sábado, 30 de abril de 2011

Y una hermana mui hermosa

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E caiu a noite em Porto Alegre. Sim, Mr. F. Febraban, estou aqui, e vi o lucro do Señor Santander, esse agiota teu protegido, e da Dilma e Lulito Deslum. Enquanto você afana, ela se liga na suruba de Belo Monte, aos abraços com o Sarnoso.

E, bem..., chega.

Carlito Dulcemano está impossível. Sem pronunciar uma palavra, de repente jogou uma garrafa de vinho no vídeo de uma das televisões lá do térreo, em seguida foi no lugar certo e pegou uns plásticos. Depois disse que o príncipe é hipócrita e boiola, vestido daquele jeito, e urrou de nojo dos escravos dessa gentalha. Saiu aos atropelos. Só faltou a camisa listrada.

O pessoal se alvoroçou, com medo de que Carlito estivesse de novo a fim de explodir os imici Donald, ou McGraxas, como prefere João da Noite.

Nem me mexi. Sei o que vai fazer. Tentar impedi-lo só louco.

Quase lá na rua, gritou: me cubra! Não me mexi. Ora bolas, coberto está.

Juanito Diaz Matabanquero foi ao cerne: "Se a Ju Betsabé não aparecer logo, esse doido vai acabar explodindo a cidade toda".

Vinho rolando, eu com um humor dos diabos, como se viu antes, por causa de Dolores, conheço a morena pelo andar, quer encrenca logo com quem. 

Meu primo ilumina o sábado. Liga da Espanha para dizer que está legal, dos cobres nem tanto, o chorão, e diz que o Coberto Ralos Lágrima Falsa o convidou, pagando bem, para um show a dois.

Não me mexi mesmo, paralisei. Pensando bem, está perdoado antecipadamente, todos precisamos do maldito dinheiro, mas corri ao banheiro vomitar só de imaginar Dieguito fazendo dueto com aquela múmia.

Vai uma milonga mui conocida (Atahualpa, o francês...) com o primito Diego Salazar, El Cigala, orgulho de Espanha.

Abrazo, loco!

Nem vermelhos ficam

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O que vai abaixo um dia foi bolero de prostíbulos (21 e eu espiávamos, um mais tremido que o outro, varas verdes).

Coisa muito antiga. Lindo o bolero. Hoje toca com marrons e apagados peludos.

Pois achei muito bom. O samba canção é clássico.

É tempo de nossas crianças saberem que os caras que andam com carro à prova de balas, que a globo e congêneres, não passam de uns mentirosos, covardes. É tempo de se analisar o que ensinamos em casa para as crianças. O prostíbulo é na rua.

Filhotes do McGraxas e do som, e do medinho do cagado Rambo, ficção para amedrontar. Para se falar em robôs nanicos, antes teríamos que falar dos pais. Ui, ai o iutiu.

Conheço um neguinho amigo que desde que nasceu quer atolar o punhal no Rambo. Eu digo não vale a pena, periga o cara fazer nas calças. Ficou triste quando lhe contei que ele não existe, mas que temos um pelotão de selva, na Amazônia, do glorioso Exército Brasileiro, que são fantásticos com arma branca e tudo o mais.

Ia falar dos donos das distribuidoras, todas norte-americanas, mas chega de ladroagem e submissão por hoje.

Só gravam depois que cai em domínio público.

No Brasil, 70 anos.

O Waldick ilustra a música (falei outro dia dele), gravou com a guampa paga.

Alguém sabe me dizer o autor do bolero cabareteiro?

Crime por crime, ao ouvir Waldick me passa a vontade de dar um tapa no rosto dos marrons e xiriris. Com as costas da mão, como se bate em corno manso. Com reflexo nos dejetos políticos do Ministério da Educação, plá!.

Abraço, Waldick!












Raul Sampaio - Lembranças

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Raul Sampaio Cocco (Cachoeiro de Itapemirim, 6 de julho de 1928) é único no Brasil, um Raul da boemia e da emoção, sem lágrima falsa como certo conterrâneo seu.

A alma boa de Cachoeiro mora na casa do Raul, dos seus parceiros. No seu coração.

Raul é... Raul Sampaio. Eterno na boemia, na doce amargura, numa dorzinha que pode ser singela ou avassaladora, perfume ou sangue, mas sempre primando pelo amor. Um dos maiores artistas do Brasil.

Eu lembro, recordo, tenho lembranças, de ouvir em espanhol uma música linda, linda, com Los Viñales, naquelas madrugadas dos invernos da minha infância, esperando o pai chegar, as meninas dormindo,  e eu achava que a música era uruguaya.

Era do Raul Sampaio (com Benil Santos). Nas rádios de "Brassil",  só tocava róqui.

Descobri muito depois daqueles meus 10 anos, que o original era Lembranças, de um brasileiro do Espírito Santo. Explico melhor: pedi para uma rádio tocar, e falei que não me lembrava a autoria, e a locutora me ofereceu e disse, lendo os sumidos créditos do LP.


jueves, 28 de abril de 2011

Bares da Cidade

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Hoje Paulo César Francisco Pinheiro ( Rio, 28 de abril de 1949) faz aniversário.
Poeta, letrista, autor que é de momentos raros da nossa música, com mais 1.100 peças gravadas, o "filho" de Nelson Cavaquinho dispensa apresentações. A boemia..., o bom gosto...
Este samba (com João Nogueira) por muito tempo foi hino aqui da gente.
Bem..., ainda é.
Parabéns, Paulo!
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martes, 26 de abril de 2011

Noções da cobiça, ou A técnica da escravidão (1)

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E se o Império perder os dentes?

Por Alfred McCoy e Brett Reilly, original em Tomdispatch, tradução Coletivo Vila Vudu, pinçado do Outras Palavras

Num dos mais bem-vindos movimentos das forças da história, a justaposição de dois extraordinários eventos deixou a nu a arquitetura do poder global dos EUA, e todos afinal podem vê-la. Em novembro do ano passado, WikiLeaks fez chover sobre o mundo quantidades diluvianas de telegramas diplomáticos, recheados dos mais abusivos comentários formulados por diplomatas dos EUA sobre governantes de todo o planeta, da Argentina ao Zimbabwe, e estampados nas primeiras páginas dos jornais. Em seguida, poucas semanas depois, o Oriente Médio explodiu em manifestações pró-democracia e contra ditadores, muitos dos quais aliados íntimos dos EUA, alianças sobre as quais os telegramas publicados por WikiLeaks não deixam dúvidas.

De repente, viu-se o esqueleto da ordem mundial construída pelos EUA e que depende significativamente de líderes nacionais que são “elites subordinadas” fiéis a Washington, mas que, de fato, não passam de bando sortido de autocratas, aristocratas e militares ditadores. Quando se viram os aliados, viu-se também a lógica mais ampla que preside todas as decisões de política exterior dos EUA ao longo de meio século.

Por que a CIA se arriscaria, em 1965, no auge da Guerra Fria, em operações como derrubar líder prestigiado como Sukarno na Indonésia? Ou por que encorajaria o assassinato do católico Ngo Dinh Diem em Saigon em 1963? A resposta – à qual afinal se chega agora, graças às publicações de WikiLeaks e ao “despertar árabe” – é que nos dois casos tratava-se de subordinados selecionados por Washington, os quais, de repente, insubordinaram-se e se tornaram descartáveis.

Por que, meio século depois, Washington trairia todos os seus princípios democráticos declarados e apoiaria o presidente do Egito, Hosni Mubarak, contra milhões de egípcios nas ruas, só para, quando já não havia como mantê-lo no comando, indicar para substituí-lo, pelo menos no primeiro momento, o seu chefe de segurança Omar Suleiman, conhecido como chefe dos serviços de tortura que eram arrendados aos serviços de tortura de Washington? A resposta é que os dois eram também subordinados selecionados por Washington, que serviam bem aos interesses dos EUA em Estado considerado chave no Oriente Médio.

Em todo o Grande Oriente Médio, da Tunísia e Egito ao Bahrain e Iêmen, manifestantes pela democracia ameaçam, nas ruas, varrer do mapa todas as elites subordinadas, consideradas crucialmente necessárias para manter o poder dos EUA. Sempre foi assim: todos os impérios modernos dependeram de delegados que traduzissem o poder global em termos de controles locais. Mas, quando aquelas elites locais começaram a dar sinais de interesse em implantar agendas próprias, o colapso dos impérios começa a aparecer nas cartas.

Assim como as “revoluções de veludo” que varreram o leste europeu em 1989 tocaram as trombetas do fim do império soviético, também as “revoluções do jasmim” que se espalham pelo Oriente Médio podem bem estar sinalizando o começo do fim do poder global dos EUA.

Militares no comando

Para entender a importância das elites locais, é preciso considerar os primeiros dias da Guerra Fria, quando uma Casa Branca desesperada procurava alguma coisa, qualquer coisa, que tivesse qualquer chance mínima de deter o que Washington via como sentimento pró-comunista e antiamericano no mundo. Em dezembro de 1954, o Conselho de Segurança Nacional reuniu-se na Casa Branca e traçou uma estratégia para domar todas as forças nacionalistas mais poderosas que se constituíam, naquele momento, em todo o mundo.

Na Ásia e na África, meia dúzia de impérios europeus que até então haviam garantido a estabilidade da ordem global por mais de um século estavam se pulverizando, dando origem a cem novas nações, muitas das quais – do ponto de vista de Washington – suscetíveis de serem cooptadas pela “subversão comunista”. Na América Latina, o problema era o avanço da oposição de esquerda, entre as massas urbanas que não paravam de crescer e entre os camponeses sem terra.

Depois de examinar as “ameaças” que se formavam contra os EUA na América Latina, o influente Secretário do Tesouro George Humphrey declarou aos seus colegas do Conselho de Segurança Nacional que todos parassem “de falar tanto em democracia” e cuidassem, imediatamente, de “apoiar ditaduras de direita que tivessem políticas pró-EUA”. Foi quando, em momento de brilhante insight estratégico, Dwight Eisenhower interrompeu, para observar que Humphrey dizia, de fato, que todos passassem a raciocinar em temos de “Tudo bem, se for o nosso filho da puta”.

É momento histórico para nunca esquecer, porque o presidente dos EUA acabava de articular, com clareza cristalina, o princípio constitutivo do sistema de dominação global que Washington implementaria daquele dia em diante e pelos 50 anos seguintes: trocar qualquer princípio democrático por uma dura realpolitik de apoiar qualquer líder que apoiasse os EUA. E assim se construiu uma rede planetária de líderes nacionais (muitas vezes também nacionalistas) dispostos a por as necessidades de Washington acima de qualquer necessidade local.

Durante a Guerra Fria, os EUA favoreceram ditadores militares na América Latina, ditadores aristocráticos no Oriente Médio e uma mistura de democratas e ditadores na Ásia. Em 1958, golpes militares na Tailândia e no Iraque repentinamente viraram os holofotes para os militares do Terceiro Mundo, exibindo-os como forças às quais os EUA poderiam recorrer e com as quais poderiam contar. Foi quando o governo Eisenhower decidiu trazer líderes militares estrangeiros para treiná-los nos EUA e, assim, facilitar “o gerenciamento” das forças de mudança geradas pelo desenvolvimento daquelas nações emergentes. Dali em diante, Washington faria jorrar ajuda militar para cultivar os exércitos dos aliados e possíveis aliados em todo o planeta, ao mesmo tempo em que “missões de treinamento” seriam usadas para construir laços cruciais entre militares dos EUA e oficiais dos exércitos em todo o mundo; e, onde as elites subordinadas não parecessem suficientemente subordinadas, para ajudar a identificar líderes alternativos.

Nos casos em que presidentes civis se insubordinassem, entraria em ação a CIA, promovendo golpes que instalariam no poder governos militares confiáveis – substituindo o primeiro-ministro do Irã, Mohammad Mossadeq, que tentou nacionalizar o petróleo iraniano, pelo general Fazlollah Zahedi (então o jovem Xá) em 1953; o presidente Sukarno, pelo general Suharto na Indonésia na década seguinte; e, claro, o presidente Salvador Allende pelo general Augusto Pinochet no Chile em 1973, para citar apenas esses três casos.

Nos primeiros anos do século 21, a confiança de Washington nos militares nos seus estados-clientes só aumentou. Os EUA entregavam 1,3 bilhões de dólares ao ano ao Egito, como ajuda militar, e investiam só 250 milhões de dólares em programas de desenvolvimento econômico do país. Resultado disso, quando as manifestações populares sacudiram as bases do regime no Cairo em janeiro passado, os EUA imediatamente pensaram em uma “transição pacífica” com troca de generais. Nas palavras do New York Times, “investimento de trinta anos que rendeu bons dividendos, quando generais dos EUA e agentes de inteligência conheciam todos os nomes cogitados para formar um novo governo, amigos e colegas com os quais trabalharam e serviram”. “Transição pacífica”, no Egito, com apoio do exército, para manter a ditadura militar.

Em outros locais no Oriente Médio, Washington, desde os anos 1950s, sempre acompanhou a preferência britânica por aristocratas árabes, cultivando aliados como um Xá (no Irã), vários sultões (Abu Dhabi, Oman), vários emires (Bahrain, Kuwait, Qatar, Dubai), vários reis (Arábia Saudita, Jordânia, Marrocos). Em toda essa região, vasta e volátil, do Marrocos ao Irã, Washington cortejou regimes monárquicos aos quais ofereceu alianças militares, sistemas de armas norte-americanos, apoio da CIA para a segurança local, paraíso seguro nos EUA para o dinheiro daquelas monarquias e favores especiais às elites locais, entre as quais estudo e formação acadêmicas para os príncipes e nobres, com livre acesso às universidades norte-americanas ou escolas de formação de militares do Departamento de Defesa em todo o planeta.

Em 2005, a secretária de Estado Condoleezza Rice fez patético resumo de todo esse trabalho: “Há 60 anos, os EUA procuram a estabilidade à custa da democracia no Oriente Médio. Não conseguimos nem uma, nem outra”.
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(segue)









domingo, 24 de abril de 2011

Daqui para a frente...

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Na Palmeira das Missões dos anos 70 as coisas não eram muito misturadas, havia ainda um certo ranço,  tipo nós aqui e vocês lá, na divisão do espaço. Só do espaço, pois raiva, espanto e felicidade ninguém nos tira. Nunca sofri disso na própria pele, sei lá se por meio tantã ou por jogar futebol, ou pelos dois, mas eu não gostava de ver, doía demais, e tomava as dores dos pobres de paris. Não por acaso os meus melhores amigos. 

Hoje sei que tudo aquilo se acabou, pobres meio tontos e ricos larápios convivem harmoniosamente, como em todo lugar. 

Só rindo, la ilusión es dulce.

Já conhecido por Sala, eu era um garoto da Vila Nova (o múltiplo Sérgio Jockymann, que se mudou ainda guri para o mundo, era da Vila Velha, como todos sabem), e fugi de lá no glorioso dia 20 de janeiro de 1973. Eu andava com uma vontade danada de abrir um político com um faca do açougue do Seu Chico Brum, mas o Pato Martins, desde Santo Augusto, começou a me demover da idéia com um bilhete que dizia tudo: "Caia fora apenas, Toninho, nesse mundão morrer tu não vai". E me fui. Deixei amigos que a saudade mais tarde se traduziu em lágrimas, mas caí fora. 

Tomás Candal, ao passar pela Estação Rodoviária e me ver esperando um ônibus para qualquer lugar, é que liquidou o assunto, dizendo algo que hoje todo mundo sabe: "Patinho falou que tu vai embora pra sempre, parentinho, faz bem. Político é um bicho muito difícil de pegar, escorre das mãos, são lisos demais, e se conseguir pegar e abrir, tem o fedor que vem de dentro... ninguém aguenta". Pois é, o parente sabia das coisas.

Não pude me despedir do Branco (primo querido), do Vintium (amado Jesus Adelar de Lima, o Vinte e Um), do Joel Chitão (melhor taco do mundo, na cesta), do Bugrão Godói, do Mudo Doracílio, de ninguém.

Quando o ônibus arrancou, Tomás ainda correu e gritou: "Se um dia tu voltar não venha de auto...". O ônibus avançando, ele ficando para trás, quando ouvi o resto da frase: "... eles vão dizer que tu roubou...". Acho que  não ousariam, mas pelo sim, pelo não, quando voltei, 30 anos depois, levei somente o 38, e fiquei o tempo justo de abraçar os que pude ver. Não olhei esperançoso para algumas gatas de outrora: velhas antes do tempo já tinham seus múmios, seus políticos e seus granjestes. Vida boa, a que escolheram. Eu tinha a Marleizinha em Porto Alegre, sorte grande, denodo e coragem. Mas vi minha priminha e primos do tio João, vi o Mudo, o Chita, o Estigarribia, o Jupir (o Taylor estava preso, e era noite, não fui), Cesário Martinez, Polaco, tantos..., a maioria não pude ver.

Puxa, ia falar somente do conjunto "Os Tramposos", de Palmeira, e me saiu esses recuerdos.

Meninices, mania de querer sentir tudo dá nisso. Como esquecer a família Beck Sampaio, que sempre me acolheu como a um filho e irmão? Os Mendes, os Nassif,... e aqui não caberia se lembrasse todos neste exato momento, tanta gente de condição razoável pelo trabalho, gente de fina estirpe, seriedade e sincera alegria... a turma do Ouro Verde: Caco, Rubão, João Flávio, Mandioquinha, Carlos Eugênio, Canhoto, Peixoto, Sapinho... O Bife e todos os malucos queridos do time dos Pedreiros (que por vezes eu "reforçava"), e perder a cabeça por... políticos e arredores. Só eu mesmo. "Bem tu", como diz Natividad. Mas fiz bem. As besteiras estavam reservadas para Porto Alegre, e Nati não foi uma delas.

Os Tramposos era coisa muito fina, o saxofone quase tão bom quanto o do Carlos Mico ou do John Helliwell. Depois de "Os Fanáticos", do Ernesto Candal e do Luís Estigarribia (Ernesto, tocando nos bailes do ginásio: E agora pro meu primo Sala, o cara, quieto lá no fundo do salão de olho nas mulher, vai um bolero..., o filho da mãe, parava o americanês só pra dizer que me viu, o Estiga puxando no contrabaixo, quase se finando de rir do meu desagrado... ah, o Estiga, como outros merece postagens e postagens...), era o grupo que mais me comovia. Sempre achei que o Evódio, da gaita, cairia bem no conjunto, como o Estevo, da bateria, mas o negócio destes era a Zona.

Ah, a zona do meretrício, onde 21 e eu noite alta íamos de a pé subindo o morro do matadouro, para... espiar, meninos travessos. A zona onde conheci a Dona Stanislava Perkoski, o Zé Careca, Dona Sebastiana, pessoas de muito respeito. Descobri que as senhoras da nobre profissão e todos os profissionais, de músicos a porteiros, já me conheciam de nome e gostavam demais de mim, oba. Claro, ouviam rádio o dia todo, até sobre futebol. Sabiam até que eu nunca comparecia às festas deles. Ao 21 ninguém convidava, uma faminha... A 1 Km da cidade, chamada Vila Jardim por um dia (na sua fundação), a zona logo foi rebatizada de Brasília, por motivos óbvios, e era maior que o bairro mais populoso da velha Palmeira.

Como à mão só tenho o John Helliwell, neste domingo de Ressurreição, vai um som com ele e seus parceiros do Supertramp.

John é um dos melhores saxofonistas do mundo. Taí, foi o nome dos ingleses que me transportou em lembranças. "Vagabos" e talentosos, como os inesquecíveis músicos da minha infância.





sábado, 23 de abril de 2011

Inspiração

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“Por menor que seja o vestígio da crença antiga, tende de fato o homem a aceitar que não é mais que a encarnação, o porta voz, o médium de poderes superiores. A idéia de revelação, com o sentido de que subitamente se patenteia ao nosso olhar ou ao nosso ouvido alguma coisa de inelutavelmente seguro e inefável, alguma coisa que nos abala e nos transmuda até o mais fundo do nosso ser, exprime com simples rigor uma situação real. Ouve-se sem se procurar, alcança-se sem se pedir. Como o relâmpago surge então o pensamento com necessidade absoluta, na forma que lhe corresponde, sem tateio, sem escolha. É exaltação, cujo excesso muitas vezes a nossa alma alivia como uma torrente de lágrimas; caminho ignorado em que os nossos passos, alheios à nossa vontade, ora se apressam, ora se suspendem, êxtase que por completo nos subjuga, repercutindo num estremecimento que nos percorre todo, desde a cabeça aos pés; plenitude de alegria em que as formas extremas do sofrimento e do terror não contam já como contraste mas aparecem como partes integrantes e indispensáveis, como tons necessários no seio daquele extraordinário manancial de luz; impulso rítmico que abrange, em suas relações, um vasto mundo de formas – pois a necessidade de ritmo largo constitui quase só por si a medida do poder de inspiração e é uma forma de alívio para a alma opressa e para a tensão imcomportável”.
(...)

Nietzsche (Friedrich Wilhelm Nietzsche – Röcken, 15 de Outubro de 1844 – Weimar, 25 de Agosto de 1900), o louco, descomunal cérebro, a caminho do inferno aqui mesmo.
In Ecce Homo.


Jesus bleibet meine Freude, coral final da cantata Herz und Mund und Tat und Leben, de Johann Sebastian Bach.

Paulo Vanzolini

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Outro dia Walter Schumacher, imaginando que estávamos por San Pablo, alertou para a imperdível comemoração. Não deu, Schumi, hoje precisamos encontrar Natividad. Mas registramos com alegria e emoção os 87 do Paulo.
Abraço!, Seu Paulo. Bravo!


"Um dos grandes nomes da música brasileira, o compositor e cientista Paulo Vanzolini faz duas apresentações únicas na Casa de Francisca, em comemoração de seus 87 anos, nos dias 23 e 24 de abril, sábado e domingo.

Nas duas noites, Paulo Vanzolini participa de show ao lado de Ana Bernardo (voz), Ítalo Perón (violão), Jayme Saraiva, o Pratinha (flauta) e Adriano Busko (percussão). Entre um número e outro, Vanzolini conversa com o público, canta e revela histórias curiosas sobre sua vida e obra.

No roteiro do show as músicas: Chorava no meio da rua, Bandeira de guerra, Cara limpa, Samba Abstrato, Tempo e espaço, Cravo branco, Samba erudito, Praça Clóvis, Juízo final, Valsa sem fim, Volta depressa, Volta por Cima e Ronda (todas de Paulo Vanzolini), Valsa das três da manhã (Paulinho Nogueira/ Paulo Vanzolini), Cuitelinho (folclore/adaptação: Paulo Vanzolini/Antonio Xandó), Longe de casa eu choro (Eduardo Gudin/Paulo Vanzolini), Mente (Eduardo Gudin/Paulo Vanzolini) e Boca da noite (Toquinho/Paulo Vanzolini)."





R. José Maria Lisboa, 190
Jardins - São Paulo
11 3493-5717

jueves, 21 de abril de 2011

Pedacinho do céu

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O céu, um pedaço, pelo melhor cavaquinho do mundo.

Waldir Azevedo, nascido no Rio em 27 de janeiro de 1923, era um menininho pobretãozinho do Engenho Novo, que tinha um cavaquinho, comprado com o suor de horrores de trabalhinhos. Quando criança eu imaginava que era torcedor do Peñarol de Montevideo, e do Internacional de Porto Alegre, quem sabe? Universal.

Foi e foi e foi (leia-se vinte páginas sintéticas), e um dia montou o seu Regional.

Em 1951 começou a honra ao mérito: com o seu baião "Delicado", hoje um clássico da música popular brasileira, tornou-se recordista de tudo, entrando nas listas de "hit parade"  dos "irmãos" da América do Norte (a invasão ainda não era terrível) como uma das músicas mais tocadas de todos os tempos.

Às vésperas da entrada do sagrado ano de 1952, como que prenunciando algo, veio com seu "Pedacinho do céu", que por sua escolha foi seu réquiem em 1980, quando Canhoto interpretou enquanto descia o caixão, lá emocionados os melhores bêbedos de tudo, e estavam cheios de trago mesmo, mas, nesse dia, quebrados de tristeza.

Em 1953 os lares do Brasil emudeceram, ouvindo-o com Ave Maria, de Gounod e Bach. Um cavaquinho fazer aquilo...

Em 1979, prenúncio, foi homenageado com um espetáculo fantástico, comemorativo aos seus 30 anos de carreira numa grande roda de choro que contou com a presença de Paulinho da Viola; César Farias (pai do Paulinho); Raphael Rabelo (uma tragédia ir-se tão cedo, ainda choramos); Ademilde Fonseca; Arthur Moreira Lima (encontrei este doido num hotel no interior do Brasil, semana passada. Ainda anda pelo mundo, pelo sertão, mostrando música clássica ao povão, pensei em dizer que não adianta, Arthur, mas fiquei quieto, ele pelo menos salva a si mesmo); Copinha; Carlos Poyares; Isaías e seus chorões; Paulo Moura; Osmar Macedo e Celso Machado, além de João de Barro, o Braguinha. No mesmo ano, realizou show no Teatro Municipal de São Paulo do qual resultou um LP gravado ao vivo no qual interpretou obras de sua autoria como "Mágoas de um cavaquinho" e "Pedacinho do céu", e de outros compositores como "Vassourinhas", de Capiba e "Carinhoso", de Pixinguinha. (fonte: principalmente Cravo Albin, e eu).

Puxa vida, preciso falar dessa gente toda, a Ademilde, o Rafael, o Copinha, todos... Há tempo.

Mas tem uma história que poucos sabem ou lembram.

Certa vez o Brasil invadiu a França. Alguns malucos, mais Baden, Elizeth, Vinícius...

Em certo momento entra no palco do lindo e lotado teatro aquele homenzarrão, óculos semi-escuros, com um instrumentinho desconhecido na mão. Silêncio nos tambores. Ele desajeitado caminhando à procura do banco. Os franceses acharam que era um palhaço, e riram muito, uma festa de gargalhadas e aplausos.

Waldir acenou, sorriu, sóbrio como era, sentou na banqueta. E começou a tocar... Um silêncio de céu desabou sobre a França, cortado apenas pelo sublime cavaquinho, com... Pedacinho de Céu. A França foi para o céu. O teatro inteiro chorava enquanto aplaudia em pé, a fina flor da sensibilidade.

Depois daquilo (Elizeth veio em seguida e nem preciso dizer), a parte boa da França é brasileira. Como veremos ao final.  





E um tiquito de céu com o maior flautista do mundo (prestigiando as meninas, nesta), veja aí, Jota Pagliosa de Bagé, sublime, não é?
Do Altamiro falaremos outro dia, hoje dizemos apenas que será homenageado neste sábado, na França.
Se alguém comparecer, abrace um a um, brasileiros e franceses, com carinho, por mim também, digam que não pude ir por causa do aniversário de Natividad, amada filha que deu de estranhar as viagens dos mais velhos. Informações Aqui.





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Ireno

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Ainda tonto com a paulada, registro a perda de um amigo. Encabulado, pois meus trinta amigos, que para mim valem tanto, tanto, não merecem tristezas minhas. Perdão. Relevem, só hoje. Aqui é madrugada de chuva fina. Abri um merengue, outro, e outro. E me vi chorando.

Um cara valente como poucos, e decente como poucos, para se defender e ajudar amigos se jogava de mãos vazias em punhais. Antes só tinha visto o Beto Maroso fazer isso, cinco caras de faca (muito valentes... de faca provocando gente limpa) e ele desarmado ir para cima voando, agora vâo ver seus filhos da puta. Pois é, Ireno e Beto devem ser amigos lã não sei onde.
Meninices.

Nunca pensava em si. Pensava, mas depois que todos estivessem bem. 

Um que, ao passarmos de a pé, madrugada alta, pelas escuras ruas dos cemitérios, ali por baixo do antigo Estádio da Montanha (Cruzeiro de Porto Alegre), nos altos, um morro que os padres abocanharam em negociatas com um bicheiro e com autoridades corruptas, e que hoje é lucrativo comércio onde clientes nunca faltam...  a gente caminhando pelo meio da rua, aquele inverno de gelo, de doer, os sussurros do vento que sabíamos, ouvido fino, que eram vozes, me disse, apavorado: morro de medo, Sala, não sei, mas só passo aqui porque você está junto, isso de almas... vamos correr, sair daqui...

Ao que eu, inseguro igual, respondi: nada, Ireno, medo temos que ter é dos vivos. Vivaldinos de nada. O perigo é encontrarmos os principiantes que um dia serão donos de tudo, esses podem nos matar à traição, nesse caso a gente corre, mas antes brigamos, e naquela hora o calor do meu 38 no lado esquerdo do casaco me deu mais forças, queria que um deles aparecesse, assaltantes de cemitérios, de televisão, os deputados, os gerdaus, todos os impotentes de tudo, almas podres.

Não corremos, nem os ladrões apareceram. Que sorte. Sorte de quem jamais saberei. Eu e Ireno descemos de lado aquele lançante enfumaçado, de costas um para o outro, pelo meio da ruela, até conseguirmos despontar na avenida do seu Grêmio. Acho que foi sorte deles, que mediram o perigo, eles que só entram à socapa.

Quinta-feira passada.

Ninguém teve coragem de me telefonar.

Até logo, gringo.

martes, 19 de abril de 2011

Adiós muchachos

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Adiós muchachos (música de Julio César Sanders e letra de César Vedani, ambos argentinos, em 1927)


Me toca a mí hoy emprender la retirada, debo alejarme de mi buena muchachada...

Satchmo, aquele ser maravilhoso, se estivesse entre nós, estaria puxando passeatas com cartazes pela liberação de outra puxada, a da cannabis sativa, vez que em sua vida consumiu exatos 422 Kg da erva. Sim, Louis Armstrong não era hipócrita. Nosotros só pitamos palheiros, com fumo em corda daquele bem amarelinho, mas sabemos das propriedades medicinais de la yerba.   



Quanto à Milva (Maria Ilva Biolcati - Goro, Itália, 17/7/1938), ainda precisamos falar com ela.
Carlito Gardel aplaudiria esse pessoal, artistas de elite.



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domingo, 17 de abril de 2011

Amor, é o que somos. Nós somos de rancho!

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João da Noite é apaixonado por marcha-rancho, e reclama do blog.

Injustiça, João, volta e meia rodamos uma, também amo.

Mas, já que é assim, falemos um pouquinho sobre o mais lírico dos gêneros carnavalescos.

Rancho, como todos sabemos, significa grupo folclórico. Pois é, assim que um dia os ranchos dos nordestinos que habitavam a zona portuária carioca tiveram a idéia de se meter no carnaval, e lá se foram, cantando marchas e fazendo encenações pela rua.

Com o passar do tempo as coisas foram se organizando. Lá por 1910, noticiou-se num jornalzinho de um dos grupos: “Mário Cardoso externou o desejo de fundar-se um grêmio carnavalesco cheio de originalidade, diferente dos grupos barulhentos de batuque e berreiro. Um grêmio onde a beleza e elegância das vestes se harmonizassem com a sublimidade de cantares impecáveis, e cuja música fosse da lavra de verdadeiros musicistas. O batuque, a pandeirada e os urros seriam banidos por serem antiestéticos”.
Pobre do Seu Mário, se ligasse o rádio hoje...

E aos poucos vieram as mudanças. A melodia passou a ser muito importante, os sopros tomaram lugar de destaque nas orquestras de rancho. A marcha de rancho tornou-se um gênero.
A valorização da melodia e os desfiles de lindos trajes coloridos impressionaram as rádios, que passaram a explorar comercialmente o filão. Logo tornou-se conhecida em todo o país, graças a composições como “As Pastorinhas” (Noel Rosa/João de Barro), de 1938.
Gênero à parte, foi rebatizada de marcha-rancho. Incontáveis foram gravadas, lindas. Ainda hoje ao passar por um jardim lembramos: “Eu perguntei a um mal-me-quer, se meu bem ainda me quer, ela então me respondeu, que não...”.

Mas veio o samba do crioulo doido e a marcha-rancho foi meio que colocada de lado. Sem blocos de rua, de bairros, e com os salões definhando... O carnaval de mentira da plim-plim se impondo, com cordão de isolamento...

O violento marketing em cima dos sambas-de-enredo, quilométricos e confusos que nem os próprios integrantes das escolas de samba conseguiam entender e decorar a letra, depois os ritmos ditos carnavalescos se fundindo com afro-reggae, lambada, rock demência, country terrorista, rinoceronte, caturrita e avelã, acabaram com a essência do carnaval. Adeus, tia Chica.

Já em 1968 o inesquecível jornalista, compositor e escritor Sérgio Porto, (Sérgio Marcus Rangel Porto, o Stanislaw Ponte Preta, Rio, 11/1/1923 – 30/9/1968), autor do famoso FEBEAPÁ – Festival de Besteiras que Assola o País, extravasava sua perplexidade com o seu “Samba do Crioulo Doido”, gravado pelo Quarteto em Cy, ironia demolidora sobre os sambas de enredo que tinham virado livros mal contados de história: “Foi em diamantina onde nasceu j.k. / E a princesa leopoldina lá resolveu se casar / Mas chica da silva tinha outros pretendentes / E obrigou a princesa a se casar com tiradentes / Laiá, laiá, laiá, o bode que deu vou te contar”. Mas esta é outra história.

Entretanto a marcha-rancho resistiu, e resiste, muitos seguiram compondo. Vez em quando, uma explosão de pura poesia no Brasil.

Em 1961 Paulo Soledade repetiu o amor de 1952, quando encantou o país com “Estrela do Mar”, agora com Marino Pinto, um hino de esperança: “Estão Voltando as Flores”.

Teve um dia de 1959 em que Antonio Maria e Luís Bonfá deixaram, e ainda deixam, a aldeia trêmula com “Manhã de Carnaval”.

Vinícius de Moraes, apaixonado pelo gênero, exclamava: “Marcha-rancho é covardia!”, para em seguida compor, com Carlos Lyra, a “Marcha da Quarta-feira de Cinzas” (1963), e depois, adaptando sua letra à música de Bach (Jesus, Alegria dos Homens): “Rancho das Flores”.

Em 1967 Hildebrando de Matos (com letra de Zé Keti) se superou, com a magnífica e eterna “Máscara Negra”. Chico compareceu em cima, ainda em 1967, com “Noite dos Mascarados”.

Quem se habilita em 2011?

Como se disse no início, falamos um pouquinho, viu, João?

E marcha-rancho tem uma coisa que muitos gêneros não tem: é algo sublime que se pode dançar. Ah...

E pode-se ouvir de muitas maneiras.




sábado, 16 de abril de 2011

Bruttissima, bellissima

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Fred Bongusto (Alfredo Antonio Carlo Buongusto), cantor e compositor, nasceu em 6 de abril de 1935 em Campobasso, Itália.
A canção é de 1978, dele mesmo.

Lalau e deslumbrado

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Dilminha:

Boa tarde. Há quanto tempo, menina, como está se sentindo aí, cercada de arrivistas? Nem me conte. Parece que muito bem.
Não creio que andes deslumbradinha com essas figuras. Conhece o tipo, né? Todo maneiroso, concordino, melífluo... só de imaginar me dá nojo, pelo insulto, por achar que enganam alguém. Nisto o bajulador é hipócrita também, ao cubo, por apagar da memória, por mentir a si mesmo que "chegou lá" pela sua lábia, fingindo não saber que é por lamber..., ahm, as botas de políticos com cérebro de piolho. Não, não creio. Você apenas gosta porque te tratam bem, porque você é muito boazinha. Então tá.

Mas basta de amenidades, vamos ao que interessa. A seu favor o fato de que a CEF sempre foi uma mãe carinhosa para certas pessoas, aqueles filhos da Dona Margô.

Lá embaixo, uma noticiazinha da Folha de hoje.
Desse camarada sei apenas que é um arquiteto, funcionário de carreira da CEF. Eu bem que gostaria de esmiuçar essa "carreira". Agora sei também que é mamador das nossas tetas e que não tem vergonha na cara, como todos os escroques que estão instalados em estatais com poltronas de nuvens, salas quilométricas, proxenetas pululando em seu redor, por chupar..., ahm, como era mesmo?, ah, botas de políticos com cérebro de inseto.

E mais não sei nem quero saber: mas quero hoje mesmo, na minha mesa, cópia de uma cartinha a esse cidadão, assinada pelo Manteiguinha, seu aspone, mais ou menos assim:

"Sr. Jorge Fontes Hereda
Brasília, DF - Em mãos

Pela presente, informamos que a partir deste exato momento não precisamos mais dos seus serviços.
Procure seus direitos na Justiça. Fora daqui.
Assinado: Manteiguinha, Ministro Mantenedor do Sistema"  

Eu nada tenho a ver com governos, madame, mas se recebesse oferta de ingressos no mole, como esses deslumbrados irresponsáveis - para dizer o menos - recebem, no mesmo instante ficaria me perguntando qual a parte do meu corpo que querem comer. No caso, trata-se de utilização do cargo, da função pública (da minha grana) em proveito próprio, isso tem nome no código penal.

Caso não demitas o elemento, passarei a te chamar de cúmplice de tudo o quanto é errado, e trazido à luz, sem providência alguma da sua parte. Por alguma razão me lembrei do inferninho da energia elétrica, Belo Monte, e... deixa para lá.

Minhas mulheres (tenho mais filhas do que tens de rugas... hummm, acho que exagerei um tantinho), como eu, detestam camarotes de palhaços sem vida, nosso samba ainda é na rua, como disse o poeta popular, mas mandam um recado à CEF e à sala Raí (e aí, tetéinho, vê se vai trabalhar), se lhes fosse ofertado igual mimo: "Podem enfiar, seus moleques, os ingressos naquele lugarzinho cativo".
Não são deslumbradas, as meninas,  primeiro porque sabem ser errado e não são filhas de lalau; depois, porque são conscientes de que tudo nesta vida tem preço, sabe-se lá o que iriam querer em côbro.
Salito

Folha, por FERNANDA ODILLA e ANDREZA MATAIS 

Os dois filhos do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, frequentam um camarote que o banco estatal patrocina no estádio do Morumbi.

Fotos disponibilizadas no site do camarote mostram Juliana e Rafael Hereda ao lado do pai e de amigos em shows do U2, Coldplay, Madonna e jogos do Corinthians.

Chamado de Sala Raí, o espaço recebeu da Caixa R$ 3,7 milhões nos últimos quatro anos. Segundo a instituição, o objetivo do investimento é promover "ações de relacionamento com seus clientes e empregados".

O camarote tem 64 lugares, dos quais 32 são reservados para convidados do banco. Os frequentadores podem assistir a shows e jogos de futebol com direito a serviço de bufê e traslado.

A Sala Raí foi projetada com 160 m pelo arquiteto Ruy Ohtake e é descrita como um "ambiente único com sofisticação e simplicidade".

A Caixa não informa a quem distribui convites. A assessoria da sala diz que os dados são sigilosos.

Desde 2007, o banco firmou cinco contratos de patrocínio com a Raí Produções e Participações, que administra a marca do ex-jogador, dono do camarote e garoto-propaganda do banco.

De 2008 a 2010, disse ter recebido 670 empregados e 2.722 clientes na Sala Raí.

OUTRO LADO

Rafael Hereda disse que, além de filho do presidente da Caixa, é cliente do banco. Questionado se sentia-se privilegiado por assistir a eventos com convites do banco, disse: "Me sinto, lógico".

Ele disse que vai aos shows e jogos "raramente", mas que não saberia explicar como funciona a distribuição dos ingressos pela CEF.

A Folha encontrou fotos dele em cinco eventos.

Procurada, Juliana não atendeu à reportagem.

A Caixa informou que, no show do U2, o presidente recebeu quatro ingressos como convidado da Raí Promoções. E que o banco distribuiu dois ingressos para cada "membro da presidência do banco, podendo os mesmos transferi-los para outras pessoas, familiares ou não".

Disse que não informaria quanto o ex-jogador recebeu como garoto-propaganda nem sobre a presença de familiares de Jorge Hereda.

A Sala Raí disse que a Caixa é um entre os patrocinadores e parceiros da sala.

viernes, 15 de abril de 2011

Charlie Chaplin


Todo mundo sabe quem é Charlie Chaplin, até o Gugle, então diremos somente algumas palavrinhas, neste dia em que se comemora o que seria os seus 122 anos.

Charles Spencer Chaplin (Londres, Inglaterra, 16/4/1889 - Corsier-sur-Vevey, Suíça, 25/12/1977), é conhecido como ator, diretor, produtor e autor cinematográfico. Considerado o maior ator da história do cinema, é aclamado por muitos como o maior artista que já existiu.

O homem nasceu energizado, e “contra Deus” aos olhos dos ignorantes, não sossegava o pito nunca. Nascido de pai desconhecido e mãe louca, hoje em dia os médicos paranóicos, isto é, todos os filhinhos de papai médicos (no Brasil são raros os médicos que não são hijitos de papi) não hesitariam em derramar-lhe algumas garrafas de lítio goela abaixo.


E o que bebia... sai da frente. Nos intervalos das filmagens, quando não estava..., ahm, namorando alguma artista nova, jogava xadrez. Sim, chegou a enfrentar no mano a mano o grande Reshevsky, o espetacular polonês que era campeão dos Estados Unidos (sempre é bom recordar que o único campeão do mundo que tiveram, Robert Fischer, mesmo após o seu desterro queriam jogá-lo numa masmorra, matá-lo, o cara tinha personalidade, era opinativo...).

Elogiado pelo seu humanismo e por atacar com violenta repugnância aos nazistas, Charlie de repente passou a ser caçado pelos terroristas, no auge do macartismo, graças a alguns de seus filmes criticando o capitalismo selvagem, e pela sua imensa simpatia pelos pacifistas.

Taxado de comunista pelos múmios norte-americanos, ele sentiu o drama: “Hummm... vão me matar um dia destes, uma injeção, um acidente...”.

Como não era bobo, no sagrado ano de 1952 aproveitou uma viagem à Europa e sumiu do mapa, indo morar na Suíça. Depois os terroristas inventaram que eles é que haviam cortado o seu visto de entrada no país.

As bombas de Darth Vader seguem explodindo, o roubo e a matança prosseguem, mas têm os dias contados.

A mensagem de amor de Chaplin ainda contagia a humanidade, o sonho de paz com igualdade é eterno, nunca morrerá, e um dia... 

Morreu num dia que convencionamos chamar de Natal.

Ator, produtor... muitos se esquecem do compositor. E quando compôs... ouçamos.

Parabéns, Charlie!





4 de janeiro de 2013:

O vídeo acima é o quinto que postamos, e os terroristas retiram do Youtube sob a alegação de violação de direitos de sei lá o quê, em nome da incultura dos povos. Antes eu substituía por outro, quieto. Agora decidi, doravante, deixar à mostra os retirados.
 
Os primeiros mostravam Carlitos operário em meio à máquinas, o homem-objeto para enriquecer os canalhas de Wall Street e da Avenida Paulista (em todo o mundo há esses covis de seres brutos). O filme é a razão, uma das razões, porque queriam matá-lo. Compreensível. Mas agora, no século 21, ainda não se deram conta de que estão cavando a própria sepultura? Não. Ao contrário.

O homem esmagado pelas máquinas, e a cobiça dos chacais, é um filme de e com Charlie Chaplin, Tempos Modernos, disponível no próprio youtube, até em locadoras, nestas a 1 pila. Velharia.

O que eles não gostam é que se fale disso, que se junte uma ponta à outra, a corda inteira pode levá-los ao patíbulo de lesa-humanidade, deixa quieto.

E o que lhes machuca mais, aos brutos armamentistas e ideólogos de filminhos de rambos de mentira, é que o moço foi capaz de, junto a tão belo filme, compor tão maravilhosa canção.
 
Sempre aparece uma alma boa repondo Smile, mas está ficando difícil.

Enfim, não somos nós, brasileiros, que aceitamos a colonização dessa gente, via globos da vida? Não somos nós que fazemos filas intermináveis nos aeroportos de Guarulhos e do Galeão, para viajar a Orlando? Quem é o Pateta?

Fazer o quê.

Em frente.

Eu sorrio, tu sorris, nós sorrimos.

Esperem... tomo um largo trago de lítio, sem gelo. Ai que delícia. Tomo outro, este com suco de laranja. Meus poros latejam. E no latejar dos poros vou ao céu, por conseguir escrever algumas palavras recordando Chaplin. É o que tenho a dar. Para mim está bom demais.

Agora sim, estou preparado.

Ao sexto:




jueves, 14 de abril de 2011

Siempre en mi corazón

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Na postagem Ernesto Lecuona, desta quarta-feira, lá no finzinho colocamos a observação de que Waldick Soriano teria assassinado uma música do Lecuona. Centenas de amigos contataram querendo saber Qual, Quando, Por quê, Oh Deus, Que barbaridade, Quem é esse Valdico, tio?, e por aí vai.

Bem, na verdade exageramos um pouquinho.
Eurípedes Waldick Soriano (13/5/1933, Caetité, BA - 4/9/2008, Rio de Janeiro), ícone da música brega, amado pelo povão, foi o mestre e modelo do Wando Calcinha, só que, em vez de jogar calcinhas para a massa, jogava chapéus americanizados. Waldick também compunha uns trecos, como o tango "Escravo do Fracasso", motivo suficiente para torcermos para que Wando nunca ouse compor.

Porém a gravação do bolero do Ernesto Lecuona ocorreu quando ele ainda era um cantor sério, puxado a imitar Bienvenido Granda, ou seja, antes de se tornar um emérito gozador, quando emplacou o "Eu não sou cachorro não", estrondoso sucesso em 1972 e até hoje vivo na memória nacional.

Bem, o bolero do Lecuona que Waldick muito antes gravou vai abaixo, aqui com outro cantor.



Ainda, com a Omara, em boleros mais próxima que Placido do gosto deste que vos fala.



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miércoles, 13 de abril de 2011

Na coxia


Com estas palavras, pela boca do ator Tita Reis, o pessoal do Coletivo Dolores Boca Abertagran Mecatrônica de Artes agradeceu o 23º Prêmio Shell, um dos principais prêmios do teatro brasileiro. Meteram o pé na bunda do patrocinador do evento, a maligna Shell, escancarando os problemas do palco brasileiro, onde o governo abre mão de receitas (incentivos fiscais da famigerada Lei Rouanet), deixando a cargo das grandes empresas a destinação da grana para a cultura, isto é, com o dinheiro do povo os múmios escolhem o que se deve produzir, e a quem devem subsidiar...

Vale a pena ver a matéria da Michelle Amaral, Aqui ou Aqui.

Não se sabe se os terroristas seguiram negociando na coxia. Talvez, sentem-se seguros, possuem os múmios nacionais nas mãos, e em caso de emergência o alçapão dá na rua.

Isto me faz recordar que Porto Alegre necessita urgentemente de um grande teatro, popular, e não aquela droga de... Pára Pedro, deixa para lá.


Ernesto Lecuona

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Outro dia  aqui  lembramos do fantástico Ernesto Lecuona Y Casado. Foi pouco.
Ernesto tinha uma veia popular evidente, da tradicional música da ilha, porém foi mais que isso, aos 5 anos já surgia tocando piano em público e aos 15 graduou-se no Conservatório Nacional de Havana.
A que segue é popular, mas nela já se percebe os muitos caminhos que seu talento percorria.



(Desde menino rezamos, acendemos velas, batemos tambor, para que nunca um Xotãozinho e Chiriri, ou Brunão e Marronzeco, ou o Coberto Ralos, assassinem uma peça do Ernesto, já chega o que fez o Waldick Soriano com uma...)

lunes, 11 de abril de 2011

De quem é a influência

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A CULPA NÃO É DO ISLÃ

Mauro Santayana, em 08/04/2011, pinçado do Outras palavras





É difícil separar a emoção da razão, quando escrevemos sobre tragédias como a de ontem. A morte de crianças nos toca fundo: pensamos em nossos próprios filhos, em nossos próprios netos. Por mais que deles cuidemos, são indefesos em um mundo a cada dia mais inóspito.

Crianças e professores são agredidos pelos próprios colegas nas escolas. Traficantes de drogas e aliciadores esperam às suas portas a fim de perverter os adolescentes. Em 1955, baseado em livro de Evan Hunter, Richard Brooks dirigiu um filme forte sobre a brutalidade nas escolas norte-americanas, Blackboard Jungle, exibido no Brasil com o título de Sementes da Violência.

É difícil entender como um rapaz de 24 anos se arma e volta à escola onde estudara, a fim de atirar contra adolescentes. No calor dos fatos, com a irresponsabilidade comum a alguns meios de comunicação, associaram o crime ao bode expiatório de nosso tempo, o “terrorismo muçulmano”. No interesse dessa ligação, chegaram a anunciar que isso estava explícito na carta que ele deixou. Ela, no entanto, revela loucura associada não ao islamismo, mas, sim, às seitas pentecostais, de origem norte-americana, com sua visão obscurantista da fé. São seitas que alimentaram atos de loucura como o de Jim Jones, ao levar 900 de seus seguidores, a Peoples Temple, ao suicídio, na Guiana, em 18 de novembro de 1978. É o que hoje fazem pastores da Flórida, ao queimar um exemplar do livro sagrado dos muçulmanos – e provocar a reação irada de fiéis no Iraque e no Afeganistão.

Segundo revelou sua irmã, a mãe adotiva de Wellington, cuja morte o transtornou, pertencia à seita das Testemunhas de Jeová, preocupada com a pureza do corpo, que o assassino menciona em sua carta. A referência à volta de Jesus e ao dogma da Ressurreição dos justos, não deixa dúvida. Ele nada tinha a ver com o Islã, apesar de suas recomendações lembrarem ritos mortuários comuns às religiões monoteistas.

A carta revela um jovem perturbado pela idéia de pureza. Aos 24 anos, o assassino diz que seu corpo “virgem” não pode ser tocado pelos impuros. Ao mesmo tempo, presumindo-se herdeiro da casa que ocupava em Sepetiba, deixa-a, em legado, para instituições que cuidem de animais abandonados. Os cães, que são a maioria dos bichos de rua no Brasil, são, para os muçulmanos, animais amaldiçoados.

É preciso rechaçar, de imediato, qualquer insinuação de fundamentalismo islamita ao ato de insanidade do rapaz. O pior é que homens públicos eminentes endossaram essa insensatez. O terrorismo de Wellington é o dos atos, já rotineiros, de assassinatos em massa nas escolas norte-americanas, a partir do episódio de Columbine em 20 de abril de 1999. Desde que os meios de comunicação e do entretenimento transformaram o homem nesse ser unidimensional, conforme Marcuse, o modelo de vida, que o cinema, as histórias em quadrinhos, a televisão e, agora, a internet, nos trazem, é o da pujante, bem armada e soberba civilização norte-americana. Ela nos prometia a realização do sonho da prosperidade, da saúde, da segurança, do conforto e da alegria, da virilidade e da beleza. Mas essa civilização é apenas pesadelo, contrato faustiano com o diabo, sócio emboscado da morte. O diabo começou a cobrar seu preço, ao levar essa civilização à loucura, no Vietnã; nas muitas intervenções armadas em terra alheia; em Oklahoma, em Columbine, em Waco, e nos demais assassinatos coletivos dos últimos anos.

Limpemos as nossas lágrimas, e reflitamos se vale a pena insistir nessa forma de vida. Se vale a pena continuar sepultando crianças, e com elas, os sentimentos de solidariedade, de humanismo, de civilidade e de justiça. As crianças que morreram ontem, ao proteger as mais fracas com seus corpos, nos disseram o que temos a fazer, para que a vida volte a ter sentido.

domingo, 10 de abril de 2011

Summertime en Africa

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A amiga Cadica, desde Bagé (RS), lembra do indizível clássico norte-americano (sim, nem todos são terroristas, lá também tem minoria).
Já rodamos aqui, de outra maneira, mas... 

Esta obra-prima é quase tão... quanto Perfídia, sabendo-se que puxo o assado.

Ária do inigualável George Gershwin (Nueva Iork, 26/9/1898 - Óliú, California, 11/7/1937), também creditada ao seu irmão Ira. Da  peça, lição de vida, Porgy and Bess, que espantou o mundo em 1935. Todos os bons que puderam gravaram. Uns mil.
A peça é baseada num "livrinho" de 1926 do escritor Edwin DuBose Heyward (Carolina do Sul, 31/8/1885 - Carolina do Norte, 16/6/1940), outro... louco.

A cantora é Angélique Kpasseloko Hinto Hounsinou Kango Manta Zogbin Kidjo (Ouidah, Benin, 14/7/1960).

Linda... única... desde el alma.

À Cadica. Ao João. À Bagé. Bom gosto anda raro, gracias.

sábado, 9 de abril de 2011

Cristóvão Buarque: e os nomes, seu moço?

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Hoje, o camarada Cristóvão volta a bater na tecla que todos batemos.
Mas falta falar dos criminosos lucros dos bancos, desses vampiros estéreis que chupam o sangue  das nossas crianças, Cristóvão! Das razões da turma do Lula para não tocar nessa ferida.
Fale das empreiteiras, tchê. Diga que não existe no Brasil uma obrinha sequer, de construção de escola à viadutos, sem superfaturamento, seja municipal, estadual ou federal, e de quem ganha com isso. E dê os nomes! Sei que é impossível nominar a todos, mas os nomes de alguns, os principais, indicarão o caminho. Os ladrõezinhos do baixo clero, venenosos de ocasião, começarão a ter medo.
As consequências têm causa, você sabe, mas ignora ao escrever, ilustre compatriota.
Falta  usar o mandato que pessoas de bem te deram, estufar o peito e abrir o tarro, dando nome aos bois! Os nomes, Cristóvão. Em alto e bom som, dizer onde está o dinheiro da educação, da comida, da saúde. Meta o STF no meio, aqueles velhos ausentes a defender o sistema arcaico, empregados sem concurso público, na base do Quem Indica. Dê a biografia do Gilmar Dantas.
Este bloguinho poucos olham, de nada adianta falar de Mr. F. Febraban, aquele porco devasso e impotente, mas você tem um mandato de senador da república, homem, eles são obrigados a te ceder a palavra. Eu, obscuro e atormentado sobrevivente que quer vingança, na forma de igualdade de oportunidades, com democracia plena, no máximo podem  prender, seria uma honra; matar não podem, terá revide, alguém irá atrás deles, e aí vai até quem não mandou. Mas contigo não, eles não desejam um mártir. Então fale do "sistema" financeiro, fale dos teus "colegas"  políticos (que só  compram imóveis à vista, em dinheiro vivo, de mala, sabes bem), da malha de corrupção desses covardes, medo da vida. Fale do "santo", o honesto Alencar das camisetas da China, do atual vice-presidente, do filho do Lula, fale do puteiro que esses avis raras gostam enquanto iludem o povo pela televisão dos "amigos", fale do sistema atribuindo responsabilidades pela matança, fale da globo pela globo (é uma droga de concessão do que é nosso, compre a briga!). Se você não sabe, tem muita gente que pode ajudar, eu sei um pouquinho, já vi coisas que quase acabaram com a minha fé nos humanos, a Dilminha esquecida que o diga, e trabalho de graça pra ti, lunes, martes, miércoles... noites, domingos e feriados, todas as horas, se tiveres o peito de dizer tudo. De quebra, te ensino a jogar.
Se tens alguma mácula do passado, livre-se dela, conte, assuma o erro e renasça.
De conversa fiada para manter as aparências estamos cheios.
Arrisque-se a morrer pelas costas, Cristóvão. Mas inscreva teu nome nas almas brasileiras, você pode, dê os nomes, seu moço, os nomes!

Vergonha do Sete
 
(O Globo - 09/04/2011)



Sábado, 09 de Abril de 2011 09:51
Cristóvão Buarque, senador da República.

No século XIX, Victor Hugo se negou a apertar a mão de D. Pedro II, porque era o Imperador de um país que convivia naturalmente com a escravidão. Hoje, Victor Hugo não apertaria a mão de um brasileiro para parabenizá-lo pela conquista da 7ª posição entre as potências econômicas mundiais, convivendo com total naturalidade com a tragédia social ao redor. Estamos à frente de todos os países do mundo, menos seis deles, no valor da nossa produção, mas não nos preocupamos por estarmos, segundo a Unesco, em 88º lugar em educação.

Somos o sétimo no valor do PIB, mas ignoramos que, segundo o FMI, somos o 55º país no valor de renda per capita, fazendo com que sejamos uma potência habitada por pobres. Mais grave: não vemos que, segundo o Banco Mundial, somos o 8º pior país do mundo em termos de concentração de renda, melhor apenas do que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.

Somos a sétima economia do mundo, mas de acordo com a Transparência Internacional estamos em 69º lugar na ordem dos países com ética na política por causa da corrupção. A nota ideal é 10, o Brasil tem nota 3,7.

Somos a sétima potência em produção, mas, quando olhamos o perfil da produção, constatamos que há décadas exportamos quase o mesmo tipo de bens e continuamos importando os produtos modernos da ciência e da tecnologia. Somos um dos maiores produtores de automóveis e temos uma das maiores populações de flanelinhas fora da escola.

 

Um relatório da Unesco divulgado em março mostra que a maioria dos adultos analfabetos vive em apenas dez países. O Brasil é um deles, com 14 milhões; com o agravante de que, no Brasil, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados, do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais. Somos a sétima economia e não temos um único prêmio Nobel.

 

Segundo um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que pesquisou 46 países, o Brasil fica em último lugar em percentagem de jovens terminando o ensino médio. Estamos ainda piores quando levamos em conta a qualificação necessária para enfrentar os desafios do século XXI. Segundo a OIT, a remuneração de nossos professores está atrás de países como México, Portugal, Itália, Polônia, Lituânia, Látvia, Filipinas; a formação e a dedicação deles provavelmente em posição ainda mais desfavorável, por causa da péssima qualidade das escolas onde são obrigados a lecionar. Somos a 7ª potência econômica, mas a permanência de nossas crianças na escola, em horas por dia, dias por ano e anos por vida está entre as piores de todo o mundo. Além de que temos, certamente, a maior desigualdade na formação de cada pessoa, conforme a renda de seus pais. Os brasileiros dos 10% mais ricos recebem investimento educacional cerca de 20 vezes maior do que os 10% mais pobres.

 

Somos a sétima potência, mas temos doenças como a dengue, a malária, a doença de chagas e leishmaniose. Temos 22% de nossa população sem água encanada e mais da metade sem serviço de saneamento. Segundo o IBGE, 43% dos domicílios brasileiros, 25 milhões, não são considerados adequados para moradia; não têm simultaneamente abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

 

Esta dicotomia entre uma das economias mais ricas do mundo e um mundo social entre os mais pobres, só se explica porque nosso projeto de nação é sem lógica, sem previsão e sem ética. Sem lógica, porque não percebemos que “país rico é país sem pobreza”, como diz a presidenta Dilma. Sem previsão, por não percebermos a grande, mas atrasada economia que temos, incapaz de seguir em frente na concorrência com a economia do conhecimento que está implantada em países com menor riqueza e mais futuro. E sem ética, porque comemoramos a posição na economia esquecendo as vergonhas que temos no social.