sábado, 30 de junio de 2012

Perfídia (7) - Paloma San Basilio

.
De novo com uma espanhola, desta vez a espetacular Paloma San Basilio (Madrid, 22 de novembro de 1950) na Gran Manzana.




Se eu tivesse a bunda da juliana paes

.
Por Germana Zanettini.


se eu tivesse
a bunda
da juliana paes
as pessoas
me olhariam
por trás

aí talvez
eu enfim fosse capaz
de esquecer
de vez
essa minha estúpida mania
esse fardo
de todo dia
abrir os olhos
e ter que encarar a vida

de frente



Centenário de Oldemar Magalhães

.
Hoje o Brasil comemora, ou deveria, o centenário de  nascimento de um dos seus mais inspirados compositores, Oldemar Magalhães (Rio de Janeiro, 30/6/1912 - 19/8/1990). Compôs de tudo um pouco. Suas marchinhas, em especial, fizeram muito sucesso na interpretação dos principais artistas de sua época. Havia uma, que infelizmente não encontramos no iutiube, com a qual a cantora e vedete Virgínia Lane arrasou, chamada Mão de Gato, parceria com José Roberto, que dizia assim:

Você zombou de mim
Fez de mim gato e sapato
O homem que é homem
É um homem não é rato


Não estamos certos do nome do político a merecer a homenagem. Sim, amigos, essa racinha sempre existiu.

Aqui trazemos dois grandes sucessos. O primeiro Quem é, com Os Cariocas, um rock balada composto em parceria com Osmar Navarro, gravado originalmente por Hebe Camargo em 1959, já evidentes os sinais da maldita invasão norte-americana pelo ouvido, que havia matado Getúlio, mas que Oldemar nada tem a ver, ora, uma letrinha para animar a moçada e ganhar algum. A dama que gravou, aliás, sempre foi linha dura, amigona do Maluf, e... opa, mania de ir desviando de assunto. A música:


.
E o clássico Barracão (com música de Luiz Antônio), um poema inigualável de amor que Oldemar ofereceu ao Brasil, qualquer criança das nossas ruas e vidas se emociona naturalmente ao ouvir o alegre sofrimento, a doce amargura, da obra-prima do poeta, por dentro dela a esperança de que um dia seremos todos iguais.

Aqui com a amada Nilze Carvalho e seu cavaco, no clássico com o qual Elizeth, Jacob do Bandolim e Zimbo Trio, em lágrimas, ela cantando e eles tocando, colocaram o planeta do bem de joelhos, emocionado, no show mais famoso do Brasil.




Não achamos uma mísera foto sua na rede, porém encontramos algo mais eloquente:

A Obra

A carne é fraca (c/ Luiz Antônio), A Maria tá rica (c/ Magno Oliveira), A onda do jacaré (c/ Jota Jr), Adeus Belém do Pará (c/ Carlos Filho), Amaralina (c/ Alberto Costa), Amor sincero (c/ Eden Silva e José Garcia), Arruma a trouxa (c/ João de Oliveira), Assim também não (c/ Jota Jr), Atchim (c/ Arnô Provenzano e Otolindo Lopes), Baião do sapo (c/ Jota Jr), Barracão (c/ Luiz Antônio), Bem sabes (c/ Rossini Pacheco), Cabeça branca (c/ Jota Jr), Cadê a Rosa (c/ P. Alcântara), Cão que ladra não morre (c/ Arno Provenzano e Otolindo Lopes), Casebre triste (c/ Linda Rodrigues), Cena repetida (c/ Alberto Jesus), Chegou a hora (Mendonça e Anísio Silva), Chegou saudade (c/ Jota Jr), Chorei baixinho (c/ Luiz Antônio), Chorei, chorei (c/ Jota Jr), Co-co-co-ró (c/ Jota Jr), Demorei (c/ João de Oliveira), Dois estranhos (c/ Alberto Costa), Domínio (c/ Jota Jr), Dona do mar (c/ Sussu), Dora me disse (c/ Jota Jr), Dormi na calçada (c/ João de Oliveira), É manhã no morro (c/ Mário Lago), É por isso que eu vou (c/ Jota Jr), Eis a questão (c/ Antônio Almeida), Ela foi fundada (c/ Otolindo Lopes e Arnô Provenzano), Errei (c/ Rubens Gerardi e Almeida), Está uma gracinha (c/ Otolindo Lopes e Arnô Provenzano), Estamos separados (c/ Aníbal Silva e Éden Silva), Eterno motivo (c/ Célio Ferreira), Eu quero cafuné (c/ Gilvan Chaves), Falsa granfina (c/ Alberto Costa), Favela amarela (c/ Jota Jr e Fernando Luz), Fé em Deus (c/ Gilvan Chaves), Finalmente (c/ Emmanuel Gitahy), Foi na Bahia (c/ Jota Jr), Franco atirador (c/ Monsueto Meneses e Amado Régis), Garota bombom (c/ Jota Jr), General Guanabara (c/ Sussu), Homenagem a São Paulo (c/ José Pereira), Incerteza (c/ Alberto Costa), Indecisão (c/ Rubens Gomes), Ingratidão (c/ Jota Jr e Vera Silva), Isaura (c/ Raymundo Olavo de Souza), Jenipapo (c/ Jota Jr e Fernando Luz), Juanita (c/ Alberto Costa Andrade), Justiça do céu (c/ Marcelino Ramos e H. Felisberto), Lá do alto (c/ Jota Jr), Ladeira da canseira (c/ Jota Jr), Ladeira do Joá (c/ Jota Jr), Lama no asfalto (c/ Jota Jr), Lanterna na mão (c/ Arnô Provenzano e Otolindo Lopes), Lar desmoronado (c/ Raul Marques e Armínio do Vale), Lealdade (c/ Raul Marques e Orlando Correa), Linda madrugada - A serenata (c/ Jota Jr), Louça de caco (c/ Jota Jr), Maestro coração (c/ Célio Ferreira), Mágoa (c/ Geraldo Queiroz e Raimundo Olavo), Mamãe eu levei bomba (c/ Jota Jr), Mamãe eu vou às compras (c/ Castelo), Mão de gato (c/ José Roberto), Marcha do pintinho( Hilton Simões e Alventino), Marcha do remador (c/ Antônio Almeida), Maria da Conceição (c/ Nelson Rivera e Duga), Maria tá rica (c/ Wilson Batista), Martírio (c/ Humberto Teixeira), Mas... Bom mesmo é mulher (c/ Jota Jr), Me deu um breve (Raymundo Olavo de Souza), Menina-moça (c/ Rubens Gomes), Meu bom Alá (c/ Arno Provenzano), Meu senhor, Minha terra tem Palmeiras (c/ Valter Levita), Miss do meu subúrbio (c/ Alberto Costa), Morena do Brasil (c/ José Gonçalves), Na brasa do iê-iê-iê-Churrasquinho (c/ Jota Jr), Na paz de Deus (c/ Rubem Gerardi e J. Garcia), Não me deixe (c/ M. Vaz e M. Pinheiro), Não precisas bater (c/ Macedo e Ayrton Borges), Não se apaixone (c/ Ferreira e Ormindo Silva), Não solte balão (c/ Marino Pinto e Ayrão), Napoleão boa boca (c/ Arnô Provenzano e Otolindo Lopes), Nasceu pra sofrer (c/ Arno Provenzano e Isaias), Nêga babalaô (c/ J. Batista), Ninguém amou (c/ Jota Jr), Novo dia (c/ Éden Silva e Djalma Costa), Nunca me verás (c/ Zila Fonseca), O cara dura (c/ Alberto Costa), O morro está doente (c/ Luiz Antônio), O nega babalaô (c/ José Batista), O papai chegou (c/ Jota Jr e Vicente Longo), O que ela me faz (c/ Jota Jr), O samba tem (Rosalino Senos), O sereno falou (c/ Jota Jr), O trem apitou (c/ Erasmo Silva), Obra de Deus (c/ Éden Silva e Nilo Silva), Olhai pelas crianças (c/ Sussu e Henrique Gonzales), Paciência (c/ José Macedo e Airton Francisco Borges), Palhaço não chora (c/ Jota Jr e Rutinaldo), Papai é camarada (c/ Otolindo Lopes e Arnô Provenzano), Para sempre adeus (c/ Eden Silva e Nilo Moreira), Passarela (c/ Jota Jr), Pé de ouro (c/ Wilson Batista), Pó de guaraná (c/ Jota Jr e Bevilacqua), Primeiro bloco-É por isso que eu vou (c/ Jota Jr), Príncipe Maru, Promete (c/ Ademar Muharran), Quando estás a meu lado (c/ Osmar Navarro), Que loura é essa (c/ Alberto Costa), Quebrou a jura (c/ João de Oliveira), Quem é (c/ Osmar Navarro), Quem é ela? (c/ Jota Jr), Quero chorar (c/ João Oliveira), Rapaz esquisito (c/ Mário Lago), Resposta da fanzoca (c/ Miguel Lima e Gil Lima), Reunião (c/ Jota Jr), Rosário de lágrimas (c/ Nilo Moreira e Eden Silva), Rumba, rumba (c/ Rosalino Senos), Saco de filó (c/ Jota Jr), Saio pé frio (c/ Otolindo Lopes e Arnô Provenzano), Salve a morena (c/ Gildásio Ferreira), Samaritana (c/ Jota Jr), Samba de São Jorge (c/ Nelson silva e Jorge Silva), Samba do assobio (c/ Aníbal Silva e Éden Silva), Santa da minha oração (c/ Osmar Navarro), Santo forte (c/ Jota Junior), Sarong (c/ Jota Jr e Fernando Luz), Sassaricando (c/ Zé Mário e Luiz Antônio), Saudade (c/ Scorza Neto), Saudade que mata (c/ Jamelão), Se quer diz logo (c/ Jota Jr), Sem destino (c/ Geraldo Pereira), Sem querer (c/ José Garcia e Jackson do Pandeiro), Só mora comigo quem me quer (c/ João de Oliveira e Cirino), Só você não vê (c/ João de Oliveira e William Duba), Sofri demais (c/ Erasmo Silva), Tanga (c/ Jota Jr), Tatu (c/ Jota Jr e Jackson do Pandeiro), Teleco teco nº2 (c/ Nelsinho), Tenho moral (c/ Linda Rodrigues), Terminamos em paz (c/ Renato Lima). Título que aponta (c/ Luiz Antônio), To esperando (c/ Matias da Cruz), Topada (c/ Jota Jr), Um balão uma estrela (c/ Zé Violão e Carrapicho), Uma grande dor (c/ Otolindo Lopes e Arnô Provenzano), Vai depressa (c/ João de Oliveira e Mário Alves), Vai passear (c/ Luiz Antônio), Vão me condenar (c/ Raimundo Olavo), Vem brincar comigo - Sereno na calçada (c/ Jota Jr), Vem cá (c/ João Oliveira). Vem meu amor (c/ Rubem Gerardi), Venha cá (c/ Newton Ramalho), Verbo amar (c/ Rubem Gerardi), Vitrola antiga (c/ Emanoel Gitahy), Você nasceu para mim (c/ Ronaldo Lupo), Você sabe muito bem (c/ Fernando Luz e Nina Garcia), Volta Redonda (c/ Estanislau Silva e Rosa de Oliveira, Volúvel (c/ Wilson Batista e César Brasil), Xiquimdim (c/ Sussú).






De saco cheio desse José Dirceu, sai fora, meu, na Charge do Dias

.
No  Beco do Oitavo, Marquito Açafrão e Roberto da Nira cedo já se disseram incomodados.

Marquito: "O tal de José Dirceu vive dizendo que quer ser julgado, o zécu, como se isso me interessasse... peguei nojo desse sujeito".

Roberto: "Também não entendo, pra mim é só mais um sujeito acusado de crimes, como tantos por aí. O cara fica enchendo o saco, como se fosse diferente de alguém, pombas. Que se defenda, ou será que não confia nos seus caríssimos advogados".

Wilson Schu: "É que ele sabe o que fez...".

Quinze boêmios em mesas juntas. Ninguém acreditou no Pater, de A Tribuna (Vitória, ES).

Nicolau: "O elemento não ousaria querer incitar os fanáticos, peitando o Supremo Tribunal Federal, aí o processo será outro, por golpista, traição, sei lá, se não é deveria ser crime hediondo".

"O filhinho-de-papai vai ver o que é bom, se quiser estragar o que conseguimos sem ele", revidou Roberto, que teve o pai assassinado pela ditadura.

Mr. Hyde troveja, calmo, aquele vozeirão de estremecer o bar: "O infeliz morreu e não sabe, quem manda imitar as práticas do inimigo", e pede uma cervejota ao portuga.

Assunto encerrado. Ufa.



No Botequim do Terguino a turma chora a redução da poupança, pois só isso que mudou. O Terguino Ferro segue engasgado com os juros assassinos do seu papagaio. Ficaram com o Zope.




Leilinha Ferro decidiu homenagear os coisos, com o Tiago Recchia, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).



Intelectuais e déspotas

,
O violento ataque cometido por Paulo Rosenbaum (JB, 28/6/2012) no texto abaixo tem direção certa, cremos saber a que tribo se refere. Mas o nobre (...) pensador poderia ter dado nomes aos bois, pois muitos de nós, mesmo querendo participar do processo, não temos tempo nem dinheiro para enviar espiões judeus a orações de tão importantes personalidades. Por outro lado, não ficou claro se o escriba discorda de Ahmadinejad quando este em seu discurso acusou os chamados "países desenvolvidos", isto é, os Estados Unidos, de impor padrões de consumo e comportamento às outras nações. "Isso tem a ver com uma ordem injusta imposta por nações que pretendem manter a hegemonia sobre o mundo", disse, para depois acrescentar que “O Conselho de Segurança da ONU, a Organização Mundial do Trabalho, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial fazem parte desse conjunto de dominação estratégica".

Desta vez parece que ele não falou da matança de palestinos.

Gostaríamos de saber quem é o atual dono do falido Jornal do Brasil, JB, que dá voz a esse judeu extremista, quase tão culto como mengele, doido para trazer sangue para dentro de nossas fronteiras. 

Não senhor, aqui não, não gostamos do presidente do Irão e menos ainda dos seus brutais inimigos, invasores.

Vinte e quatro horas por dia estudando e escrevendo? Não precisa trabalhar para comer, ó filho de jóias?

Intelectuais e déspotas

Por Paulo Rosenbaum



Não foi um caso isolado da Rio+20. Às cotoveladas, sessenta intelectuais (sempre bom recorrer à etimologia para saber se a atribuição ainda bate com o significado: intelecto - ação de compreender) se apertaram para assistir à explanação do ditador iraniano. Uma possível compreensão, nesse caso legítima, seria que os doutores tivessem ido até lá para saciar a curiosidade frente a um homem deselegante, que já negou o Holocausto, considera mulheres seres de terceira categoria, persegue minorias como Bahai e Sufis e prega a reforma “por bem ou por mal” dos homossexuais. Sem contar os criminosos atos contra os protestos da oposição nas comprovadas fraudes eleitorais que o levaram à reeleição. Eleição é modo de dizer, sufrágio indireto, que só se concretiza com aval do líder supremo.

Ninguém duvida que é sempre interessante ter a oportunidade de ver uma “criminal mind” ao vivo, tudo para tentar entender como funciona a mente onipotente, como raciocina o fanático, a astúcia do mitômano. Mas parece que não é isso que tem levado intelectuais do mundo a aderirem ao pensamento monológico e ao culto dos déspotas que proliferam pelo mundo. Talvez, cansados da anomia e do fracasso crônico das experiências com os projetos sociais pelos quais se batem, só encontrem recompensa naqueles que prometem implantar a justiça plena na Terra. Com o fim das doutrinas e a morte dos heróis, só um ungido pode saciar os intelectuais de nossos tempos.

A perplexidade máxima aflora quando se identificam na plateia herdeiros de tradições ideológicas consistentes, a maior parte daquela vertente que um dia convencionou-se chamar de esquerda. A adesão se dá basicamente por uma única afinidade: a postura antiamericana. Ficou fácil conclamar fiéis, bastando para isso desfraldar a bandeira “morte à América”. No caso de professores e gente esclarecida e com tanto currículo na bagagem, que espontaneamente escolheu ir ao encontro, o fato nos deixa à deriva. Melhor dizendo, à lona! O fenômeno transcende a razão, e, como evitamos a parapsicologia, precisamos nos contentar com a velha psicopatologia. Alguém pode explicar como o carisma agressivo e non-sense entorpeceu tantas cabeças a ponto de asfixiar a região onde se aloja a capacidade critica?

Pode ser que seja inevitável que chefes de partidos ou figuras do executivo tenham que ciceronear ditadores e gente que, para conquistar o poder, deixou rastro de cadáveres. Costuma-se aturar isso dignamente com a ajuda de autocontrole, respiração iogue e banhos frios. O fenômeno leva o nome de pragmatismo selvagem, o que conduz inevitavelmente a uma espécie de esquizofrenia política. Basta um exemplo: sabe-se que o regime teocrático do Irã apoia abertamente o regime sírio de Assad e sua atual política genocida. Pois, decerto alguns dos bem pensantes que sentaram nas cadeiras da frente assinaram petições, ao menos devem ter pensando nisso, contra o massacre do povo sírio. Pois, é o que a selvageria política faz com as pessoas: produz incoerências seriadas. Ninguém tem compromisso com a coerência nem com a lucidez, mas há uma ambivalência ética que é capaz de dissolver o caráter.

Esta fusão de ideologia tosca com pragmatismo já foi o estuário de desastres políticos importantes em outros continentes. A adesão de extensas camadas da população universitária na Alemanha nazista — o maior apoio vinha dos profissionais liberais com 50% dos médicos alemães dando endosso à ideologia ariana do Fuhrer.

E não é que persiste a maldição dos “formadores de opinião”? As massas finalmente aderiram, e produziu-se um consenso perto do absoluto, a favor do expansionismo belicista germânico. O mesmo apoio das camadas intelectualmente mais esclarecidas marcou nos primórdios a Revolução Soviética. Até que testemunhando o desvirtuamento e a implantação de um regime tão sanguinário e opressor quanto o de seus antecessores, os intelectuais mais críticos começaram a ser internados em hospitais com o ajuda de um sistema nosológico criado sob encomenda aos psiquiatras comunistas. Dissidentes começaram a ser diagnosticados como insanos: refusiniks. Para um regime totalitário, só um doente mental pode recusar o sistema perfeito.

Foi Hanna Arendt quem escreveu que, quando “termina a autoridade, começa o autoritarismo”. Agora que a autoridade natural no Brasil está no início do declínio, já que sua sustentação depende da bonança econômica, e a inadimplência chegou a um patamar perigoso, o desespero já começou: alianças desastradas, chantagens e ameaças institucionais chegando ao destempero com promessas de mordidas. Nossa sorte é que hoje o homem comum no Brasil deixou de ser bobo e já sabe como deve sair de casa: discreto, sem lenço, cheque ou documento e, se possível, com caneleiras à prova de predadores.
;






Tarso Genro: enchi o pé no balde

.
Dentro de um ano, ou dois, pela graça de sermos "amigos" de Mr. Gugle e seu amante, o Gemeil, e do seu chefão Departamento de Estado norte-americano, ou da chefona CIA, que recebem os dados, os amigos lerão a matéria do dia, abaixo, que não aparece em robôs de busca, eu não pago. Se entraram, milagre, apostem na loteria, vai dar. E não esqueçam de jamais comprar nada de propaganda que surge neste blog, é tudo mentira, engodo.


Presos no aeroporto de Guarulhos, não vimos a sexta-feira passar. Na chegada à capital da América é que pescamos no Blog do Turquinho, camarada deste espantado povo da palafita, depois no site do CPERS, a interessante matéria que vai abaixo. Em última análise trata dos "coisos" e seus métodos. Isso explica a irritação de Jezebel hoje à noitinha, enquanto entornava o seu martini semanal no Beco do Oitavo.

O senhor governador segue brincando com fogo. Eles que nos aguardem em outubro, vão levar em lenha. A colorida manifestação de que trata a nota se chamou Marcha dos Indignados - Chute o Balde.


Protesto reúne indignados com as políticas do governo Tarso


Professores, funcionários de escola, estudantes e trabalhadores de outras categorias realizaram na tarde desta sexta-feira (29), em Porto Alegre, uma manifestação de protesto contra as políticas do governo Tarso para a área da educação e de outras áreas de responsabilidade do poder público.

Da sede do CPERS/Sindicato, na avenida Alberto Bins, os manifestantes se deslocaram até o Palácio Piratini. Bandeiras, faixas, banners e outros materiais com frases de protesto emprestaram cores à caminhada, que passou pelas ruas Otávio Rocha, Dr. Flores, Salgado Filho e Jerônimo Coelho.

Na Praça da Matriz foi lembrado que o governo Tarso realizou um concurso público feito para que a aprovação fosse a mínima possível. A contradição explicitada nos critérios de avaliação evidencia a proposta do governo. Tarso tinha como objetivo desmoralizar a categoria perante a opinião pública e manter a política de contratos emergenciais.

Tarso não quer nomear porque isso dá direito ao ingresso no plano de carreira. O governador prefere manter os contratos emergenciais, pois esse tipo de vínculo não oportuniza ao trabalhador as vantagens que o plano garante.

Os manifestantes lembraram que Tarso governa o estado que menos investe em educação no país. O governador também se nega a cumprir a lei do piso para professores e funcionários, mesmo que isso tenha sido promessa de campanha, e ainda aumentou a contribuição de todos os servidores para a previdência de 11% para 13,25%.

A manifestação foi encerrada com os presentes chutando baldes em frente ao Palácio Piratini. Chutar baldes foi o jeito encontrado para mostrar a indignação de todos que estão sendo prejudicados pelas políticas do governo, voltadas a atacar direitos e manter privilégios.

João dos Santos e Silva, assessor de imprensa do CPERS/Sindicato
Fotos: Cristiano Estrela

viernes, 29 de junio de 2012

VIP - Vídeo Idiot Personal

.
O boêmio (que não bebe) Lucas da Azenha manda o excelente vídeo abaixo. João da Noite disse que o nome correto do cara é Thor. Que Thor, João?



Neguinho da Beija-Flor

.
Hoje a festa é na casa do grande sambista brasileiro Luís Antonio Feliciano Marcondes (Rio de Janeiro, 29/6/1949), dono de um sorriso expressivo do seu eterno bom-humor.

Aqui com Ex-amor (Martinho da Vila).

Tintim!, Neguinho.


 
 

.

A falência do Eike Batista

.
No Beco do Oitavo o primeiro assunto dos boêmios foi a reafirmação do que decidiram ontem à noite, a respeito da visita das nobres profissionais do sexo, noticiada assim na capa do blog:

João da Noite, urgente: "Às 18 horas recebemos no Beco do Oitavo a visita das senhoras Diana Chupinsky e Lucinha Ternerovsky, protegidas da famosa Stanislava Perkoski (a Polaca), futura presidente da Hidrelétrica de Belo Monte, propriedade do Sr. Sarney e seus amigos".

Se de um lado pensam no nome da Polaca para moralizar o ambiente, de outro querem empurrar na nobre administradora o Ricardo Teixeira de vice-presidente, e a equipe econômica do FHC, além dos especialistas em recursos não contabilizados do Lula.

Palocci para consultor de vendas de segredos, e mais uma tropa  que todos sabem. 

Ãã, não mesmo, Polaca não aceita de jeito nenhum: posso ser puta, mas isso eu não faço, aqui não, violão. Ou eles ou eu.  Bem...  o futuro nos trará um desfecho.

Ops, mania de desviar de assunto. Ainda o João:

As senhoras em comitiva reclamam, com inteira razão, da insistência dos boêmios em chamar os políticos de filhos da puta, alegando cruel injustiça, posto que jamais, nunquinhas, pariram seres desse naipe. Mostraram que os meninos estão matriculados em boas escolas, vacinados, e sabem que é feio roubar, apanham se tentarem".

Está decidido: não mais chamarão os políticos de filhos da puta, de fato um grave insulto às trabalhadoras, e sim apenas de  "coisos", enquanto pensam em uma denominação mais  apropriada. Marquito Açafrão sugeriu "gigolôs", mas não houve consenso, a partir da advertência de Mr. Hyde: "Não dá, estaremos desmoralizando os pobres cafifas, não demora aparece uma centena de rufiões protestando em frente ao bar".



Clóvis Baixo, no caminho para o Botequim do Terguino, dá uma paradinha no Beco do Oitavo, debaixo do braço um jornalão conservador, o Valor Industrial, no justo momento em que os boêmios do Beco escolhiam a obra do dia. Luciano Peregrino foi o primeiro a vê-lo em pé no meio do bar, gritou: "Buenas, gaúcho amigo, que prazer receber tão honrada figura, se aprochegue, puxe um banco".

Clóvis Baixo, concentrado, não respondeu à saudação. Ar de suspense, abriu o jornal e leu, alto e bom som: "Decretada a falência de Eike Batista!". Pularam todos das cadeiras alvoroçados. "Eu não disse que um dia...", exclamou Tigran Gdansk, urrando de prazer. Marquito Açafrão, se abraçando com Walter Schiru: "Deus existe!".

Clóvis Baixo deu um tapa na cabeça, como quem esqueceu algo, largou o jornal sobre a mesa mais próxima e saiu dizendo já volto. Mal saiu e os boêmios se jogaram em cima do jornalão.

Isso não se faz, abusar dos sentimentos dos amigos. Depois da sacanagem, é bom que Clóvis Baixo demore a aparecer no boteco, pois obviamente que o indivíduo não faliu, afinal um fortunão daqueles - construído como explicou o jornalista Hélio Fernandes em Os meninos do Beco do Oitavo e a riqueza - não se dissipa de uma hora para outra, só caiu para o 27º mais rico do mundo.  Rico de dinheiros, apenas, mas para algumas pessoas isso tem alguma importância.

Prometendo vingança e enojados de "tudo isso que está aí", os amigos elegeram a obra do Fausto, do Jornal Olho Vivo (Guarulhos, SP). Na quarta-feira os boêmios iniciaram torcendo pelo Boca, mas já no Hino Nacional alguns começaram a hesitar, e com o andor da carruagem acabaram torcendo pelos paulistas. Todo  boêmio é assim, sentimental, coração de manteiga.






No Botequim do Terguino os empinantes vibraram com a história do Clóvis Baixo, uma festa. "Agora todo cuidado é pouco, eles vão querer se vingar", advertiu Aristarco de Serraria. 

Acabaram escolhendo uma obra aludindo aos coisos que finalmente mostraram ao povinho a sua verdadeira e horrível face. Disse o Contralouco: "É, mentir para sempre é impossível". Com o grande Newton Silva.





A discreta senhorita Leila Ferro abraçou a obra do Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP). Foi aplaudida em pé pelos pinguços. Jucão da Maresia resumiu: "Essa ONU é um antro de gente que não tem o que fazer, tudo na  base do quem indica". Pois é, pode ser.




jueves, 28 de junio de 2012

Raul Seixas, seu doido, quero descer

.
Dentro de um ano, ou dois, pela graça de sermos "amigos" de Mr. Gugle e seu amante, o Gemeil, e a chefona CIA que recebe os dados, os amigos lerão a matéria do dia, abaixo, que não aparece em robôs de busca, eu não pago. Se entraram, milagre, apostem na loteria, vai dar. E não esqueçam de jamais comprar nada de propaganda que surge neste blog, é tudo mentira, engodo.



Raul dos Santos Seixas (Salvador, BA, 28/6/1945 - São Paulo, SP, 21/8/1989).

Neste  inverno de silêncio, com a estudantada incapaz de emergir da lama com uma rosa vermelha na mão, UNE comprada a bom dinheiro, DCEs corrompidos, sertanojos universitários arrombando a alma do fundamental, você faz uma falta, meu chapa, uma falta... Se você visse a alienação... o nome do principal "doador" de campanha da estrelinha federal da vez, vomitaria as tripas, menino, antes de cortar os pulsos num banheiro sujo.

Pensamos muito em ti e no Cazuza. Este moço, então, choraria novamente, ao ver que os ratos das piscinas dos malufes e demais assassinos da avenida paulista são aqueles que amávamos, que são fúteis, covardes ao preço de vidas de crianças, pelo ouro falso de se acharem grande coisa, igualando-se aos bandidos (alô, Dora, alô, José Serra, cago para seus cartões de crédito) e que a cadeia os aguarda, tomara que a morte, demorada, doída, com tempo para refletir sobre o horror que espalharam. Que pensar nada, essa gente não entende. São piores que o inimigo, este sempre esteve lá, nunca trocou a camisa. A seriedade impiedosa do barqueiro da nave del olvido talvez lhes dê uma dica, na travessia para o inferno.

Eu que alimentei os analfas de alma, os "nossos", eu burro levado pelos paulistas, pseudos intelectuais com serventes adulando em  camas de cetim, e sua imprensa horrível, os donos de tudo, pelo roubo desde Cabral. Para mudar gastei o dinheiro da roupa das meninas em panfletos, até comida reduzi à maior simplicidade; fui eu que criei os caras-de-cadela mentirosos que diziam, juravam, promover a revolução sem armas, hoje ricaços asquerosos tratando a grito os escravos. Eu pari os lulas, dirceus, vacaralhos e valérios. Caí fora em 1998, alertando com cartas com protocolo, mas já era tarde.


Olhe, Pato, mire bem, eu que os fiz, nós os fizemos, na doce ilusão de amor, não há panela do diabo que me salve. Quero morrer! Quero... ah, chega.

Abraço, Raul. E..., e..., ah, um dia tudo mudará.

Em tempo: sigo dizendo que isso é bolero, meu querido irmão. Purinho, com jeito de balada.

Lula, Dirceu, ajudem o Brasil!, na Charge do Dias


Sei não, mas parece que os boêmios andam cansados de discutir almas rudes, concluiram que não têm conserto, só matando. Hoje a cena foi patética, a turma argumentando com Leila Ferro, na verdade suplicando, para colocar três obras.

Futebol em primeiro lugar, para tirar a cabeça do inferno. Pretendiam abandonar os canalhas mas não conseguiram, ao se depararem com a obra do Cláudio, do Agora S. Paulo (São Paulo, SP). Mr. Hyde resumiu o sentimento da confraria: "O povo da escuridão há de abandoná-los, hão de se fuder! Hão de morrer na cadeia, na miséria de amigos, esses patifes!". Mamma mia.

Tomara, Mr. Hyde, tomara!



E o futebol, ah, o futebol das massas. Soubemos que o Romário ressuscitou, saindo no diminutivo dos escombros do Congresso Nacional. Abraçaram o Juscilan, sobre o estado de São Paulo. Aqui no Sul tem algo parecido.




E o Dum, que atinge diretamente o coração do Antonio Portuga, dono do "butiquim", como chama ao seu Porto do Beco do Oitavo.





No Botequim do Terguino o assunto tornou à corja do Caiado, mirem só ele ali, paraguaio. Decidiram que a obra do Bira vai emoldurada para a parede do buteco.



Usando da prerrogativa dos vizinhos do Beco, tiveram direito a mais duas obras. Disse o Contralouco: "E agora, senhores, a exaltação aos filhos-da-puta!". Leila Ferro tapou os ouvidos com o que veio dos empinantes.

Escolheram a obra do Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).





E do Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa,  PR).




A senhorita Leila Ferro, pobre menina ilhada no meio daqueles doidos, preferiu futebol. Ainda bem. Abraçou ao Tacho, do Jornal NH (Novo  Hamburgo, RS).

.


Cortem os pulsos.

miércoles, 27 de junio de 2012

Zezé Motta

.
Hoje tem festa na casa de Zezé, espetacular atriz e cantora brasileira (Maria José Motta, Campos, RJ, 27/6/1944).

Aqui com o clássico de Nei Lopes e Wilson Moreira.

Deus meu, como canta, e... vá ser gostosa assim aqui na palafita! Opa, não era isso, o que íamos dizer mesmo?, ahn... que vergonha.

Ah, o brinde.

Tintim!, Zezé. Feliz Niver. Obrigado por tudo.



Sujos e violentos, na Charge do Dias

.
Os boêmios do Beco do Oitavo escolheram a obra do J. Bosco, de O Liberal (Belém, PA). Os politicalhos do Brasil inteiro estão contaminados pelo vírus da baixaria, do poder a qualquer preço. Todos talvez não. Veremos quando outubro chegar.




Os empinantes do Botequim do Terguino ficaram com o Newton Silva. Vixe! No Ceará também.




Leila Ferro abraçou a obra do Lute, do Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG).


lunes, 25 de junio de 2012

Como um ladrão, na Charge do Dias

.
Os boêmios do Beco do  Oitavo ficaram com a obra do Samuca, do Diário de Pernambuco (Recife, PE).




No Botequim do Terguino, os empinantes ficaram com o Bira.





Miss Leila Ferro ficou com o Amarildo, da Gazeta Online (Vitória, ES). Guria esperta.



domingo, 24 de junio de 2012

Elza Soares e Luiz Melodia

.
Fadas (Luiz Melodia). 

Com ela, a nossa última grande e sensacional cantora e dizedeira de amor. E com ele, Luiz, único, embluarado.

Tintim nesta madrugada.



Roberto Piva, o poeta da transgressão, na Casa de Cultura

.
Pelo Blog da Tristeza (nada de tristeza, gente, o nome alude ao bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre), do amigo Schumacher, tomamos ciência de um programa imperdível, na Casa de Cultura Mário Quintana.



Integrando o grupo de artistas, a nossa querida Piqui, poeta e atriz.

Roberto Piva, o poeta da transgressão é uma performance de teatro, música e dança, em homenagem ao poeta paulistano Roberto Piva, falecido em 03 julho de 2010. Homem múltiplo, de extrema erudição, Piva foi influênciado pela geração beat, pelo movimento surrealista e teve experiências com outras áreas do conhecimento como o xamanismo. Poeta furioso, com a garganta repleta de trovões, Piva é uma das vozes mais importantes da poesia brasileira contemporânea. Conta com trilha sonora original e executada ao vivo. A performance conta com os seguintes convidados: Piqui (teatro), Denis Cruz (teatro), Ana Arnold (dança), Lucas Duarte (violoncelo), e Tomás Piccinini (flauta transversa). A ambientação do local é da artista visual Eliane Bruél.

Na sequência da peça teremos o show autoral da banda Dionysios.

Entrada Franca
29 e 30 de junho e 1 de julho (20h)
Distribuição de senhas a partir das 19:30, no local.

Roberto Piva nasceu em São Paulo no dia 25 de setembro de 1937. Poeta ligado aos marginais dos anos 60, esteve na Antologia dos Novíssimos de Massao Ohno em 1961 e em 26 poetas hoje de Heloisa Buarque de Holanda. Foi professor na rede de ensino público, produtor de shows de rock e é um dos três únicos poetas brasileiros a ser citado no Dicionário Geral do Surrealismo publicado na França.


Praça da República dos Meus Sonhos

(Roberto Piva)

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
....de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
....na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
....onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
....onde beatificados vêm agitar as massas
....onde García Lorca espera seu dentista
....onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
....anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
....privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lento Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
....Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa.
.

A quadrilha do Lulaluf, na Charge do Dias

.
Pelo andor da carroça a criação dos pensadores paulistanos será uma bola da vez eterna, tal a magnitude da sua..., e agora, como encontrar uma palavra para definir a barbaridade? Em português não achamos. Talvez em jupiteriano: khgktyenaoqwmhdniacu.

No ano de 2000 aplaudimos o Sr. Lula quando disse: “O Maluf é que deveria estar atrás das grades e condenado à prisão perpétua por causa da roubalheira na prefeitura”. E agora, a penitenciária necessita ampliação, para acolher os sócios?

De queixos caídos, entranhas rasgadas, os boêmios do Beco do Oitavo escolheram a obra do Miguel, do Jornal do Commercio (Recife, PE).





Os empinantes do Botequim do Terguino ficaram com o Fausto, do Jornal Olho Vivo (Guarulhos, SP).




A senhorita Leila Ferro abraçou o Flávio.




.

Minha Solidão

.
Na saída de um botequim, há pouco, madrugada alta, uma mulher agarra meu sobretudo pela manga.

- Tu é o cara daquele blog das músicas?

- Não sei, dona, que músicas?

- Ah, lá do outro lado um cara disse que te conhece, bota músicas, nada de lixo americano.

- Bem, tenho um bloguinho, mas inexpressivo... Mas não são só os americanos que exportam lixo, vá lá que é noventa por cento, mas aqui no Brasil temos..., deixa para lá.

Tocou num assunto que desde menino me fere. Mas saí fora.

- Se é tu bote uma música pra mim, por favor!

- Dona, acho que errou de blog e de homem, mas vai, diz lá qual é a música...

- Pois aí que tá, não sei o título...

Nessas alturas Dolores, ao meu lado, me olha como quem diz: se der papo ficaremos aqui até amanhã... Dolores fica, se preciso, sorrindo, mas cantou a pedra. Eu doido para voltar para casa.

- Moça, diz uma frase da música.

- "Eu te esperei, tentei cantar, abri a janela e o frio falou..." não sei mais, eu era criança.

Voltamos para casa.


Aqui está, prezada senhora. Oferecemos com carinho. Dolores e eu gostamos tanto que abrimos uma champanhe às 4 da matina. Dessa agora estamos fora. Já estivemos, e só de lembrar dá um frio.

Linda, com o Moacir Franco

Tintim!





sábado, 23 de junio de 2012

Perfídia (6) - Sara Montiel

.
Música na noite. Com a sexta apresentação de Perfídia, o clássico de Alberto Dominguez, a canção mais tocada na história sonora da civilização. Há controvérsias, alguns entendem que a mais tocada é a cubana Moliendo Cafe, o que muito nos emociona, pois é também maravilhosa.

Hoje com a fantástica espanhola Sarita Montiel. Mais tarde acrescentaremos algo sobre a musa. Agora precisamos sair, é sábado e ninguém é de ferro, há pouco ouvimos uma vozinha feminina, vinda não sabemos de onde, sussurrando "Vem, Salito, vem, meu amor...". Oba! Estou indo!



Véspera de batizado, na Charge do Dias

.
Um belíssimo sábado de inverno na capital da América. Temperatura de outono, 20º, e um astro-rei que se derrama sobre a cidade, empurrando os viventes para as ruas e praças. A orla na altura do Gasômetro reúne 500 mil pessoas, sol e cerveja, que esperam a espetacular queda da bola vermelha, já então multicolor, ao entardecer.

Os colorados boêmios do Beco do Oitavo sentam-se em mesas na calçada, o único gremista fica lá dentro, é o portuga dono do buteco, azulão, Clube do Porto lá e Grêmio aqui. Lá dentro o berrador da tevê bandeirantes se esgoela gritando gol da Espanha. O sujeito é intolerável, há séculos naquele papinho de somos a melhor equipe e tal, ao lado um caipira analfabeto como comentarista, uma dupla de dar engulhos. Pior que isso, na opinião do Nicolau Gaiola, só o mentecapto da globo e seu ex-árbitro baba-ovo. Ninguém mais suporta ver tevês de paulistas e cariocas, a capital do mundo (epa, creio que acabo de promover Porto Alegre, bi-mundial de futebol, bem, de capital da América para capital do mundo é um pulinho) necessita de uma própria, a Tevê Gaudéria, que atinja em rede aberta daqui até o Cáucaso, o mulherio de todo o planeta vai querer emigrar, que vengan. Gustavo Moscão grita para o portuga desligar aquela joça.

Ufa, música no ar. Guilherme Arantes: "Quando eu fui ferido...". Tigran Gdansk pede mais meia-dúzia de cervejas, é a sua vez.

Coisa rara, o Antonio Portuga vai lá para a frente, pede a palavra, se empertiga e dispara no seu sotaque inconfundível: "Aviso aos prêzads amigos que o butiquim hoje vai somente até às 4 da matina, às 3 suspendo a música, pois amanhã às 8 tods dvemos comparecer ao batizado do bebé do Marquito Açafrão. Mais: não podem levar garrafas à solenidade e não quero ver nenhum borracho chamando o padreco de donzela de preto, gostosona, viadinho, acaba logo com isso putão, essas bubagens. Alguém avise ao padrinho, sinhoire João da Noite, sobre as regras, se ele não aparecer aqui hoje, posto que o gajo é fino em implicar com as saias dos religiosos, quem num lembra daquela outra vez, podre de bêbedo a gargalhar, garrafa de uísque na mão, a dizer 'joga aguinha em mim também, ó gostosa, cadê a tua saia vermelha, com salto alto ficas linda'. Após o batizado haverá churrasco no Botequim do Terguino".

Aplausos e vivas ao portuga. Gustavo Moscão argumenta que não vai ter nenhuma graça, se não tirarem a roupa do padreco. Combinam de convidar o sacerdote para o churrasco, aí depois...



Segue repercutindo na cidade e no mundo a feroz inquirição de João da Noite: "Quem vai assumir a criação do pelego sem controle que, por pelego, jamais ganharia eleição em São Bernardo do Campo? Quem vai embalar o monstrengo que pariram na esperança de subjugar mengeles com um aleijado?  Os intelectualóides de São Paulo? Jamais. Quietinhos, prostrados, ricos... Alô, Chauí, nem tu, mulher? Câncer requer acompanhamento psicológico, os covardes se entregam. Os com luzes de mentira, então... Vocês todos me devem horrores que vi e sofri, primeiro sufocado, depois exausto de gritar para surdos, e mal começo a cobrar a conta".

Os petistas, ou melhor, os ex-petistas, pois no Beco não restou nenhum, se calam, dói remexer em questões evidentes que não quiseram ver, mas Lúcio Peregrino insiste em cutucar a ferida que jamais cicatrizará.

Foram salvos das garras do Lúcio por Leilinha Ferro, que chegou para colher a obra escolhida para a Charge do Dias.

Os boêmios se dividiram, dez para cada lado. Sem condições de desempate, Leilinha aceitou as duas obras.

Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR). Esta Lúcio Peregrino fez questão de dedicar "aos pseudos intelectuais, aos larápios e sindicalistas de São Paulo e aos seus empregados de Porto Alegre". Calma, Lúcio.






E a do Renato, de A Cidade (Ribeirão Preto). Seus defensores a batizaram de "A Fraude", referindo-se a vocês sabem quem.




No Botequim do Terguino o assunto provocado por João da Noite também ainda repercute. O Contralouco propôs o enforcamento coletivo dos partidários do Lulaluf domingo de manhã, na esquina da Rua da Praia com a Travessa do Poço (que os estúpidos mudaram para Av. Borges de Medeiros, este elemento um Caiado antigo que dominou pela força, como sói), a dita "Esquina Democrática". Os favoráveis à proposição perderam por dois votos: 10 contra e 8 a favor. Por pouco...

A estas horas falam sobre o churrasco de amanhã, a vez é do Botequim, os boêmios do Beco virão para cá. Na dúvida se vinho ou cerveja, optaram pelos dois. Costela de gado, algumas picanhas e salsichão, 50 Kg dá e sobra. Ou não. Melhor 60, para garantir. As saladas o Terguino Ferro vai providenciar. Pensando bem, melhor comprar alguns quilos de coração de penosa, a criançada gosta. Feito.

As mulheres estão encarregadas dos doces e da decoração da rua e do buteco, para a festa do batizado do neném do Açafrão. O fiscal corrupto que tentava extorquir pelo fechamento da rua não vai aparecer, Juanito Díaz Matabanquero disse que soube que ele sofreu um acidente de adaga (vá entender...) e agora se entende com o Capeta lá no quinto fosso do Oitavo Círculo do Inferno, a moradia de passagem dos políticos corruptos, ou dos fracos de alma, o que dá na mesma.

Copiaram os amigos do Beco e deram nome à obra do Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ). Vai para a parede com o título de "Vaiti à merda, Dilma!".





Entenderam perfeitamente factível a sugestão do Flávio, pena que o chefe da máfia ainda está enjaulado, o seu advogado é muito ruim. Por outro lado, apostaram em quanto tempo o mafioso duraria antes que os lulafistas lhe passassem para trás na hora de se avançar nas fichas.

O filósofo Aristarco de Serraria embolou-se numa discussão com o Clóvis Baixo, a respeito da influência dos astros na garganta de pessoas com a língua presa, e Leilinha tratou de pegar as obras e cair fora, direto para o nótibuc. Boa essa menina, tem coragem, mantém o respeito. Se os empinantes sem querer tentam envolvê-la sai de frente, gosta de todos mas é a líder da Charge do Dias, difícil encargo. Uma jóia, que orgulha Adolfo Dias Savchenko, o idealizador da coluna, de quem sentimos saudades que não dá para colocar em palavras.



Leilinha Ferro escolheu a obra do Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG), aludindo ao modo como os reis da idade da pedra mantinham entretidos e submissos seus habitantes da escuridão, pela sua rede de tevê daquele tempo, enquanto se apoderavam das riquezas públicas e roubavam a não mais poder.



.

No escuro do meu quarto

.
Meu mundo e nada mais (Guilherme Arantes).


viernes, 22 de junio de 2012

O senador Eduardo Suplicy na Charge do Dias

.
No Beco do Oitavo os boêmios tardaram a escolher a obra para a Charge do Dias. Bebericaram a tarde inteira, preocupados com Carlinhos Adeva, que vinha de uma importante missão em São Paulo. Deveria ter chegado no meio da tarde. Apareceu às dez da noite, morto de cansado, cara de poucos amigos, quando todos já estavam apavorados procurando queda de avião no noticiário da internet (obviamente que ali no Beco nem em caso de morte ligam no jornal da globo, que de nacional nunca teve nada).

Sobre os  percalços da viagem falaremos amanhã, o bolero é longo.

Pois Carlos Adeva, o nobre causídico da turma, o melhor advogado que vimos em ação, e vemos muitos pelo canal do STF, rios de pedantismo e hipocrisia tolerados num código de espertos (espertos a considerar a massa ignara), sempre retorna quieto, mas calmo. Hoje não. Alguma coisa ocorreu que não caiu dançando.

Carlos não, Carlos é odiado pela inveja dos falsos profetas do dinheiro, Carlos é um oceano de talento, diz a verdade na cara, trabalha de graça para quem precisa, odeia dinheiro, cobra o mínimo para sobreviver, de quem pode pagar, não é como moleques ricaços que assaltam mafiosos e trabalham para mensaleiros, periga até virarem ministros no país do lixo, ah, nenhum deles dá um dedo do Carlos.

Carlos saiu preso certa vez, de um tribunal de São Paulo, por chamar um juiz, presidente de tribunal superior, cheio de comparsas, outros juízes e advogados, ricos, de ladrão. Muitos anos depois prenderam um tal de Lalau. Durante esses anos, Carlos passou fome e quase foi banido da Ordem, por falta de pagamento da anuidade dos burocratinos perversos.

Carlinhos Adeva não leva papéis coloridos, todo afrescurado, para preparar os reis de merdas douradas, com aqui estão os nossos argumentos, excelência, em vídeo, 3D, milésima geração. Nada, é homem e seus argumentos são irrefutáveis mesmo datilografados em papel de pão.

Se mamasse ovo e defendesse mensaleiros seria o ministro mais jovem do Supremo. Mas não, Carlos não é um merdinha a subir empurrado por políticos corruptos. Nada de apresentar textos com citações em inglês de MacGraxas de luz amarela num país de escravos pela injustiça, nada de em grego defender pelegos sem alma, papinho de camaradas, com o artigo quinto tiram da cadeia assassinos mafiosos, mas jamais homens simples presos por engano. Carlos vai no osso, uma única lei consigo: a Constituição e o direito natural na cabeça.

Putz, me estendi, falei um pouquinho do Carlos, advogado (adeva, cá entre nós) número tal. Se aqui declinasse o número, as coisas se complicariam na semana que vem. No começo para nós, depois eles iriam ver.

Sempre recusou o sistema viciado, do levar vantagem sobre o povinho que não tem como se defender, recusou-se a ser mais um covarde, sabendo que morreria de fome. E foi aí que o tiramos para amigo querido.

E agora no bar quieto como só, amuado.

Na metade da primeira cerveja examinou as obras expostas sobre a mesa. Sabia que Leila Ferro precisava enviar com urgência o resultado da votação a este detestado blog. E foi breve. Mesmo com uma ponta de tristeza, seus olhos num átimo se iluminaram ao passar pela obra do Cláudio, do Agora S. Paulo (São Paulo, SP). Depois tornou a se fechar no escuro.

Disse algumas palavras, iniciou de cabeça baixa, mirando o copo: "Muitos e muitos anos depois que tivermos partido para outra, meus amigos, quando o  futuro recordar a tentativa que fizemos de mudar o Brasil nos últimos 50 anos, só um nome será reverenciado, pois é o símbolo do militante honesto e sincero, de uma gente que não pensa só em si, pela qual suplicava Taiguara, um homem igual a imensa maioria que foi traída pelos que serão esquecidos..."

(Parou, pensou a eternidade de um minuto, sorveu a cerveja)

Levantou a cabeça, músculos do rosto endurecidos, agora olhando um a um os parceiros de vida: "Esquecidos não, os estúpidos também serão lembrados, mas por outras razões. Hoje riem da 'ingenuidade' do senador, há trinta anos riem, usaram, tornaram a usar, subestimaram, pois gentes fracas como eles só pensam em dinheiro, despreparo total, os larápios gananciosos, gentalhas que imitam pastores eletrônicos usando o povo da escuridão, ao ponto de confundir os sentimentos e a luta de uma alma  superior com seus rasteiros instintos. Mas o porvir fará justiça a Eduardo Suplicy".

O misto de tristeza, desencanto e ódio da sua voz, com a citação do nome do homem que desde sempre oferece a vida em troca de um novo país, sem os eikes batistas nem malufs, caiados, que quer escolas para diminuir gente bruta assim, que vem se matando, que está presente onde quer que a justiça falhe... calou o ambiente.

Silêncio. Gustavo Moscão fez um enorme esforço mas não conseguiu segurar as grossas lágrimas que  lhe desceram pela face contraída. Uns tossiram, visivelmente emocionados, outros se socorreram indo ao banheiro.

Todos o acompanharam no voto. O Ainda Espantado, por este que redige às pressas o cotidiano dos boêmios e por todo o povo da palafita que o acompanha, estrangeiros perfilados em pé - à frente o haitiano Aristide Neptune, pede licença aos desesperançados para subscrever na íntegra todas as lágrimas derramadas, à vista ou às escondidas.

Tintim, companheiro Suplicy. Mas chega de tolerar, senador, o motivo do bem maior, para suportar essa escória, já não existe. Acharemos para onde correr em defesa do Brasil e de nossas vidas, uma nova trincheira, trazendo, pela escola, todas as crianças injustiçadas, um dia com voz, um dia no mano a mano. O Brasil que sonhamos.

Não se entregue! O senhor jamais estará sozinho, estamos juntos, ombro a ombro, o País dos homens de bem acompanha emocionado a sua trajetória, o senhor sim, um ídolo de aço pela têmpera, claro como o dia, lejos dos ídolos de barro de uma funesta fábrica que os produz no vão da escada.

Salud!

  


Os empinantes do Botequim do Terguino, alheios à angústia que rondava o buteco-irmão - os de lá não quiseram incomodar, essa de atrasar avião ou perder o ônibus não é a primeira que Carlinhos Adeva apronta -, antes do meio-dia já tinham feito a sua escolha. Trataram de almas rudes. Como este blog é lido por crianças, não podemos declinar os substantivos, adjetivos, pejorativos e muitos alhas, ujos, elos, ões e utas proferidos. 

Ficaram com o Amâncio, de o Jornal de Hoje (Natal, RN).




Leilinha Ferro, a filha do Terguino e coordenadora da coluna (chefinha dos boêmios, nesse quesito), que a mucho tiempo deu de mudar de assunto se alguém fala em Rio mais vinte, silenciosamente optou pela obra do Dum. Ninguém deu um pio, salvo o Contralouco, sempre ele: "Ei, é a cara do Ronaldo Caiado!".