martes, 31 de julio de 2012

Paulinho da Viola, Chico Malfitano e Pandiá, Mente ao meu coração

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A composição é de 1938, dos boêmios Francisco Malfitano (que hoje estaria de aniversário: Rio, 31/7/1915 - 24/1/2011) e Pandiá Pires.

Aqui com Paulinho da Viola.

Andressa Cachoeira

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Mui amigo, n'A Charge do Dias

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Os boêmios do Beco do Oitavo, com a permissão da coordenadora Leila Ferro, abriram os trabalhos homenageando, fora de concurso, ao Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS), segundo artista a registrar o histórico acontecimento; o primeiro foi o Miguel, ontem.




Depois, caipirinha de vodka correndo, os mandriões se dedicaram a assistir os jogos olímpicos no buteco. Volei, ginástica, natação, basquete, de tudo um pouco, trocando de canal a todo momento, quando surgiam homens na tela. Jogos, no Beco, só femininos.

Naturalmente, o desempenho das artistas dos jogos eram seguidos de comentários sobre, digamos, as medidas certas para que tenham obtido ou não bons resultados.

Gustavo Moscão: "Notaram que as nadadoras não têm peito? Umas tábuas".

Lúcio Peregrino, referindo a uma atleta do volei: "Deus meu, olhem a bunda daquela sueca, se eu tivesse uma bunda daquelas eu me comia todos os dias".

Jezebel do Cpers: "Pára de dizer besteiras, Lúcio, que coisa!". Depois, olhando para a Jussara do Moscão: "Não entendo como a gente tolera esses caras deslavadas".

Tigran Gdansk chegou todo reclamão: "Essa droga de Olimpíada tem até cuspe em distância, estrondo de peido, mas não tem xadrez. Viram hoje, o gênio norueguês, o Mozart do xadrez, Magnus Carlsen...".

Pediu um liso ao Portuga.

Nicolau Gaiola: "O que tem o Carlsen?"

Tigran: "Hoje, em Biel, ao bater Bologan, o rating do guri saltou para 2.847, quatro míseros pontinhos abaixo do maior já alcançado no mundo, do Kasparov, de 2.851. Só que o Kaspa atingiu a sua marca aos 35 anos de idade, e o Magnus tem somente 21, é pra já que vai ultrapassar". 

Um brinde ao Magnus. Mais tarde reconstituirão a partida no tabuleiro maior. E voltam a ver as pernas das moças.

A escolha do dia recaiu sobre a obra do Bira. Um tal de Policarpo, famoso jornaleco, e seus milhares de defensores, foram muito comentados no bar, "embora isso não vá apagar o mensalão", como esclareceu Carlinhos Adeva, o nobre advogado da turma que diz preferir cortar os pulsos a ser ministro do STF.





Hoje se soube a razão de os empinantes do Botequim do Terguino terem saído ontem pela manhã, após escolherem às pressas a Charge do Dias.  Estavam seguindo um caminhãozinho com alto-falante, que no dia anterior havia estourado os tímpanos da moçada, aos gritos de Votem no Fulano. Agora sabem de onde saiu, onde dorme, quem dirige, todos os dados. O Contralouco quer explodir o veículo. Os outros também.

Só o filósofo Aristarco de Serraria, como sempre lúcido, é que defende a explosão sem ninguém dentro, ponderando: "Precisamos pegar é o candidato, esses pobres coitados são cabos eleitorais pagos".

Escolheram a obra do cearense Newton Silva.



Miss Leilinha Ferro a solas ficou com o Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR). Leila enviou a sua escolha com um breve comentário: "Só porque sou muito nova os pinguços não me dão bola, tio Salito, mas para mim nesse negócio não tem amizade, tem é grana mesmo". Pois é, Leilinha, vá se saber. 



Os cabarés de Brasília (1)

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Aquele 6 de maio transcorreu gris em Palmeira dos Ervais. João da Noite estava inquieto desde o raiar do dia. Não era o frio que o incomodava, e sim a solidão diante dos podres poderes. No meio da tarde, sozinho na obscuridade do casebre, abriu a última garrafa de conhaque. Fumando cigarrillos negros bebeu metade.

Ao entardecer saiu a esmo pelas ruas desertas e molhadas da cidade, o vento arrastando papéis e galhos, dobrando árvores. Seguiu sem rumo, com o chapéu puxado sobre os olhos e com a meia garrafa por dentro do poncho. Já noite fechada, sentou-se na escuridão de um banco da praça central. Enquanto bebia em pequenos goles, refletia: “Já fiz tudo o que poderia fazer aqui, já li todos os livros da biblioteca pública, e agora ainda sem emprego, tolerando os filhotes da ditadura...”. Quando percebeu a garrafa vazia, virando-a de ponta para baixo, estalou na mente a única alternativa: “Vou fugir”.

Levantou-se decidido a abandonar os que na verdade, pensava, nunca foram seus.

Aqui é que começa esta triste história. Como João não tinha para onde ir, passou no quarto que habitava, pegou as poucas roupas que possuía, o livro sobre técnicas de guerrilha do Guevara, e foi para a zona do meretrício. Em Brasília seria bem recebido, mantinha boas relações com o Padrinho e com o Zé Careca, bem como era conhecido de todos os habitantes por graças da sinuca e do futebol, haveriam de lhe arranjar um lugar por algum tempo.

A zona, ou Brasília, se diz filha da cidade localizada nos confins do Planalto Central brasileiro, o nome é em sua homenagem. Distava pouco mais de um quilômetro de Palmeira, no cimo de um morro, para se chegar lá era preciso enfrentar uma íngreme subida, daí que havia o serviço de lotação, a “Arca do Noé”. Dizemos que a zona ficava próxima à cidade, assim, no pretérito, mesmo que o logradouro lá continue, porque não mais existe a zona, perdeu a sua razão de ser na medida em que os prostíbulos tomaram conta, estão em todos os lugares das cidades e capitais, os novos tempos acabaram com a injusta discriminação.

Lá em Brasília que se deram os terríveis fatos que se seguem. Ainda que os acontecimentos tenham ocorrido no século passado, alguns personagens tiveram seus nomes trocados nesta narrativa, pois muitos ainda estão vivos. Muito vivos.

Às dez da noite daquele 6 de maio João pegou o lotação do Noé e se foi. Instalou-se num quartinho dos fundos do negócio do Padrinho, que era um misto de restaurante e motel, situado na rua principal. Este declarou: “Te devo obrigação, aqui tu pode ficar de graça quantos anos quiser”.

Brasília possuía cinco mil habitantes e uns cem puteiros, fora as casas de moradia. Embora separado da cidade, era disparado o maior bairro de Palmeira dos Ervais, quase um terço da cidade. Os principais cabarés eram o “Chora Teimosa”, o “Casablanca”, o "Maranhão" e o “Recanto do Amor”, com o “Kubanacan” correndo por fora, todos com música ao vivo, cortinas de luxo, suítes, camas d’água, tudo de primeira. Lá ao pé da zona tinha o “Põe no Meu”, este tão vulgar quanto famoso pelos preços acessíveis. Cinco mil moradores, porém com população volante muito maior, vinha gente de todo o Brasil.

Ao cabo de um mês e João ainda não tinha mulher fixa nem planos para o futuro, estava treinando, reconhecendo o terreno. Havia muito o que aprender. Porém já sabia de algumas coisas: a Alemoa não era a dona verdadeira do Chora Teimosa, o que poucos sabiam, segredo de estado, e sim mera testa-de-ferro do Serra, um contrabandista de cigarros que aparecia de vez em quando. O Casablanca também não era da Andressa, esta uma cafetina chantagista que representava o Carlinhos Goiano.

O Maranhão não era da Bastiana, e sim do José S. de Araújo, conhecido por Dino (ssauro), um escravagista que tinha plantações no Espinilho, emissoras de rádio, além de ser dono da Câmara de Vereadores. O Recanto do Amor não era da Manoelona, pertencia ao Luiz Inácio, um gordinho conversador que ninguém sabia do que vivia. O Kubanacan era do Daniel Mendes, um agiota e traficante de interesses. Por fim, o Põe no Meu era do Delúbio, o tesoureiro da prefeitura. Todos os lupanares famosos eram propriedade de pessoas que não mostravam a cara, à exceção do Delúbio tesoureiro, até ali.

João custou a crer, mas decidiu ficar de bico bem fechado, tinha muito o que aprender não só sobre a nova sociedade, mas sobre a matriz, de onde emanavam as ordens. Precisava conhecer os puteiros menores, os coronéis, os otários. Por enquanto era camarada de algumas putas e dos porteiros dos cabarés. Por um instante teve a impressão de que a nova sociedade não era muito diferente da outra, da qual fugira, mas afastou a ideia, não seria possível.

Zé Careca o advertiu: cuidado para não ficar tísico, rapaz, você anda treinando demais.

lunes, 30 de julio de 2012

Protagonista oculto

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Por Wilson Figueiredo, no JB


Com a aproximação da data de abertura da temporada do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o espetáculo passou a ser avaliado, de todos os lados, por atores e autores. Mas os 38 personagens entenderam melhor deixar vago o papel principal até a hora de entrarem em cena. Ingratidão com Luiz Inácio Lula da Silva. A opinião pública ainda não faz juízo de valor político, mas desperta para o que der e vier. Temporadas teatrais em agosto garantem casa cheia.

De tudo se cogitou, menos da impossibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva excluir-se moralmente da questão central no julgamento que abre a temporada. Por motivos óbvios, não foi devidamente considerada a circunstância de que Lula não terá como ficar de fora, enquanto prevalecer a observação de Buffon (Georges Louis), o grande classificador do gênero animal, para quem “o estilo é o homem”. (A falta de estilo, também). Excluí-lo seria ingratidão. O ex-presidente estará implícito no que for decidido, ainda que por intermédio de José Dirceu, pois as circunstâncias os tornaram inseparáveis. Dirceu dentro do processo, Lula por fora. A avant-première no dia 2 de agosto de 2012 abre a temporada e começa a encerrar o ciclo que reuniu Lula e Dirceu, sem sobrar para mais ninguém.

Mesmo não figurando entre os 38 sobreviventes dos 40 indiciados, dos quais um está morto e o outro se fez colaboracionista na apuração da verdade — o nome da figura oculta no processo é Luiz Inácio Lula da Silva. É ele, mesmo sem pisar no palco, quem vai projetar a sombra da ilusão de poder por vinte anos interrompidos na metade.

A presença de Lula no julgamento do Supremo estará implícita em tudo que disser respeito à responsabilidade política pelo que aconteceu (sem menosprezo pelo que ficou de fora da peça). Nesse sentido é que o julgamento, queiram ou não os que se recusam a admitir o conteúdo político dos fatos, divide desigualmente, pelo menos no episódio do mensalão, as responsabilidades de Lula e Dirceu perante a História.

É provável que, para o ex-presidente Lula, o mensalão seja o ponto mais alto de uma frustração de mando republicano que não se contenta com dois mandatos sucessivos, e uma oposição encalhada. Ficou mais nítida a responsabilidade política, mais dele que de qualquer outro, seja no proveito político, no saldo eleitoral, no descrédito dos partidos, ou na degradação representativa no nível político e no botim do mensalão.

A opinião pública guardou distância e não quis saber de debate. Esperou, sem ilusões, o momento de saber quem foi quem no usufruto do beneficio extra que, por não ser batizado, continua pagão e atende pelo apelido de mensalão. Que, de resto, não passa de aumentativo evasivo.

Quem mensalou, perdeu ou vai perder o respeito dos eleitores. A questão de saber quem, afinal, autorizou o botim, podia levar ao ex-presidente Lula, mas quem veio a ser sacrificado foi José Dirceu, despejado da Casa Civil pelo próprio Lula, que teve o desassombro de dizer que nada sabia do que se passava ao seu lado. A Dirceu coube administrar o equilíbrio instável da maioria parlamentar, em nome e no interesse do governo Lula da Silva.

O ex-presidente pode não saber operar a máquina administrativa, mas não subestima a natureza humana como alternativa. Na falta de palavras adequadas, pode-se considerar que ele, realmente, não sofreu o assédio da dúvida ao sacrificar o então chefe do seu Gabinete Civil com a escusa de que tinha sido o último a saber, e o demitiu como quem pratica um ato em legítima defesa.

Mesmo considerando a questão pelo avesso, Lula tirou o corpo fora da responsabilidade e não pensou duas vezes para sacrificar, também politicamente, o chefe da sua Casa Civil, que era mais do que um puxadinho.



(A charge do Sponholz não consta no original, foi incluída por este blog)

Delúbio de fraldas, na Charge do Dias

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Como prometemos anteontem, quando os boêmios e empinantes festejaram a signicativa presença de Marina Silva na Olimpíada de Londres, em Marina Silva e os boêmios, hoje trazemos o chargista Miguel, do Jornal do Commercio (Recife, PE), único artista brasileiro, detectado pelos boêmios até agora, a destacar o histórico acontecimento.



Hoje no Beco do Oitavo os mandriões, além de malhar o timinho de estrelas do Inter, dedicaram-se a acompanhar os jogos olímpicos pela tevê, em meio a conversas cruzadas.

Gustavo Moscão, ao ver a brasileira do judô chorando uma fantasmagórica desclassificação: "A guria mal encostou o braço na outra, e foi sem querer. Se eu estivesse lá enchia de porrada aqueles juízes de merda, iriam ver o que é golpe proibido. Filhos da puta".

Lúcio Peregrino: "Ei, será que o Neymar Desodorante não é meio putão? Viram ontem? Oferecendo golzinho pro negrão da Jamaica, todo fresco, sei não, quer trazer um retrato do cara... já não se fazem pelés como antigamente, esses caras não têm amor próprio".

Mr. Hyde: "É, podia servir ao seu país primeiro, tava em horário de expediente. Tudo besta quadrada, merda na cabeça".

Os boêmios torcem pelo Brasil no futebol, no judô e mais algumas poucas modalidades. É onde aparece algum atleta filho do povo, como o próprio ídolo Neymar. Esportes como vela, tênis e natação a turma nem assiste, dizem que ali só tem filho de banqueiro.

Jezebel do Cpers reage: "Vocês são uns recalcados...".

Todos a interrompem aos gritos: "Graças a Deus!".

Jezebel: "... , torcer contra os caras só porque são abonados, a culpa não é deles, é do governo, que não dá condições aos pobres".

Leilinha Ferro, que aguardava a charge do dia, meteu a colher: "É culpa de todo mundo, tia Jêze, com exceção do povo da escuridão. Já viu esporte em escola pública, né? Os poucos equipamentos caindo aos pedaços, bolas em trapos, velhas redes de volei cheias de furos...".

Lúcio Peregrino: "E a grana que falta pro governo, onde está? No bolso dos ladrões".

Leila Ferro fez um ar de desânimo e pediu logo a charge aos boêmios. Saiu de lá ouvindo piedosas exclamações de "Não esquenta, Leilinha, tudo vai melhorar", "Aos poucos a coisas vão se ajeitando".

Ficaram com a obra do Mariosan, de O Popular (Goiânia, GO). Moscão acentuou: "Notem que ele tá usando fraldas por baixo, é muito peso...".



Os empinantes do Botequim do Terguino tinham compromisso fora, algo estão planejando. Escolheram a obra e se mandaram. Ficaram com o Benett, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).




Leilinha Ferro escolheu a obra do Tiago Recchia, que está entrando em férias, também da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).






A sucursal do inferno em Porto Alegre

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Não existe cárcere "bom", pela perda de um bem sagrado, a liberdade não tem preço. Os "dirigentes" não sabem disso, nunca sofreram, ainda. Como dizemos nós, gaúchos do povo, para essa e outras coisas: ninguém está livre. As classes exploradoras estão, mas deixemos isso para lá por ora.

Salvo as penitenciárias de alta segurança, onde, o nome já diz, são trancafiados os elementos de alta periculosidade, as demais casas prisionais não se destinam tão somente à punição, mas à ressocialização das pessoas. Simples assim, sem apelarmos para a sustentação filosófica, à moda antiga, com a Filosofia como a mãe de todas as ciências, vez que essa chaga atinge todos os ramos científicos das nossas maravilhosas universidades.

O Presídio Central de Porto Alegre é considerado o pior do Brasil. Há muitos anos. Obviamente, lá não se encontram detidos políticos nem ricaços, aliás, farinha saída do mesmo saco. Estes não cometem crimes... Se cometessem, seria outro o ambiente.

Não é obra deste governador, isso vem de longe, este é apenas mais um a compactuar com o horror. Como vem de longe a miséria dos professores da escola pública.

Os governos, como todos sabemos, são eleitos pelo voto dos desvalidos - imensa maioria, mas não os representam, nunca os representaram. Representam facções de ricaços e uma chamada classe média indecisa e tonta, quando não insensível, cooptada por supostas leis de mercado, isto é, a lei do cão que os ricaços lhes transmitem em diuturna lavagem cerebral "média".

Algum dos que respondem por um suposto mensalão tem as suas crianças em escola pública, mora em gueto? Claro que não. Esses são os piores. Saídos de miséria, alguns, imitam os carniceiros que os dobraram.

Voltando a falar de meninos que por recalque cometeram pequenos crimes, já tivemos bons humanistas, lutadores, o ex-deputado federal Marcos Rolim (que nunca vimos de perto) foi um, de hercúleo trabalho nacional nessa área, mas por alguma razão essa tal classe média decidiu não reelegê-lo. Foi um, tivemos outros, mas a contagem não dá uma mão.

Daí que é de se saudar a iniciativa da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul - AJURIS, que há poucos dias decidiu encaminhar DENÚNCIA à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA (Organização dos Estados Americanos).  

Hoje esse antro (vídeo abaixo, que mostra somente as instalações físicas), que mais parece um prédio abandonado habitado por ratos, abriga 4.389 seres humanos, num espaço que caberiam, amontados, no máximo 2.000.

Esperemos pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, acreditamos que a esta não bastarão promessas vazias.







domingo, 29 de julio de 2012

Ciao, ciao, bambina

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Esta balada, originalmente chamada Piove (Domenico Modugno, música, e Dino Verde, letra), defendida pelo próprio Modugno, foi a vencedora do célebre Festival de Sanremo de 1959.

Aqui com Gigliola Cinquetti.

Pesquisa para Prefeito de Porto Alegre, na Charge do Dias

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Chove na capital gaúcha. Alheios à chuva aos poucos os boêmios do Beco do Oitavo e do Botequim do Terguino vão chegando no Beco, cada um com seu quilo de carne na mão. Como todos sabemos, o Botequim raramente abre aos domingos, de modo que os empinantes se concentram no buteco do Portuga, churrasco no tonel cortado posto na calçada.

Às nove horas a professora Jezebel do Cpers largou o seu quilo de penosa e já pediu um martini, instalada em uma das mesas lá fora, sob a cobertura de cimento. Lá pelas dez, quando os viventes já eram uns vinte, a mestra deu um show na calçada, acompanhada por Cícero do Pinho, Fernando do Bandolim, Mateus do Pandeiro e Janjão no surdo, atacando de Agora é Cinza.

A senhorita Leila Ferro ausente, foi a um batizado. Então Lúcio Peregrino pilota o notibuc, com o que teremos alguma dificuldade na transcrição dos diálogos (Leilinha tem um gravador). De pronto Lúcio envia correio eletrônico a este blog, perguntando se é possível fazermos uma pesquisa de intenção de voto, aquele negócio de clicar na opção desejada, como fazem outros veículos para inquirir sobre besteiras.

Refere-se, o ilustre boêmio, à eleição para prefeito de Porto Alegre. Comunica que resolveram eliminar da consulta popular os dois candidatos dos ricos e da imprensa, esta a quem chama de "múmia paralítica" (redundância, lalaus e imprensa múmia, não?), ou seja, a Manoela Namorida e o Miudinho Fortunati. Além disso, não constarão eventuais candidatos da "rezaiada", como disse, referindo-se aos vinculados a seitas religiosas. Informa ainda que como o PT não existe mais como partido, tratando-se apenas de uma organização com outros objetivos, o seu candidato também ficará de fora. Argúi que os boêmios desejam uma pesquisa séria.

Tigran Gdansk aparteia Lúcio, pedindo para informar em seu correio que "a Manoela Namorida tem em sua 'coligação aquilo' uma seita que obriga a rezação a cada reunião de seus dirigentes, na abertura e no final. Não entendo como a comunista, de um partido ateu, fará reuniões com seus amigos rezadores".

Ora, amigos, se o tal amontoado não vai integrar o rol da pesquisa, esse e outros detalhes sórdidos não interessam. Aos nossos milhões de leitores: o grifo acima, em aquilo, que dizer que substituímos por essa a palavra original, não queremos ir parar na cadeia, já que não temos dinheiro para pagar indenizações com base no triunvirato da ditadura (calúnia, injúria e difamação), pois, como dissemos ontem, este blog não recebe dinheiro do governo nem de ninguém. Em resumo: andamos matando cachorro a grito.

Lúcio adverte que a tarefa não é para já, pois ainda estão averiguando se os candidatos restantes preenchem os requisitos: "Nessa salada, quem duvida que de repente salte um banqueiro ou um pastor eletrônico de dentro do PSDB, afinal é o partido da entrega dos bens nacionais ao estrangeiro".

Amigo: pastor não sabemos, mas esse é o partido preferencial dos banqueiros, depois do DEM-ditadura.

Bem, Lúcio, sobre a questão colocada, vocês já sabem a resposta. Claro que topamos, jamais poderíamos recusar tal encargo, em se tratando de uma pesquisa séria. Se quisessem enrolação, estamos certos de que os amigos procurariam o ibope ou sociedade equivalente (idem aquilo).

Permaneceremos no aguardo da relação. Enquanto isso vamos reaprender como se coloca aquele quadro de consultas num canto do blog, para a inauguração do DataEspanto.

Por fim, Lúcio encaminha uma reclamação de Aristarco de Serraria, sobre os chargistas de Porto Alegre. Diz o filósofo do Botequim do Terguino que a turma ainda não viu obras, nem uminha, referindo à dita eleição para prefeito. "Sequer sobre os fatos à flor d'água, imagine os submersos, estarão cooptados?".

Acho bom os amigos olharem melhor. Essa é uma acusação muito grave, nos recusamos a reproduzi-la. Acreditamos que os amigos é que estão viciadinhos em colher obras no site A Charge Online, de modo que descuidam dos jornais, pois  nem todos os artistas as colocam naquele site. Se procurarem bem, de repente encontram a Manoela Namorida, só como exemplo, rezando com seus coligados. Aliás, em jornais quem manda são os donos, aqueles múmias paralíticas referidos inicialmente por vocês, o artista não pode colocar o que bem entende, então sugerimos procurarem nos blogs dos chargistas.

Lúcio avisa que além da zoeira da música está cercado de empinantes querendo mandar recado.

Contralouco: "Vem pra cá, Salito, já incendiamos as linguiças aqui na rua!". 

Grato, mas não posso, meu amigo, estou no interior do estado.

Gustavo Moscão: "Sabe onde anda o prefeito João da Noite?".

Não sei, ligue pras casas das mulheres dele, em uma deve estar.

Mr. Hyde: "Vocês viram aí, a raiva do governo brasileiro pelo fato da Marina Silva carregar a bandeira olímpica em Londres, ao lado do Muhammad Ali e de um monte de prêmio Nobel? O Marco Maia, todos, até o ex-comunista Aldo Rebelo, ficaram enlouquecidos de inveja, só porque as tevês do mundo se ocuparam da Dilma por cinco segundos, enquanto a Marina ficou horas sendo ovacionada".

Vimos sim, Hyde, mas isso é assim mesmo. O que vem de baixo, você sabe. A cachoeira de ignorância dessa gente não atravessará o nosso guarda-chuva de amor, como diz o Clóvis Baixo.

Jezebel do Cpers: "Beijinhos, guri". Outros, Jêze.

Lúcio diz que não está a fim de passar o dia mandando recadinhos e corta o barato do pessoal. Manda as obras escolhidas, três, uma pelo Beco, outra pelo Botequim e outra pela Leilinha, escolhidas em votação por todos os presentes. Vão em desordem.

Vieram com o famoso Honestino, do Amâncio, do Jornal de Hoje (Natal, RN).




Com o Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR).


Com saudades da coordenadora da coluna, Leilinha Ferro, menina dos olhos dos butequeiros, eles atacam com um de seus artistas prediletos. Duke, de O Tempo (Belo Horizonte, MG).



(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, dono do botequim, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo.)

sábado, 28 de julio de 2012

Lambendo as botas por dinheiro

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Reflete bem, como sói acontecer, o pensador Mauro Santayana: é choro de perdedor isso de querer impedir que os blogs façam campanha pelos que os pagam.

Não ficou claro, apenas, se os blogs citados recebem ou não dinheiro do governo, isto é, o meu, o seu, o nosso, para tanto, parece que sim. Recebem? Quanto? A que título?

Aqui neste modesto espaço a gente senta a pua em todos os lados, quando erram, quando roubam, quando mentem. Serra e os múmios que o acompanham que o digam. Como o diga a tropa que hoje une Lula e Maluf.

Não recebemos um centavo de ninguém.

Os jornais recebem dinheiro do povo, através da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Federal, etc., supostamente pela publicidade desses órgãos. Como se estatais como as citadas precisassem de propaganda. O povão vai comprar o quê da Petrobrás? Mas pagam milhões. É um modo que governos fracos têm de conter, em certa medida, a sanha das hienas, como nos governos do PT e sua base de cães. Antes, no governo FHC, era uma maneira de entregar o nosso aos amigos.

E os blogs, recebem pelo quê?

Seja como for, os blogs que recebem grana poderiam colocar em destaque a frase: "Este blog é subsidiado pelo dinheiro do povo, por (colocar o motivo)". 

É simples: os blogs que recebem dinheiro do governo são comprometidos. Não podem criticar o patrão. Morremos de curiosidade é sobre os contratos firmados, sem licitação, à evidência. A que titulo são os honorários? Como o dinheiro sai dos cofres públicos? 

Andamos precisando muito de algum, desde que sem lamber as botas desses bandidos. Então, vai que numa dessas estejam remunerando a sinceridade...


Serra e a democracia de duas orelhas

Por Mauro Santayana

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas. Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda. Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens. Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas ideias.

José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos. O que está em questão — e os dois estarão de acordo com o raciocínio — é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.

Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público. O poder público é a base de toda a economia nacional. Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais, financia as atividades agropecuárias, paga pelos serviços, participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo. Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.

E mais ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou seja, os trabalhadores. E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis. Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.

Serra e os que pensam como ele tentam, como Josué em Jericó, segurar o sol com as mãos ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável. E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, à difusão de atos de insânia — ampliando o que a televisão vinha fazendo — não há, no horizonte das ideias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas. Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados — a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.

O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise — para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova. Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real — de onde, por pouco, escaparam Luis XVI e Maria Antonieta — e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos. Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.

José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci. Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade — ou, seja, a democracia real.





Marina Silva e os boêmios, na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo os boêmios vão se chegando alegres, se cumprimentando efusivamente, sorrisos, abraços. Quem não os conhece diria que acertaram o bolão da Loto, mas não, festejam a Olímpiada de Londres, não pelos jogos em si, que estão se lixando, mas por um pequeno detalhe da cerimônia de abertura que ontem assistiram acotovelados diante da tevê do Beco, o bar lotado.

Alguns diálogos de ontem ao anoitecer, com vinho já correndo nas mesas, declinam o singelo modo de ver as coisas dos boêmios.

Mr. Hyde: "O que parece aquela bichinha Monkey lá berrando? É o Miguel Teló deles? Os ingreis não tinham uma bosta melhor pra botar?".

Carlinhos Adeva: "Tão promovendo os viadinhos, querem novos beatles, isso leva grana pro país fudido deles".

Nicolau Gaiola: "Começou a discurseira dos lalaus, intervalo, minha gente. Mais duas jarras aqui no meio, Portuga!".

Os poucos não-fumantes saem para respirar lá fora.

Lúcio Peregrino: "O que é aquilo na cabeça daquela véia, parece um bicho morto", referindo-se a... uma coisa na cabeça da Rainha Inglaterra.

Moscão diz que é um caralho velho, Jussara discorda, é o Rei brocha, marido dela, que de tão mandado agora estacionou no chapeuzinho da mal-comida. 

Mamma mia...

Gustavo Moscão acendeu-se com a anterior, e vem: "Mas que mania de botarem marmanjo carregando a bandeira, aí a tevê fica mostrando só a cara deles. Isso é coisa de marreca, onde se viu, com tanta loura gostosa, viram aquela russa, a Xaropova, dessa eu não cobrava nada por uma noite...".

Marquito Açafrão: "O que é aquilo que a menina carrega ali na frente? Parece um penico".

Mr. Hyde: "Não, parece um vaso sanitário, deve ser para a Rainha mijar".

Tigran Gdansk, lá detrás: "Alguém pode trocar de canal aí, esse Galvão Bueno tá me dando vontade de vomitar... Isso, aí, tá bom, ufa".

Carlinhos Adeva: "Mas como é que deixaram essa mala se intrometer, que eu saiba a droga da Plim-Plim não tem direitos de transmissão".

Lúcio Peregrino: "Putz, aguentar essa múmia do Paulo MaqueCartnei cantando..., tanta gente boa que se vai, por que esse faraó embalsamado não morre!".

Tigran: "Menos, Lúcio, menos, se aposentando já tá bom".

E nesse passo as coisas iam andando. Até que surgiram oito personalidades do mundo carregando a bandeira olímpica, símbolo maior da tão sonhada união dos povos. Na primeira passagem da câmera pelos rostos dessas oito pessoas houve um estrépito de cadeiras, todos se levantaram ao mesmo tempo. Um grito perdido no barulho, vindo do fundo do bar, confirmou:

- É a Marina!

A noite, o bar, tudo se iluminou. O cozinheiro Cacho Rodrigues saiu das panelas, enxugando as mãos no avental, e parou embaixo do aparelho, murmurando "Deus existe...".

Os rostos emocionados, olhos úmidos, acompanharam cada passo da brasileira. Depois abraços. Por fim os comentários.

Mr. Hyde: "Um soco no estômago dos patifes que escravizam o povo da escuridão, cujo único prêmio que podem almejar é o nobel de assassínio de crianças, do estupro de mentes".

Lúcio Peregrino: "E na cara do Lula e sua catrefa, que se venderam aos bandidos".

Gustavo Moscão: "O mundo não é completamente cego".

E a noite transcorreu com a Marina Silva presente em espírito. No auge da cantoria ofereceram-lhe música, depois entoaram "E a Marina o que quié? É big, é big...".

Hoje reviraram os jornais de todo o universo, e nenhuma obra homenageando a singular brasileira, é possível que os artistas do traço não tenham tido tempo ainda. Leilinha Ferro prometeu que permitiria o envio a posteriori, para inclusão aqui nesta postagem.

Os boêmios escolheram a obra do mestre Aroeira. Carlinhos Adeva defendeu a escolha: "Esta diz respeito a alguém que os banqueiros e outros lalaus elegeram gastando um bilhão, era ela ou coisa pior; a Marina nunca teve dinheiro, e sim o ódio que lhe dedicam os malvados da nossa Pátria". Falou.




Em 30/7/2012: surgiu uma obra referindo ao motivo dos festejos dos boêmios. Bem obrou o notável chargista Miguel, do vovô Jornal do Commercio (Pernambuco, Recife).




No Botequim do Terguino a festa também foi grande, ontem. Só que ali deu um probleminha. No auge das comemorações o Contralouco não se conteve. O aspone de deputado ruralista que mora nas imediações passava de a pé em frente ao bar e o Contra mete meio corpo na janela:

- Ei, putinho, não viu a Marina Silva agora há pouco? Ela é tudo o que o teu rurajeste de merda nunca será.

O sujeito inventou de responder: "Não vi nada". Pronto, feita a bagunça.

Mais tarde, quando Aristarco de Serraria o admoestava por ter quebrado a cara do indivíduo, o Contralouco esclareceu:

- Ora, foi só uma desculpa, eu tava há dois anos querendo dar umas porradas no cara, ele vivia provocando ao passar aqui na frente acelerando aquele camionetão de rico com o pé na embreagem.

- É, sei que ele é o culpado, mas foi reclamar na delegacia, amanhã ou depois vão te chamar, encerrou Aristarco.

- Se me chamarem, depois pego ele sem testemunhas.

Clóvis Baixo a muito custo conseguiu levar o maluco para casa. Porém o desagradável incidente não tirou o brilho da festa. Às onze da noite, quando Terguino Ferro baixou as portas do buteco, se foram todos para o Beco do Oitavo confraternizar com os boêmios de lá.

Hoje pela manhã, na base de caipirinha para adoçar a vida, os empinantes se puseram a pensar em quem colocariam para cantar na Olimpíada do Brasil, em 2016. O Lorildo de Guajuviras, de visita ao bar, falou em Caetano Veloso e Gilberto Gil e quase foi corrido do buteco, a turma não ende não entendeu que ele esta se arriado. Decidiram que farão uma eleição, oportunamente.

Por enquanto, riem. Escolheram a obra do Ed Carlos, para a charge do Dias.




A coordenadora Leilinha Ferro, luz dos olhos dos butequeiros, também festejou a Marina, mas mostrou que hoje não está para brincadeira, radicalizou: "Quero que o Brasil dos abonados volte sem medalhas, lá é quase tudo filhinho de bandido". Eta menina tri-legal!

Escolheu a obra do Newton Silva.








(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do dono do botequim, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo.)



viernes, 27 de julio de 2012

Marcos Sacramento

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Marcos Sacramento Rimoli (27/7/1960, Niterói, RJ).

Aqui com Chuvas de Verão (Fernando Lobo) e Quem Foi? (Dolores Duran - Ribamar).

Tintim!



Eleições em Canoas, na Charge do Dias

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O Beco do Oitavo hoje recebe a visita de Lorildo do Guajuviras, primo do Gustavo Moscão, da vizinha cidade de Canoas, parte da Grande Porto Alegre, grudadinha na capital, que há muito desejava integrar-se aos boêmios. Por um dia, é o personagem do bar. À noite será apresentado também aos empinantes do Botequim.

Lorildo, chegadinho num mé, no segundo liso desandou a reclamar da política em sua cidade.

- É uma ditadura. Isso o que está acontecendo em Canoas é puro estelionato, o povo é dominado por um falso partido único. 

- Como assim?, disse Lúcio Peregrino, ao tempo em que acionava o notibuc tentando obter notícias das eleições canoenses.

- Como assim que se juntaram 5.000 partidos ao prefeito Jairão do PT, candidato a reeleição, e o povo não tem pra onde correr, nem se flagra disso. É dá ou desce. É gente da ditadura militar que perseguia e matava estudantes, seguida de uma tropa: os gatos das seitas religiosas, os Nazistas, os Geriátricos, o Lobo Mau, os Apaches, a Chapeuzinho Vermelho (esta já na barriga do Lobão), os Stalinistas, os Mexicanejos, o Judas, o Al Capone, a platéia do Ratinho, o Mussolini, o Bush, o Che Guevara, a Madame Mim, o Coringa, o Barrabás, o Drácula..., uma salada horrorosa.

- Eta bicho atrapalhado, diz direito os nomes. Na verdade são "só" 17 partidos. Nunca simpatizei com esse Jairo, todo pegajoso, frio e calculista - desabafou Gustavo Moscão.

- Nada a ver, Mosca, pegajosos, frios e calculistas todos os coisos são ou transmitem essa impressão, mas pera aí, não pode ser bem assim, isso é totalitarismo - ponderou Mr. Hyde com o seu vozeirão -, salvo se a cidade só tiver eleitoranta.

- Ora, Hyde, e em Porto Alegre, da Manoelinha Meia Entrada e outros bichos, acaso também não é tudo eleitoranta? - exclamou Tigran.

- E o Lula não deu a bunda para o Maluf, Hyde? É a moda, pra dividir o butim, aí fazem o que querem sem o perigo de serem criticados - disse Carlinhos Adeva.

- Sem oposição, com a imprensa todinha deles... - lembrou Nicolau Gaiola.

- Não achei nada na internet - disse Lúcio Peregrino -, mas tem uma notinha que dá os nomes dos candidatos. Além desse Jairão e sua tripa de sócios, tem o Paulo Sérgio, do PSOL, e o Maradona, do PSTU.

- O que adianta, PSOL e PSTU não têm um pila nem pra santinho - lamentou Nicolau.

- Ei, achei algo aqui - diz Lúcio: parece carnaval, o nome da salada do Jairão do petê é Bloco do Orgulho Municipal, o BOM. Ahahah... bom pra eles.

E os boêmios seguiram com as lamúrias, solidários ao Lorildo do Guajuviras.

Lorildo vai de Paulo Sérgio, do PSOL, mas promete ir para a rua sozinho, se for preciso, fazer campanha contra esse estado de coisas.

Leila Ferro chega pressionando pela charge do Dias. Os boêmios homenageiam o visitante permitindo que faça uma escolha individual. Lorildo agradeceu, disse que repassava a homenagem para a sua cidade e ficou com a obra do Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).




E os boêmios, por maioria, escolheram a obra do Amâncio, de O Jornal de Hoje (Natal, RN).



No Botequim do Terguino o assunto são os marcos valérios e josés dirceus da vida. Como estamos a seis dias do início do julgamento do Mensalão o tema volta à pauta dos empinantes.

Aristarco de Serraria: "Estou esperando que o advogado do José Dirceu e do Lula, o Toffoli, que o petê botou no Supremo Tribunal Federal, se desincompatibilize, o cara tá esperando o quê?"

Contralouco: "Que Troffoli? Aquele réu que virou juiz?"

Aristarco: "O próprio".

Chupim da Tristeza: "Vão esperando...".

Aristarco: "E o Roberto Jefferson, dizendo que o juiz Joaquim quer condená-lo para receber 'aplauso de botequim', e que não será preso de jeito nenhum. A cara-de-pau do elemento..."

O Contralouco se queimou: "Ele quer o quê, que o juiz agrade ladrão do dinheiro público? E se ele afirma que não vai preso talvez ande pensando em se matar... Ora, não duvido que saia de lombo liso mesmo, não é ladrão de galinha para se condenado, no Brasil é assim..."

Chupim da Tristeza: "Se depender de mim, desejo um bom suicídio pra ele e pra todos os cafifas do mensalão... já vão tarde".

Clóvis Baixo: "Pessoal, hoje não tou muito legal. Podemos deixar para falar de nojeiras amanhã?".

Todos concordaram e passaram para o futebol, iniciando com o Clóvis Baixo: "Ontem quase deixamos os egípcios empatarem, tá faltando é técnico, pois temos um timaço...".

Porém, na hora da escolha das charges (exigiram duas, como no Beco, não importa se lá uma era em homenagem a Canoas), a conversa retroagiu.

Ficaram com o Simanca, de A Tarde (Salvador, BA).



Em seguida foi um pandemônio de gargalhadas com a obra do Tiago Recchia, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).




A coordenadora Leilinha Ferro decidiu exercer o direito a duas obras. De tanto ouvir os butequeiros do Beco falarem no Eleitoranta, personagem do Passofundo (O Informativo do Vale, Lajeado, RS), é dele uma das escolhidas.



E a menina agradou aos dois butecos ao abraçar o mestre Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ).


jueves, 26 de julio de 2012

Ganhar eleições, na Charge do Dias

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Os boêmios do Beco do Oitavo escolheram a obra do Regi, do Correio Amazonense (Manaus, AM).

Todos reclamam dos depoimentos do salafrário. Lúcio Peregrino: "Se fosse um ladrão de galinha, de uma só penosa, levaria um cala-boca do juiz e sairia a pau do tribunal se viesse com declaraçõezinhas de amor e brincadeiras sobre seu estado civil. Como é um fora-da-lei ricaço, pode tudo".



No Botequim do Terguino os empinantes seguem planejando ações de propaganda política CONTRA todos os candidatos. Os primeiros movimentos serão realizados a partir de 6 de agosto.

Ficaram com a obra do Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).



Leilinha Ferro escolheu a obra do Erasmo, do Jornal de Piracicaba (Piracicaba, SP). Foi aplaudida pelos butequeiros dos dois bares. Todos os boêmios dizem a mesma coisa: que jamais ganharam eleição, os candidatos vencedores sempre são um dos pratos-prontos servidos pelo sistema, e como não são otários nunca votam nessa gente. Que droga, pessoal, aqui na palafita idem, ao perder, ganhamos!


miércoles, 25 de julio de 2012

Alcebíades Barcelos - Bide

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Hoje lembramos Bide (Alcebíades Maia Barcelos - 25/7/1902, Niterói, RJ - 18/3/1975, Rio de Janeiro, RJ), um dos fundadores da primeira escola de samba, a Deixa Falar. Grande compositor e instrumentista, é o inventor do surdo, entre outras inovações. O Dicionário Cravo Albin tem um bom resumo da sua trajetória. É autor do clássico Agora é Cinza, em parceria com Armando Marçal. Aliás, a sua parceria com Marçal é uma das mais ricas na história do samba.

Na foto abaixo, da esquerda para a direita, temos Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Bide e Marçal.



Vai uma canja, um dos seus sambas em parceria com Marçal, na voz de Jorge Veiga.






Cachoeira dá uma rapidinha, na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo o chimarrão roda desde cedo. O único a pedir um liso cedinho, para acompanhar o mate, foi Mr. Hyde, o médico da patota, que chegou às 8 horas direto do plantão do hospital, reclamando ter passado uma noite de cão: "Não há como atender o pessoal, falta tudo, até água oxigenada".

E foi Mr. Hyde quem implorou, ao ver a turma folheando os jornais e o nótibuc: "Pelamor de Deus, tenham dó, hoje não quero saber de más notícias".

A turma respeitou o seu desejo. Disse Lúcio Peregrino:

"Então pega esta: O célebre ex-juiz espanhol Baltasar Garzón vai liderar a equipe de defesa de Julian Assange, do WikiLeaks".

Aplausos e vivas.

Hyde: "Putz, boa mesmo, agora os americanos terão mais dificuldades para matar o homem".

Tigran Gdansk: "Entra bem, sinal de que as forças democráticas do mundo vão resistir, uma vergonha aquilo, o cara ter sido abandonado até pelo seu próprio país, por revelar a verdade".

Pega esta outra, diz Jezebel do Cpers: "PT nacional veta ato pró-Delúbio em sua sede em Brasília". E explica: "Alguns militantes, uma meia-dúzia de malucos, queriam discutir a defesa do Delúbio Soares, mas a reunião acabou saindo num porão da CUT, num shopping decadente do Centro de Brasília, área de comércio popular, sindicatos, tráfico de drogas e conhecida área de prostituição".

Carlinhos Adeva: "Taí o lugar adequado, não era em lugares como esse que passavam dinheiro do mensalão?"

Mr. Hyde: "Pera aí, tudo bem, gente, vá lá que são boas notícias, mas será que não tem nada mais alegre?"

Gustavo Moscão: "A boa mesmo é que hoje vamos pegar na mega-sena!".

E começam a preparar o bolão de apostas.

Mas na hora de escolher a charge do Dias é que se deu a explosão requerida por Mr. Hyde, lá se vieram com expressões impublicáveis, aí todos pediram seus aperitivos, rindo a não mais poder.

Jezebel reclamou: "Mas vocês gostam de se divertir às custas da desgraça alheia".

Gustavo Moscão disse que não entendeu a obra do Mário, da Tribuna de Minas (Belo Horizonte, MG).

Lúcio Peregrino, o paciencioso boêmio, tratou de lhe explicar. Aí o Gustavo rolou no chão no bar, às gargalhadas.



No Botequim do Terguino os empinantes seguem planejando meios de fazer campanha política do contra. O Contralouco, na metade da primeira caipirinha deu um pulo da cadeira e gritou: "Tive uma ideia!".

Até o Terguino, lá detrás do balcão, parou seus afazeres para ouvir.

"É o seguinte: a gente monta o CCC - Comando de Caça aos Coisos, um grupo de umas quinhentas pessoas, dividimos a cidade por área, e cada componente sai de madrugada para uma área específica, para escrever assim nas propagandas que eles colam: 'Sou um ladrão', ou coisa pior. Todo mundo com o celú ligado, para pedir ajuda aos demais no caso de ser atacado pelos bandidos que eles pagam para sujar a cidade com as suas carrancas".

Clóvis Baixo: "Celular ligado?, você não anda lendo jornais...".

Aristarco de Serraria: "Sei não, Contra, isso parece ser contra a lei. Mesmo que não seja, onde é que vamos arranjar quinhentas pessoas?".

Clóvis Baixo: "Contra a lei nada, contra a lei são eles, que emporcalham o visual".

Aristarco: "Tá, e os quinhentos?".

Chupim da Tristeza: "Começamos só nós, aos poucos iremos conquistando adeptos. Os boêmios de outros bares, indo pra casa de madrugada e vendo a gente, na hora se juntam...".

Jucão da Maresia: "E porque não arrancamos logo as propagandas, em vez de ter que escrever?".

Clóvis Baixo: "Não, melhor escrever, arrancar dá mais trabalho. E o prazer de botar lá: 'Sou um pau-no-cu' ou 'Sou ladrão', não tem preço...".

Leilinha Ferro os apressa, precisa da charge. Escolhem a obra do Fausto, do Jornal Olho Vivo (Guarulhos, SP).



A senhorita Leila Ferro ficou com a obra do Boopo, da Tribuna de Amparo (Amparo, SP).