendiou um morador de rua para se divertir, os nazistas inconsoláveis pela perda de poder... Nada de novo, só noticiam o excremento da humanidade. Tudo na mesma. E agora?

Silêncio.

Passados quinze minutos, o Bruno Contralouco ainda pensativo, rosto molinho, olhando para a parede como se visse o infinito para além de um mar azul, doutora Jezebel não se aguenta:

- Tá bom, ninguém sabe, diz logo.

O Contra com dificuldade sai do seu gostoso torpor e responde, calmamente:

- Ora, é 23 de maio de 2013. Quando teremos um dia igual? Nunca mais, meus amados. O próximo só em 2014, e não será igual, isso se lá adiante estivermos vivos para a comparação. Então deixem de frescura, larguem desses refris e peçam uma bebida de adulto, hoje preciso de afetos que brindem comigo, à minha sorte e ao meu reencontro com Dolores Sierra. Eu penso nela, desta vez será diferente.

Jussara ainda perguntou como e o Contra falou que iria empedrar da porta para fora, amigo não existe, e da porta para dentro do quarto ela iria ver, vai se soltar... Jussara o interrompeu dizendo que precisava ir ao banheiro, no caminho o ouviu: moscona. O Gustavo Moscão ria.

Tal foi o jeito do Bruno, o modo sofrido de dizer, a ternura da sua voz, que todos pediram um trago ao Terguino. No primeiro momento alguns pensaram em mandá-lo para aquele lugar, ora, todo dia é assim, seja dia 7, 12, 23 ou 26, porém a elevação dos sentimentos, o fugidio pensamento de que amanhã poderemos ter morrido, mais a alusão a Dolores Sierra - esta foi fatal - lhes deu a compreensão de parte do que se passava no coração do amigo.

Cícero do Pinho, o menino bonitão e talentoso em cordas, amado pelos boêmios, que tomava uma água sozinho na mesa 1, teve um sobressalto, logo se virou para o outro lado para secar os olhos sem que alguém visse, o que não escapou aos olhos da Zilá do nego Janjão. Ela saiu da mesa 2 e lhe passou as mãos nos cabelos, sussurrou:

- Não se preocupe, tá tudo bem, ninguém viu.

Ele se recompôs, firmão, e disse, já se voltando para o Contralouco lá da 5:

- Obrigado, dona Zilá, mas quero dizer que hoje aprendi uma coisa. Eu amo a Maria Lúcia, a filha daquele velho chato ali da Olaria. E não vou esperar amanhã para dizer isso a ela. Vou começar parando na frente do velho seu Gildo, o senhor me desculpe por aquela vez, eu era muito piazinho, a maconha não era minha, eu sou bom, não vou decepcioná-lo nunca mais. Se eu tiver que sofrer, vou sofrer agora, o amanhã é hoje.

E saiu dizendo lhe pago a água na volta, seu Terguino.

Logo estavam brindando, tintim, à saúde e ao amor do Bruno. 

Aristarco, o boêmio da síndrome circular, tudo gira ao seu redor, sentiu as cadeiras, mesas, as pessoas, tudo, voando em torno de si, logo o prédio, o quarteirão, se embaralhou, ele que nas vagas dos dias que lhe cruzaram o cérebro havia pensado num pesado número 7 de espadas, mentalmente trocou o naipe, para copas. E ergueu a sua taça, pegando-a no vôo.

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Nota do Editor: O contador de estórias, por incompetente e por contá-las correndo, sempre apressado, não capta o melhor dos pensamentos dos 16 viventes presentes no bar naquele momento único, se as capta não diz, mas lembra de dizer que naquele bar menores de 30 e maiores de 60 não bebem, os boêmios não permitem, salvo em festividades. Uma ditadura, fazer o quê. Falar nisso, tem festa no dia 1º de junho, daquelas de durar dois dias, os de 21 a 30 poderão se emborrachar, de leve.

Post Scriptum: O falacioso e incompetente escriba também não disse que em certo momento Luciano falou: "Gente, me vejo caminhando de mãos dadas com Dolores Sierra na praia Aqui, me lembrei de Masachapa, é de manhã, a gente de branco, caminando na areia. Sei lá, daqui a pouco vocês vão dizer que me abichornei, droga, me deu vontade de chorar". 

Consta que nesse exato momento houve uma comoção no planeta, começando pelo sul da Ásia, invadindo rios e rios a partir do Ganges, a seguir tomando a África inteira: todos os crocodilos despertaram, olhos acesos, o amarelo da pupila avermelhou, e começaram a se movimentar. Quem salvou o mundo foi Juanito Diaz Matabanquero, fino como só, que ao chegar no botequim ouviu e disse em portunhol: "No llore, hermano Luciano, por favor, tus lágrimas podrán repercutir...". Ufa.






miércoles, 22 de mayo de 2013

Artífices da escuridão, n'A Charge do Dias

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Os boêmios abriram as escolhas em alto estilo, com o mestre Santiago. Vai para a parede do Botequim. A doutora Jezebel do Cpers ficou um tempão pensativa, depois disse: 

- Com o perdão da palavra, amigos, mas não sei onde andamos com a cabeça que não esganamos esses filhos da puta, artífices da escuridão".

- Eta povinho -, disse o Contralouco, mudando o alvo.

- Eta mundinho -, sentenciou Aristarco.



Depois escolheram a obra do Ykenga. Ultimamente só dá Ykenga. A propósito da obra, Luciano Peregrino leu o que disse Dora Kramer hoje no Estadão: 

Nua e crua. O presidente do Supremo disse que os partidos no Brasil não têm nitidez ideológica nem programática. Não guardam relação de identidade com o eleitor, não são por ele reconhecidos como representantes de correntes de pensamento. Verdade.
Joaquim Barbosa afirmou que a maioria dos projetos de lei não é iniciativa do Poder Legislativo, cuja submissão ao Executivo expressa sua debilidade. Verdade.
O ministro declarou em palestra aos alunos do Instituto de Educação Superior de Brasília que há problemas graves no sistema representativo brasileiro. Verdade.
Foi alvo de reação indignada no Congresso e, segundo alguns parlamentares, as palavras de Barbosa não contribuem para o "fortalecimento das instituições". Questionável.
É de se perguntar se negar a realidade contribui de alguma forma. Não seria de se esperar que o Parlamento reagisse de outra maneira. Até porque aceitar o que foi mais que uma crítica (uma constatação óbvia de conteúdo inquestionável) obrigaria suas excelências a sair da defensiva e partir para uma ofensiva de reconstrução do sistema político, partidário e eleitoral do País. 

Na pinha, Doramaria.




Também escolheram a obra do Sid.




Miss Leila Ferro ficou com o Edgar Vasques.





Em razão de seu aniversário, que esta noite incendiará o Beco do Oitavo, a profa Silvana Maresia teve direito a uma escolha a solas. Abraçou ao Genildo.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

Charles Aznavour, 89

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Neste 22 de maio o parisiense de origem armênia completa 89 anos. Que permaneça ainda muito tempo entre nós.


martes, 21 de mayo de 2013

Perfídia (15) - Nat King Cole

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Pela 15ª vez no blog, o clássico de Alberto Dominguez (Alberto Dominguez Borrás, San Cristobal de las Casas, Chiapas, Mexico, 21/abr/1911 - 2/set/1975), composto aos 28 anos, em 1939. A canção mais tocada no mundo em todos os tempos.

Hoje o intérprete é o unforgettable norte-americano Nat King Cole (Nathaniel Adams Coles, 17/mar/1919 - 15/fev/1965), Nat que partiu prematuramente, prestes a completar 46 aninhos, de tanto fumar.


Reunião de bacana, n'A Charge do Dias

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Os companheiros do Botequim escolheram as seguintes obras:

Ykenga. Ô pegada!




Edgar Vasques.



Nani. Desnecessário dizer que a turma em peso é a favor da vinda de médicos estrangeiros. Se os nossos não querem trabalhar em vilarejos e pequenas cidades deste imenso Brasil, haverá quem queira. A escolha desta obra deu-se por unanimidade, com a ressalva de Gustavo Moscão: "Não entendi bem a obra do seu Nani, mas acompanho os companheiros, tendo boteco é o que me basta".




Miss Leilinha Ferro abraçou ao Newton Silva, com a sua Bullying.



Leilinha devia a Aristarco de Serraria uma escolha a solas (andou viajando, o boêmio). Ele emendou também com o sensacional Newton Silva, com a sua Bolsas e Bolsos.




A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.