martes, 31 de enero de 2012

JB, o horror

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Já se chamou Jornal do Brasil, hoje é jornal de outra coisa. Não tem mais condessa, condes, palácios, não tem mais o povinho ajoelhado às suas manchetes de mentiras.

Do velho Rio sobrou um pior, o Grobo, mas hoje esse zumbi não é o assunto.

O que restou do finado JB, aqueles seres que andam trôpegos pela Avenida Rio Branco, na véspera de um importante julgamento atacam de "Editorial". Apreciem o verbo dos zumbis:

O Supremo Tribunal Federal julga, nesta quarta-feira, a ação direta de inconstitucionalidade que pede que se estabeleçam limites nas competências do Conselho Nacional de Justiça.

Na sessão, que marcará a abertura dos trabalhos do Judiciário este ano, os integrantes do tribunal definirão se confirmam ou não liminar concedida em dezembro pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Em meio às discussões sobre o tema, várias correntes se posicionam, deixando à mostra artimanhas obscuras que insuflam ataques duvidosos ao Judiciário e à casa maior da justiça brasileira.

E esses ataques se tornam ainda mais graves quando partem de integrantes da própria Justiça.

Qualquer tentativa de insuflar o povo contra sentenças, se parte da imprensa, não é bom; se parte de leigos - como sindicatos ou instituições sociais -, também não é bom; mas não pode, de forma alguma, partir do próprio judiciário.

Não é apenas traição à Justiça. É traição à nação.

De que Brasil você fala, cara-pálida? Do Brasil do José Dirceu? Do Brasil do seu governador? Do Brasil dessa tropa de parasitas a qual ainda estás a serviço?

Vai dormir, esse não é o Brasil do povo, nunca foi.

Entre de vez no sepulcro, e não saia mais.

Salito.








Mentiras, roubos e drogas, n'A charge do Dias

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O Beco do Oitavo escolheu a obra do grande Zop.



O Botequim do Terguino ficou com o Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).



E a senhorita Leila Ferro fechou com o Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).


lunes, 30 de enero de 2012

Herivelto Martins

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Hoje comemoramos o centenário de Herivelto de Oliveira Martins (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 30/1/1912 - Rio de Janeiro, RJ, 17/9/1992).

Para hoje é de se esperar grandes festejos, nos rádios, televisões e praças do Brasil. Obviamente que também pelos botequins, pois nestes a turma da boemia o recorda todos os dias.

A sua trajetória é muito conhecida, bem como sua rumorosa separação de Dalva de Oliveira. Da sua extensa obra, o Dicionário Cravo Albin lembra uma historinha curiosa. Em 1942, ..."obteve outro retumbante sucesso com o samba-canção "Ave-Maria no morro"; gravado pelo Trio de Ouro na Odeon. Nesse samba-canção, queria que Benedito Lacerda fosse seu parceiro, mas o amigo aconselhou que não o gravassem, pois era "música de igreja" e não ia "dar dinheiro". O samba-canção, que se tornou um de seus maiores sucessos como compositor, é também um dos maiores da MPB. Já foi gravado em várias versões no exterior, incluindo uma em esperanto. A repercussão de 'Ave Maria no morro' fez com que o Cardeal Leme considerasse a canção uma heresia, pedindo sua proibição. O compositor, contudo, conseguiu, por intermédio de amigos no serviço da censura, vetar tal pedido. Curiosamente, "Ave Maria no morro", a partir dos anos 1960, entrou para o repertório dos trabalhos litúrgicos de igrejas no Brasil e na Europa".

Aqui e agora lembramos Segredo (parceria com Marino Pinto), nas vozes da Dalva e do espetacular filho de ambos, Peri Ribeiro.

A charge do Dias

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O Beco do Oitavo ficou com o Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ).




O Botequim do Terguino com o Newton Silva, de O Jangadeiro Online (Fortaleza, CE).



A Leiloca escolheu a obra do Quinho, do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG).


domingo, 29 de enero de 2012

Médico com molotov, n'A charge do Dias

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Rio de Janeiro um tantinho chuvoso. Por falar nisso, ontem procuramos Moacyr Luz, Gabriel Cavalcante e Tantinho da Mangueira. Não os encontramos, se esconderam debaixo de um guarda-chuva, os malandrões. Hoje deixaremos de ser burros e antes de sair rolaremos no gugle, também pesquisaremos em todos os jornais do Rio. Não se escapam. Carlito Dulcemano diz que vai ensina-los a beber. Duvido.

A senhorita Leila Ferro, filha do grande Terguino, arrasou com o Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR). Sob protestos de Clóvis Baixo, como sempre, que chama o Sponholz de nazista. A menina nem aí, diz que o cara é gênio. Pois é, pode ser - responde Clóvis - mas só de um lado. Calminha aí, Baixo, não se meta com a guria.




No Beco do Oitavo as coisas esquentaram, Mr. Hyde, o médico da patota, teve uma crise de raiva, queria incendiar um prédio do governo, antes já tinha dado uma porrrada no diretor do hospital em que trabalha, por deixar pessoas sem atendimento. Algo a ver com o SUS, do cagado do Lula. Estranho, ele sempre foi um cara pacato. A turma o segurou quando se encaminhava ao tal prédio, com cinco garrafas de molotov numa sacola. Coisa mais triste. Depois, já com Hyde em casa, medicado, rolou trago e samba.

Escolheram o Pater, da A Tribuna (Belo Horizonte, MG).



O Botequim do Terguino, com os boêmios inicialmente preocupados com Mr. Hyde, do buteco irmão, fechou com o Jorge Braga, de O Popular (Goiânia, GO).

sábado, 28 de enero de 2012

Recado a Aldir Blanc, Hermínio Bello de Carvalho, Luiz Melô e Rildo Hora

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Desde menino sou fascinado, hipnotizado, por Pedacinho do céu. Também irei desta para melhor (Melhor?, duvido) ao som do clássico do Waldir Azevedo. Pois não é que neste sábado chuvoso em Copacabana, bebendo um pote de líquido verde, me veio a idéia. Como fui burro, meu Deus, em não ter pensado nisso antes.

Uma outra letra para o choro, composta, mano a mano, por dois caras que tanto admiro, para mim maiores em tudo: Aldir Blanc e Hermínio Bello de Carvalho. Longe de sugerir deslustre, nada a ver, ora bolitas, à belíssima letra original, de época, puro amor.

Novo instrumental, sem abrir mão do solo de cavaquinho. Lá pelas tantas, a repentina puxada de blues do intérprete. Sax alto invadindo a noite, trombone de vou tomar todas, guitarra, o diabo!

A cruza das loucuras do Aldir e do Hermínio não é por acaso, obviamente. Aldir, que sabe tudo, com a sensibilidade que embriaga, machuca. Hermínio, que também sabe tudo, com a sensibilidade que sorri, alegra. E não sonhei esse sonho para subestimar os astros. São incandescentes, poetas, um pode ser o outro, o outro pode ser o um, se der na telha, o momento. Almas de amor.

Uns malucos de amarrar!, cá entre nós.

Claro, os grandes vultos só admitiriam que Luiz Melodia gravasse, inicialmente. Duvido que o Luiz não aceite o desafio.

Também duvido que a família do Waldir não adore a idéia, o choro teria duas letras, de caminhos diferentes, ao cabo de mais de cinquenta anos. La Cumparsita tem duas (ou três?), e não é caso único. Hora de todos deixarem a grana de lado (assim até acaba vindo...). Por falar em hora, para ficar no mano a mano, Rildo Hora produz. Quero ser um cachorro se o Rildo não topar. Cachorro não, pobre bichinho querido, político soa melhor para a horrível promessa, quero ser um político do PMDB.

Peito n'água, gente, a proposta exige fôlego, coragem. Se cada um, em casa, tomar umas pingas e chegar a um "Por que não?" meio sem vontade, está feito! Teremos algo divino!

Desde já abro mão de qualquer "direito" inexistente (hoje em dia o que tem de gente querendo se escalar no talento alheio), em favor da Casa do Artista. Se sobrar, mandem algum a eles.

Y así pasan los dias. Antes de voltar a Porto Alegre, preciso muito descobrir onde se meteram, sob chuva, Moacyr Luz e Gabriel da Muda.

Salito.

CEF na charge do Dias, e os incompetentes e ladrões

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Para um sábado, dia em que costuma dar uma aliviada, a turma pegou forte. Nada de sossego aos vagabundos e ladrões, isto é, aos políticos e seus lacaios instalados em belas poltronas de estatais. Gabinetes de 500 metros quadrados, escravos baixando a cabeça à passagem do "dotor", carro à prova de balas, batedores, seguranças. Uns incompetentes absolutos, baba ovos, vivendo como reis. Nenhuma serventia, exceto para uma coisa: o que são de espertos em técnicas parasitárias, meus irmãos... e dê-lhe a meter a mão.

Por falar nisso, o blog Ainda Espantado convoca algum jornal menos comprometido com a sacanagem, se é que existe algum que não mendigue anunciantes oficiais, a fazer o retrato minucioso, os nomes dos lacaios e de seus padrinhos, os partidos, os cargos que ocupam, os nomes das empresas, tudinho sobre a ralé de patrunfos, esmiuçando o que fizeram e a quem beneficiaram, em todinhas as empresas do governo, mapa completo. Certamente começaria a cair o véu de hipocrisia da nossa sociedade. 

Começando pela Caixa Federal. Por falar nisso, outro dia vomitamos muito, ao ver numa instituição financeira estatal um patrunfão de diretor vice-presidente de sei lá o quê. Alguém pode me dizer porque se precisa de um sujeito desses, um dinossauro, acaso os técnicos da entidade são assim tão fraquinhos, burrinhos, e necessitam do luminoso cérebro desse ser horripilante? Ou ele é diretor de porra nenhuma (Taí: direpone). Não, o dedinho dele deve mexer alguns pauzinhos. O Partido é que precisa, e para quê mesmo precisa, para ajudar ao povo?

Por favor, nobres leitores, controlem-se, nada de vômito agora, é sábado, as crianças querem sair, a patroa pensa naquele passeio ao luar, depois do assalto na compra do material escolar, comprando antes sai por menos . À noite, depois do passeio, quem sabe a pizzaria do portuga, hummm, o uisquinho de entrada, depois portuguesa e quatro queijos, atum e calabresa, chocolate para a meninada ao final.

Dilminha: se ainda me preza e me respeita um tiquinho, quem sabe me manda aquele mapa do empreguismo dos bichos parasitus, bois ladrões, já redesenhado, o do Dirceu foi para as cucuias, mas suspeito de que não mudou muito...

E por aí vai: Banco do Brasil, Petrobrás, Eletrobrás (aqui dizem que de ascensorista para cima são todos capangas do Sarney), etc, etc, e etc.

O Beco do Oitavo ficou com o Zop.




Os boêmios do Botequim do Terguino fecharam com o Xalberto.



E a coordenadora, Srta. Leila Ferro, escolheu a obra do Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG).


viernes, 27 de enero de 2012

Waldir Azevedo

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Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 27/1/1923 - São Paulo, 20/9/1980). Clicando no nome, os amigos verão mais sobre o grande artista. Naquele dia escrevemos assim:

"Em certo momento entra no palco do lindo e lotado teatro aquele homenzarrão, óculos semi-escuros, com um instrumentinho desconhecido na mão. Silêncio nos tambores. Ele desajeitado caminhando à procura do banco. Os franceses acharam que era um palhaço, e riram muito, uma festa de gargalhadas e aplausos".



Pedacinho do céu.

A charge do Dias

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Hoje o atraso é culpa nossa. Feriram Kafil, quando se deslocava, com mais seis companheiros, até a Rodoviária de Florianópolis para buscar o novo habitante da palafita, o haitiano Aristide Salazar, da velha ilha Hispaniola das Caraíbas. Aristide e toda a sua família saíram sem um arranhão, a turma protegeu a Van onde o tinham colocado, as boas vindas ficaram no tórax de Kafil, uma venceu o colete. Aristide pegou dois deles, à cem metros.

Antes do amanhecer Mr. F. Febraban terá la vuelta, mui amarga, pedi a Carlito Dulcemano para que seja ao triplo. Se bem o conheço, fará ao sêxtuplo.

Em Porto Alegre, felizmente, tudo está muito bem, os bandidos, protegidos por gentes de farda, foram repelidos a 8 Km da palafita.

Enfim, às obras.

No Beco do Oitavo, Lúcio Peregrino chegou contando ter sonhado com os nazistas da Opus Dei. Não deu outra, todos o acompanharam na escolha da charge do Luscar 



No  Botequim do Terguino foi muito discutida uma charge do Nani, onde prédios ao desabarem formam monturos de pedras, e ao lado políticos se transformando em merda. Resolveram guardá-la para outro dia, por ora homenagearam os boçais que conduzem municípios como o Rio de Janeiro. O boçal do Rio é aquele bundão, bobo alegre, feliz por iludir incautos, que, com o Lula, atacou covardemente uma criança de vila que lhes disse algumas verdades.

Eu vi o desabamento, gente, no Rio, eu vi, estávamos próximos ao Amarelinho.
 
A obra é do Oliveira, do Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS).
 
 
 
Leiloca escolheu o Xalberto. O que é isso, guria? Já sabe dessas coisas?
João da Noite acrescenta que galos fazem sexo com aquela partezinha do corpo, além de dormirem empoleirados num pau. Na verdade, Leiloquinha, são uma tropa de covardes que se juntam, pois sozinhos são nada. E se juntam para ameaçar com o mal, como ocorre nas escolas, aqueles grupinhos, você sabe. Na política, falta alguém que calce o pé na macega, que eles se desmancham sozinhos, derretem, os merdas, saem em disparada campo afora, mortos de medo, levando cerca de arame nos peitos.
 
 
 

jueves, 26 de enero de 2012

Por falar em Durval Ferreira

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Por falar em Durval Ferreira achamos um velha canção, interpretada por Ela, a Clara Nunes, como marcha-rancho.

O pessoal da Rua D'Aurora sabe do que se trata.

Y así pasan los dias.

Durval Ferreira

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Pois é, hoje Durval Inácio Ferreira faria 77 aninhos (Rio de Janeiro, RJ, 26/1/1935 - 17/6/2007). Mas hoje não vamos falar em partida, outro dia ficamos de alma cortada ao mencionar como o jovem macedônio se foi. Uma droga, o cara que inventou esse negócio de morrer merece, como castigo, ser amigo de pessoas como o Sarney e o José Dirceu.

Vai um samba, bossa nova, que compôs em parceria com Maurício Einhorn e Bebeto Castilho. Uma Tristeza de nós dois de um Rio de Janeiro que amamos, ai que saudade do Luna Bar.

O iutiúbe é limitado, como sabemos  (e não tardará para um filho da puta do partido do Alquimim Opus Dei vir com uma lei Pipa para fuder os pobres do Jacarezinho que ainda tentam ouvir algo que preste sem pagar horrores), noves fora a invasão americana da grobo, então o que temos é uma postagem que acaba mal, mas o traz vivo.

Tintim, Durval. Valeu e vale!


A charge do Dias - O animal que alimentei

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Como estamos longe de Porto Alegre, somente podemos imaginar o que se passa na rede de mercearias Zaffurtari. Bem, cremos que o Dalcio, do Correio Popular (São Paulo, SP), sabe o que faz, abrange o país inteirinho. A escolha foi dos pinguços do Beco do Oitavo. Pinguços, mas otários não, como costuma dizer João da Noite.




Consta que no Botequim do Terguino hoje a indignação foi grande. Recordaram de um babaca deslumbrado que dizia, na maior cara de pau, que o nosso sistema de saúde é de primeiro mundo. Ele mesmo, o Lulalalé, que depois correu todo cagado para um hospital de ricaços, quando se viu apertado, pela sete, na reta pela mão da vida.

E... deixa assim.

A turma fechou com o Sinfrônio, do Diário do Nordeste (Fortaleza, CE).




E miss Leila Ferro escolheu a obra do Mário, da Tribuna de Minas (Belo Horizonte, MG). Essa garota está ficando esperta.




miércoles, 25 de enero de 2012

Toše Proeski

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Todor "Toše" Proeski (Prilep, Macedônia, 25/1/1981 - Croácia, 16/10/2007). Tesouro nacional de seu pais, que sempre lamentará o trágico acidente que o levou.


Tom Jobim

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Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim completaria 85 anos no dia de hoje. O lembramos com um cantor de verdade, o velho boêmio, em antiga interpretação da sua Insensatez (parceria com Vinícius).




A charge do Dias

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A Srta. Leila Ferro, jovem coordenadora dos merengueados do Beco do Oitavo e do Botequim do Terguino, escolheu novamente uma obra do Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).



Os boêmios do Beco do Oitavo ficaram com o Aroeira.



Os pinguços do Botequim do Terguino também não aguentaram o terror da extrema-direita católica (Opus Dei e TFP?), e vieram com o Bira.


martes, 24 de enero de 2012

As postagens mais vistas

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As visualizações do blog são bem distribuídas e vêm de todas as partes do mundo, como acreditamos que ocorre com todos os blogs. Entretanto algumas postagens são mais vistas, no mais das vezes surpreendendo os escribas da palafita.

Elizeth, Waly, Jards, Luiz Melô... liderava folgadamente, e eis que chega o verão. A postagem homenageando o "inimigo" nº 1 do blog disparou e passou à frente.
Abaixo, as dez mais vistas:

A praia do Hans

11/01/2011, 4 comentários 565 Visualizações de página

Elizeth, Waly, Jards, Luiz Melô...

07/05/2011 549 Visualizações de página

O Lado Negro

09/07/2011, 1 comentário 536 Visualizações de página

O Código Florestal, uma bundona e um bundão

25/05/2011 390 Visualizações de página

A Rede Subterrânea

09/07/2011, 1 comentário 375 Visualizações de página

Refresco com Marisa Monte

15/10/2010 264 Visualizações de página

A Charge do Dias - De Aroeira

27/08/2011 243 Visualizações de página

Charlie Chaplin

15/04/2011, 2 comentários 157 Visualizações de página

A Diva de Salvador Dali

11/12/2010 151 Visualizações de página

Banda DK na Rua do Perdão

05/03/2011, 2 comentários 140 Visualizações de página

A charge do Dias

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Trocando em miúdos, o Botequim do Terguino escolheu a belíssima obra do Gió. Como diz João da Noite: "Se é para arrancar a qualquer preço o dinheirinho da massa ignara, através de concessão estatal, por que não se fundem de uma vez com a Universal?". Pois é, fundindo os métodos, teríamos algo novo, não essa mesmice de assalto.



O Beco do Oitavo ficou com o Mariano.




A senhorita Leila Ferro fechou com o Cazo, do Comércio de Jahu (Jaú, SP).


lunes, 23 de enero de 2012

A charge do Dias

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O Beco do Oitavo de novo escolhe o Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponto Grossa, PR). Já estamos curiosos para ver as charges desse artista ao tempo em que a gangue da privataria, nela os brutamontes da ARENA, governava. Se alguém tiver a coleção, que nos envie.

O Botequim do Terguino ficou com o Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS).




A Srta. Leiloca fechou com o Luscar.


domingo, 22 de enero de 2012

Carmelo Pagano

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A pedido da amiga Messalina Galinhasteu, lembramos o cantante italiano Carmelo Pagano (Palermo, 10 de setembro de 1946).

Aqui com L'amore se ne va, de 1966 (A. Morina - G. D'Ercole - P. Melfa).

Martinho da Vila, para Leonel Brizola

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Pela manhã fomos torrar no sol, andando pela orla do Leme ao Leblon, exceto Juanito Diaz Matabanquero, que disse que isso é coisa de doido e ficou tomando cerveja no quiosque do Antônio. Claro, fomos devagar, com muitas paradas para molhar o bico. Na volta, topamos com Juanito e 24 cascos de cerveja sobre a mesa, ele absorto nas folhas do jornal O Dia.

E nas páginas de O Dia encontramos o espetacular artista e cidadão Martinho da Vila, glória nacional, com o mesmo recuerdo que teve João da Noite lá em cima. Fomos às lágrimas. A falta que faz o seu Brizola... com a sua partida, os torpes ganharam espaço no seu partido, ao ponto de declararem amor aos cargos, ora, vejam só, eu te amo?

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Para Leonel Brizola

Por Martinho da Vila



Rio - Desde menino, sou encantado pelo Rio Grande. Quando se fala assim, entende-se que trata-se do Estado do Sul, imenso, muito maior que o do Norte, que é pequeno. Eu estudava na Escola pública Rio Grande do Sul, um estabelecimento de ensino padrão do bairro Engenho de Dentro, e o encantamento começou em um livro que ganhei, entre outros prêmios, por ter vencido um concurso de redação. Casei-me com uma gaúcha e tenho o honroso título de Cidadão de São Borja.

Já fui tema de desfile da E. S. Imperatriz de Porto Alegre e depois do próximo Carnaval, a Cova da Onça, escola de Uruguaiana, vai me homenagear duas vezes. Falei “depois do Carnaval” porque, em Uruguaiana, o reinado de Momo tem um calendário diferente e neste ano será nos dia 9, 10 e 11 de março. O samba-hino foi feito pelo Tunico Ferreira, meu filho, sem eu dar nenhum toque. A Vila já cantou o Rio Grande do Sul no enredo Glórias Gaúchas e eu fiz o samba. “Desfila a Vila novamente incrementada/ E desta vez tem Rio Grande na jogada/ Com suas glórias e tradições/ Suas histórias e seus brazões/ Tem gaúcho lá dos pampas que não é de brincadeira/ Estadista de renome já nos deu esse torrão/ Foi rainha da beleza a farroupilha hospitaleira/ É a terra da videira do churrasco e chimarrão/ Vamos cantar gentes do meridião/ Caminhando pela estrada sem espora e sem gibão/ Toma conta do rebanho Negrinho do pastoreio/ Sonha e canta o teu sonho, na viola, o violeiro/ E o gaúcho forasteiro/ Contemplando um céu azul/ Até o norte brasileiro vai cantando uma canção do sul/ Vou-me embora, vou-me embora, prenda minha/Tenho muito o que fazer/ Vou partir pra bem longe, prenda minha/ Pro campo do bem-querer”.

Foi um samba difícil de fazer, porque eu estava sem motivação para criar uma composição ufanista, num período em que a censura estava terrível. A inspiração veio em Manaus. Eu estava jantando e entrou um grupo de gaúchos cantando uma rancheira e, no meio deles, um alegre jovem piuchado. Pra quem não sabe, como o Aurélio, estar piuchado quer dizer ‘ vestido à gaucha’ (NE). De imediato veio à minha mente o último verso “O gaúcho forasteiro, contemplando o céu azul, até o Norte Brasileiro, vai cantarolando uma canção do Sul”. Na mesma noite fiz a cabeça do samba. Foi nota dez e a Vila ficou em quinto lugar, mas fez um dos maiores desfiles da sua história. Leonel Brizola, ao ouvir o samba, lacrimejou. Dedico a ele, grande brasileiro, gaúcho “de quatro costados” nascido em Carazinho. Apaixonado pelo Rio, criou a Passarela Professor Darcy Ribeiro, o Sambódromo, inaugurado no Carnaval de 1984 e, se estivesse vivo, festejaria hoje 90 anos de brasilidade.



NE: É "pilchado", ilustre sambista, mas não me atrevi a atravessar no seu texto, corrigindo, a sonoridade é de fato enganosa. Valeu, sabe muito  de nosotros, ilustres desconhecidos que somos Brasil afora. Ler um texto desses, de um carioca da gema, não tem preço.
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A charge do Dias

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O Beco do Oitavo escolheu a obra do Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR).




O Botequim do Terguino ficou com o Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).



E a Srta. Leila Ferro o Pater, de A Tribuna (Vitória, ES).


Biquini de bolinha amarelinha

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Um clássico da meninada nos anos 60, onde o império ianque continuava a sua grande ofensiva, não contra exércitos inimigos, mas para submeter mentes, com o beneplácito dos vendilhões do Brasil - Globo e os Ratos mostrados em charges aqui quase todos os dias, cobertos ralos e tal. Nesse tempo, tínhamos musiquinhas assim, muito queridas.

O cantor Ronnie Cord (Ronald Cordovil, Manhuaçu, MG, 22/1/1943 - São Paulo, 6/1/1986), filho de um grande maestro, é um caso raro no Brasil: ninguém sabe do que morreu, tão novinho.

O Dicionário Cravo Albin sabe, mas só diz: Morreu prematuramente aos quarenta e dois anos.

sábado, 21 de enero de 2012

Lindomar Castilho

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Lindomar Cabral (21/1/1940, Rio Verde, GO), boêmio da pesada, sincero e amoroso, hoje cumpre aniversário.

Um grande cantor. Temos na palafita a sua gravação de Solo Si Eres Tu em versão como "Só pode ser você", antológica. Doce, sensibilíssima interpretação.

Lindomar começou muito bem, talentoso pacas. Tentem ouvir Solo Si Eres Tu, depois outros boleros maravilhosos.

Um dia, sabe-se lá que diabos se deu, ele caiu em música de puteiro, o nível desceu, tradição goiana, com todo o respeito. Apaixonado de um modo inesperado, rude, certamente. Lembramos o que aconteceu com a sua vida: uma noite saiu do sério num cabaré e deu mais de um tiro numa senhora, sua ex-mulher. A bem da verdade, deu cinco tiros em direção ao palco onde a moça cantava, um a pegou. Outro acertou seu primo, não sabemos ao certo como, o Jornal do Brasil e outros jornais da elite assaltante do povo, ao condená-lo antecipadamente, como se fosse um assassino em série, disseram que em luta corporal a arma foi disparada e seu primo, que era o novo amante, sobreviveu. Uma besteira, imagine, perder a cabeça só porque o primo é amante da ex-esposa recém-separada, sabe-se lá como e quando começou. Besteira mesmo, quando não é com a gente.

Besteira que a imprensa dos ricaços psicopatas esquece, não usa termos chulos para insultar a pessoa que caiu em desgraça, quando o envolvido é um dos seus - elite - como um assassino frio, diretor do Estadão, que mata uma menina covardemente à luz do dia, sem o benefício da longa noite de tristeza, pelas costas, e fica mais de uma década impune. Lindomar teve mais sorte que juízo, ou apontou bem, não sabemos nem queremos saber, mas não atingiu outros músicos e auxiliares de palco, que nada tinham a ver. E daquela boate saiu preso, no ato, sem ninguém que mexesse em cordas de poder para livrá-lo, o que está certo. Errei, pago.

A justiça dos homens o julgou.

O Dicionário Cravo Albin, sempre cioso em revelar certos detalhes da vida dos artistas, alguns escabrosos, no caso do Lindomar fez bem diferente:

Em 1963, foi convidado por Palmeira (Diogo Mulero), então diretor do selo Continental, para gravar um disco. A troca de Cabral por Castilho foi sugerida por Palmeira, e no fim do mesmo ano lançaria o seu primeiro disco: "Canções que não se esquecem", no qual interpretava sucessos de Vicente Celestino. Foi nesse período que gravou também a sua primeira composição, "Aleluia ao amor". É ainda dessa fase um dos seus maiores sucessos como intérprete, "Ébrio de amor", de Palmeira e Ramoncito Gomes. Já pela RCA Victor e visando ao mercado latino-americano, gravou várias músicas em espanhol tais como "Alma, corazón y vida", "Mamaracho" e "Corazón vagabundo", além do LP "Eres loca de verdad", o que o levou a fazer uma série de shows pela América Latina, ganhando o epíteto El Nuevo Ídolo de las Américas. Pelo mesmo selo lançou também "O filho do povo" e "O incomparável Lindomar Castilho". Teve como seu maior parceiro Ronaldo Adriano.

Com 27 LPs gravados, sendo grande vendedor de discos e considerado o Rei do Bolero, apresentava-se constantemente em rádios e na televisão até que em 30 de março de 1981, no Café Belle Époque, no bairro paulistano do Jardim América, assassinou a tiros sua ex-mulher, Eliane Grammont, e tentou matar seu próprio primo, Carlos Randal, então namorado dela. Preso em flagrante e condenado a 12 anos de prisão, em 1988 teve liberdade condicional decretada por bom comportamento. Após longo afastamento, retornou ao cenário musical em 2000, quando lançou pela Sony o CD "Lindomar Castilho ao vivo". De acordo com ele, só voltou a cantar devido aos pedidos da filha. Em 2009, teve a sua música "Camas separadas" (c/ Ronaldo Adriano) gravada pelo cantor Léo Magalhães, no CD/DVD "Léo magalhães - Ao vivo em Goiânia".

Quem escreveu isso que grifamos merece ir para a cadeia. O "assassinou", ele sabe, do modo que escreveu, supõe uma pessoa matar outra pessoa sem liberdade de movimentos, friamente., amarrada talvez. O "próprio", antes do primo, chega a ser ridículo, um falso moralismo com o evidente intuito de denegrir o ser humano. Próprio ou impróprio, cara-pálida, o que isso tem a ver com o peixe? 

Como muito visitamos presídios, ante a inoperância do sistema oficial, e como muito vimos tiros e mortes, aqui não julgamos nem subscrevemos julgamento algum, muito menos absolvemos. Firmes somos, apenas, a vida nos ensinou desde cedo, é de que ninguém erra sozinho.

Desejamos paz e coragem ao grande cantor, que teve sua ruína de vida, e de vida alheia, num momento de desatino. Se existe, que Deus o julgue. Os homens já o puniram, autos à frente.

Aqui com o clássico de Armando Manzanero, Esta tarde vi llover, acompanhado da cantante Carmem Silva.

Feliz Aniversário, Lindomar!



A charge do Dias

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O Beco do Oitavo ficou com o Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).




O Botequim do Terguino com o J. César, do Diário da Borborema (Campina Grande, PB).




A Leiloca escolheu a obra do Pater, de A Tribuna (Vitória, ES).


viernes, 20 de enero de 2012

Mulher

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Hoje, na rua Sá Ferreira, Carlito Dulcemano Yanés, Juanito Diaz Matabanquero, Miquirina Segundo, e eu, vimos uma mulher chorando com raiva sob uma árvore, às 8 da noite. Batia a testa no tronco, sangrando.

Carlito amargurado desviou os olhos e sussurrou "Pobre putchanga, sufre". Juanito revidou: "Pobre nada, tonta". Miquirina e eu seguimos, ele cuidando os lados, eu olhando para a frente, como é de lei. Estávamos a caminho de saber o endereço de um auxiliar de banqueiro.

Bom motivo, a cena da putchanga, para se colocar aqui, novamente, a grande Clara Nunes, com a À Flor da Pele, dela, Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós.



Y así pasan los dias.

Mauro Santayana

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O pensador Mauro Santayana, disparado o melhor analista do Brasil, pela cultura, lucidez, firmeza e erudição a serviço do bem, vem de comentar os ministérios do governo Dilma: os Ministros de Estado e as circunstâncias que os colocaram nessa condição. O blog Ainda Espantado aplaude, como sempre, ao valoroso escriba. Porém, há que se notar a ausência de outros fatos e razões, omitidos pelo grande autodidata, que, se os omitiu, foi propositadamente, enxerga longe. Fatos e razões de brutal reflexo em nossas vidas, na vida do Brasil: estamos falando de um bando, uma súcia, que não puderam defender-se do indefensável, ladrões e covardes, com as exceções que somente confirmam a regra, de nível tão rasteiro como jamais se viu em tempos modernos e democráticos, salvo nos governos que implodiram.

Tratando-se de Mauro Santayana, de todo modo, impõe-se lê-lo: 


A reforma do Ministério e as crises políticas
Getulio Vargas, que, além de seu reconhecido patriotismo, se associou ao exercício do poder executivo como nenhum outro governante brasileiro, via seus auxiliares com ceticismo sábio. Raramente os elogiava, a não ser em situações pontuais, se isso era de interesse político ou administrativo. Sua máxima é conhecida: Todo ministério é um ministério de experiência. Os ministros serviam, enquanto bem serviam ao país, em seu critério de chefe. Quando não serviam, individualmente ou em bloco, substituía-os, sem grandes dramas, a não ser para alguns dos dispensados. Como se sabe, o poder é como o amor: dele ninguém se liberta sem algum sofrimento.

Ninguém consegue governar só, nem mesmo os déspotas mais audazes. Nos sistemas democráticos, ou que assim se identificam, os chefes governam com facções políticas. Essas facções – e sempre foi assim – poucas vezes se formam a partir de escolhas ideológicas sinceras. Organizam-se a partir de razões objetivas, como os interesses econômicos e corporativos, e de sentimentos subjetivos, como os da amizade e do carisma de seus líderes.

Há, no entanto, os casos, frequentes na História, de psicopatia política. Alguns gravíssimos, como os de Nero, Calígula, Hitler e Franco; outros ridículos, além de criminosos, como os de Mussolini, Berlusconi, Salazar e os vizinhos Somoza, Pinochet, Stroessner e Trujillo. Isso sem falar em nossa própria realidade, com Médici, Collor e Jânio Quadros. Mas, nem mesmo Filippo Maria Visconti - o cruel Duque de Milão, tirano em estado puro, como o definiu Elias Cannetti - governava só. Ele, que exerceu o poder de 1412 a 1447, para manter o ducado íntegro, dependeu de seu chefe militar Francesco Sforza, de quem fez genro e sucessor.

Dilma só pode administrar a circunstância que seus antecessores lhe legaram Os historiadores e analistas das causas e razões do poder se dividem na dúvida permanente: governar é ciência ou arte? Mesmo os chefes mais intuitivos dependem de um mínimo de conhecimento para o exercício do poder. Os governantes devem saber mandar. Tancredo recomendava aos seus auxiliares pensar antes de darem uma ordem. Deveriam estar certos de que ela seria cumprida, ou seja, de que o subordinado teria condições de executar bem a missão. Saber mandar é saber escolher – mas nem sempre o chefe de governo tem a possibilidade de nomear a pessoa certa para os cargos. Daí o conselho de Vargas: todo ministro vive uma situação precária em seu cargo, uma vez que são demissíveis ad nutum.

Discutir, neste momento de nossa estação histórica, o desconforto da presidente da República em negociar com um Parlamento eclético e, em grande parcela, alheio aos interesses do povo brasileiro, é ocioso. Ela só pode administrar a circunstância que seus antecessores lhe legaram. E isso, queiram ou não os seus opositores atropelados pela realidade, ela vem fazendo com êxito, dentro dos limites do possível.

Muitos contestam a substituição de tantos ministros que, acusados de corrupção, não puderam, ou não quiseram, defender-se convincentemente dos erros que lhes atribuíam. Esquecem-se de que, mesmo com os escolhos de uma coligação política quase teratológica, ela construiu o governo mediante as consultas com suas bases parlamentares e líderes políticos aptos a recomendarem os titulares do Ministério. Tratava-se, como todos os outros, de um ministério de experiência. Nas últimas semanas, antes da reforma recomendada pelo calendário eleitoral, ela pôde reunir informações e confrontá-las com as razões de Estado e suas próprias razões, a fim de reorganizar o Ministério. Que será, sempre como recomenda a inteligência política, de experiência, passível de ser substituído, no todo ou em parte, e em qualquer momento, de acordo com as circunstâncias.
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A Vale do Rio Doce privatizada

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A notícia abaixo não nos espantou. Que a privataria tucana, por alguma razão fácil de entender (o livro do Amaury mostra um pouquinho), deu quase de graça os ativos construídos com muito suor pelos brasileiros, hoje todo mundo já sabe. Agora temos, em parte, o resultado da façanha.

A matéria é da repórter Verena Glass.

Vale disputa prêmio de pior empresa do mundo


Do penúltimo lugar, transnacional brasileira passou a disputar a liderança com a japonesa Tepco na disputa Public Eye Award. Votação vai até o dia 26.
 
Uma das maiores transnacionais brasileiras, a mineradora Vale, presente em 38 países nas Américas, África e Ásia, pode receber, no final de janeiro, um dos principais prêmios internacionais da vergonha corporativa. Escolhida entre dezenas de candidatas, a Vale está entre as seis finalistas do Public Eye Award 2012, que concede anualmente o título de pior empresa do mundo a uma corporação, eleita em concurso internacional por voto popular, durante o Fórum Econômico Mundial na cidade suíça de Davos. Do quinto lugar na primeira semana de votação do premio, lançado em 5 de janeiro, a Vale assumiu a liderança pela primeira vez na tarde desta sexta-feira (20).
Clique AQUI para acompanhar a votação (em inglês).
 
De acordo com os organizadores do concurso – as ONGs Declaração de Berna e Greenpeace Suíça -, as empresas finalistas são escolhidas em função da gravidade dos impactos e problemas sociais, ambientais e trabalhistas decorrentes de suas atividades. Além da Vale, concorrem este ano a japonesa Tepco, empresa do setor de energia responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, a britânica Barklays, complexo bancário envolvido em especulações mundiais sobre preços dos alimentos, a americana Freeport Mcmoran, mineradora com atuação desastrosa em Papua Nova Guiné, a sul-coreana Samsung, multinacional acusada de expor seus trabalhadores a substancias altamente tóxicas, e a suíça Syngenta, produtora de agrotóxicos banidos em muitos países e responsável pela contaminação de centenas de lavouras com espécies transgênicas.
 
A rápida subida do quinto para a disputa pela liderança na corrida do Public Eye se deve, segundo a Rede Justiça nos Trilhos, organização que indicou a empresa, a dois fatores em especial: por um lado, a abrangência mundial dos impactos da Vale, que levou à criação de uma Rede Internacional de Atingidos pela Vale – com grande poder de mobilização e votação -, e, por outro, a entrada da empresa no Consórcio Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, em 2010. “A imagem negativa de Belo Monte no Brasil e no exterior foi um fator decisivo na escolha da Vale para o Public Eye, mesmo porque ela entrou no Consórcio da usina como um tipo de salvadora e maior acionista privada, com 9% das ações, depois que a grande maioria das outras empresas abandonaram essa barca furada”, explica Brent Millikan, coordenador da ONG International Rivers, parceira na indicação da Vale.
 
Em conjunto com o Movimento Xingu Vivo para Sempre, principal opositor da usina de Belo Monte no Pará, a Rede Justiça nos Trilhos, sediada no Maranhão, divulgou uma lista de impactos da mineradora no Brasil e no mundo (disponível no hotsite http://xinguvivo.org.br/votevale/). Entre os piores problemas causados pela empresa, destaca a Justiça nos Trilhos, estão os impactos causados pela Ferrovia Carajás, que corta 25 municípios e impacta 94 comunidades do Maranhão e do Pará. “De acordo com dados da Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) de 2008, calculamos que os trens da Vale atropelam e matam, em média, uma pessoa por mês. Em 2007, por exemplo, foram contabilizadas 23 mortes. Em 2008, foram nove vitimas fatais e 2.860 vítimas de acidentes”, explica Danilo Chammas, advogado da organização.
 
Nesta quarta (18), Chammas, que mora em Açailândia, no Maranhão, saiu cedo para Buriticupu, município a 200 km de lá, para dar entrada em mais uma ação de indenização por atropelamento. “O trem da Vale matou o Sr. Amario e deixou a D. Antonia viúva e desamparada. D. Antonia já tem lá os seus 60 anos, tem uma vida muito sofrida, anda doente, a casa dela caiu... ela mora em um dos mais de 90 povoados que beiram essa ferrovia. Para chegar lá, só por estrada de terra, é bem complicado, sobretudo nesse período de chuva. Amanhã ela pega um pau de arara, vamos nos encontrar na cidade mesmo e vamos ver como encaminhamos o pedido de indenização pela morte do marido”, conta o advogado.
 
Além das mortes e acidentes, os impactos da ferrovia incluem trepidação e rachaduras nas casas; remoção compulsória de famílias ou apropriação de parcela de seus lotes pela Vale; interdição da realização de roças próximas à ferrovia; poluição sonora; danos às estradas vicinais causados por veículos de grande porte; chegada de um grande número de operários do sexo masculino, colocando em risco adolescentes em situação de vulnerabilidade social, entre outros.
 
Segundo Chammas, estes problemas tendem a piorar com o novo projeto de duplicação da estrada de ferro, em andamento. De acordo com o projeto apresentado ao Ibama, a Vale prevê a remoção, ao longo da ferrovia, de 1.168 “pontos de interferência”, como cercas, casas, quintais, plantações e povoados inteiros. Na quinta-feira (19), moradores afetados e representantes de movimentos sociais fizeram uma manifestação paralisando as obras. A estrada vicinal ocupada foi liberada no final da tarde de ontem.
 
A Rede Justiça nos Trilhos tem denunciado formalmente a ilegalidade do processo de licenciamento das obras, que já chegou a ser embargada pela Justiça em um de seus trechos, em Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal em defesa dos direitos de comunidades quilombolas impactadas.
 
“Temos ainda uma infinidade de outros impactos, ambientais, sociais e trabalhistas, na nossa lista de denúncias. No Canadá, por exemplo, onde a Vale comprou a mineradora Inco, os trabalhadores fizeram uma greve recorde de 18 meses em função da exigencia da Vale de que os trabalhadores abrissem mão de direitos historicamente conquistados pela luta de diversas gerações. Em Moçambique, na ultima semana 700 famílias bloquearam a linha férrea e paralisaram o escoamento do carvão da mina de Moatize, da Vale, em protesto contra a falta de diálogo e as promessas não cumpridas durante as remoções forçadas que estão sofrendo desde 2009, por iniciativa da empresa”, afirma Chammas.
 
No inicio desta semana, a Rede Justiça nos Trilhos e o Movimento Xingu Vivo reforçaram a campanha pela votação na Vale, que segue até o dia 26, quando será anunciada a vencedora do Public Eye Award 2012. “Para as milhares de pessoas que sofrem com os desmandos desta multinacional brasileira, que foram desalojadas, perderam casas e terras, que tiveram amigos e parentes mortos, que sofreram perseguição política, que foram ameaçadas por capangas e pistoleiros, que ficaram doentes, tiveram filhos e filhas explorados/as, foram demitidas, sofrem com péssimas condições de trabalho e remuneração, e tantos outros impactos, conceder à Vale o titulo de pior corporação do mundo é muito mais que vencer um premio. É a chance de expor aos olhos do planeta seus sofrimentos, e trazer centenas de novos atores e forças para a luta pelos seus direitos e contra os crimes cometidos pela empresa”, diz a convocatória das entidades.

A charge do Dias

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O Beco do Oitavo escolheu a obra do Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS).




O Botequim do Terguino ficou com o Renato, de A Cidade (Rio Preto, SP).



A Srta. Leila Ferro optou pelo Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).


jueves, 19 de enero de 2012

Luiz Airão

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Pois ontem Luiz Gonzaga Kedi Ayrão (19/1/1942 - Rio de Janeiro, RJ) teve seu último dia de 69. Hummm...

O que queremos dizer é que hoje o grande cantor e compositor completa setentinha.

Aqui com a sua Lobo da Madrugada.

Parabéns, Luiz! Tintim.



O Irã, o estreito e a guerra

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Por Mauro Santayana

Uma guerra raramente é desencadeada por um só motivo. Quando o desentendimento entre duas, ou mais nações, se faz em torno de uma razão solteira, é mais fácil administrá-lo, mediante pacto de concessões diplomáticas recíprocas, ou ajuste de convivência, enquanto o tempo amadurece a questão para a solução definitiva – na maioria das vezes, pacífica. Quando os desentendimentos se multiplicam, os esforços devem ser maiores, e é raro que tragam a paz. O problema do Irã é um deles.

O país, em sua posição geográfica estratégica na Eurásia, teve a sorte e a desventura de possuir grandes reservas petrolíferas que passaram a ser, a partir da segunda metade do século 19, a matéria básica de todo o desenvolvimento econômico, do poder político decorrente, e da construção e manutenção dos grandes exércitos. Hoje, o Irã detém a terceira maior reserva mundial do óleo (137 bilhões de toneladas, 9,9% do planeta), com a produção de 4,245 milhões de barris diários, 5,2% da produção mundial, e é o quarto produtor do planeta, e o segundo da Opep, logo depois da Arábia Saudita. É o terceiro exportador mundial. O primeiro é a Arábia Saudita; e o segundo, a Rússia.

Com a ocupação do país pelos ingleses e soviéticos, em 1941 – a fim de impedir a aliança de Teerã com os nazistas – se iniciou o processo de entrega do petróleo aos interesses dos aliados ocidentais. Sob a forte influência de velho líder nacionalista, Mohamed Mossadegh – que se opunha tanto aos ingleses quanto aos soviéticos -, a exploração do petróleo, que era feita pela Anglo-Iranian (British Petroleum), foi nacionalizada em 1951. A reação inglesa foi a mesma que se anuncia hoje contra Ahmadinejad: o boicote ao óleo do país. Dois anos depois, em 1953, em complô promovido, organizado e dirigido pela CIA e pelos serviços britânicos, o primeiro-ministro foi deposto e condenado à prisão por “traição”. Cumprida a pena, permaneceu em detenção domiciliar até sua morte, em 1967.

O Irã se tornou, durante os 25 anos que se seguiram ao golpe da CIA, dócil servidor dos Estados Unidos e firme aliado de Israel. A ostentação do xá era um escárnio diante da miséria em que vivia a maior parte do povo. Em outubro de 1971, o soberano ofereceu uma festa de três dias em Persépolis. Era a comemoração dos 25 séculos da monarquia persa - de que seu pai e ele foram usurpadores. A mais rica festa do século, oferecida ao jet-set internacional, custou mais de 300 milhões de dólares de então (que seriam 3 bilhões em nossos dias). Entre outras extravagâncias, os 3 mil convidados consumiram uma tonelada de caviar. Em 1979, sob o comando do aiatolá Khomeini, exilado em Paris, uma revolução popular depôs definitivamente o xá, e o regime passou a ser dominado pelos islamitas.

A mobilização da guerra contra o Irã é também instigada pelo governo de Israel. Israel é o único país, na região, a dispor de armas atômicas em quantidade suficiente para destruir toda a infraestrutura dos vizinhos que o circundam e dizimar sua população. Ora, se o Irã vier a construir seu artefato nuclear, essa vantagem estratégica de Tel-Aviv se reduzirá consideravelmente. Daí o seu esforço em conseguir que os norte-americanos e europeus invadam o Irã e destruam o poder dos aiatolás.

As provocações contra Teerã se intensificam, com o assassinato de cientistas que trabalham em pesquisas nucleares. Tenham sido cometidos por agentes da CIA ou do Mossad, pouco importa: são atos terroristas, cometidos em território sob a soberania de outros povos, como foram o assassinato de Bin Laden e o de cidadãos norte-americanos no Iêmen, por ordem direta de Barack Obama.

Teerã insiste em seu direito de desenvolver pesquisas nucleares e diz que seu objetivo é pacífico. Ainda que o seu propósito fosse o de se defender contra o vizinho que já dispõe das armas atômicas, seria uma violência negar-lhe essa ação dissuasiva. Desde que os americanos explodiram a primeira bomba em Los Álamos, a corrida pela nova arma se iniciou - e não é provável que termine antes que a sua produção se universalize. Assim foi com a pólvora e os canhões, e nada indica que seja diferente no futuro. Enquanto houver o ânimo saqueador de alguns, a defesa será sempre legítima.

Em resposta às represálias econômicas, propostas pelos países europeus, apoiadas por Washington, entre elas o boicote ao petróleo do Irã, o governo de Teerã ameaça fechar o Estreito de Ormuz. A primeira consequência seria o encarecimento do petróleo. A medida reduziria drasticamente o abastecimento da Europa, do Japão e dos Estados Unidos com o óleo do Golfo. É improvável que outras nações não se mobilizem no apoio a Teerã. Aos russos não interessa, de nenhuma forma, o desequilíbrio estratégico em suas fronteiras. Aos chineses, que já começam a ter suas naves frequentando os mares, entre eles o Mediterrâneo, tampouco. É esse perigo que pode, talvez, adiar o conflito. Não convém aos Estados Unidos empenhar-se em uma guerra poucos meses antes de eleição presidencial. Tampouco interessa à China, nem à Rússia, comprometerem-se em um confronto que pode reacender o patriotismo norte-americano neste momento em que o país se encontra em declive. O melhor, enquanto isso for possível, é deixar a Águia serenar o seu voo e recolher as garras.


A charge do Dias - Aqui não tem homem!

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Desde o Rio de Janeiro, Salito pede encarecidamente para colocarmos uma charge de sua escolha. Pelo jeito ocorreu aquele "tirou daqui". Certo, amigo, ouvida a Srta. Leila, que concordou, mas só desta vez... A charge é do Tiago Recchia, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).




O Beco do Oitavo fechou com o Sinfrônio, do Diário do Nordeste (Fortaleza, CE).




O Botequim do Terguino ficou com o Santo.




E a Srta. Leila Ferro abraçou a obra do Regi.



E assim passam os dias.
João.