miércoles, 18 de octubre de 2017

OS RECIBOS DE ALUGUEL

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Ao terminar o ciclo FHC estimava-se que os fascistas, essa "elite" ladra e criminosa que agora torna a vender o Brasil, tinha um trilhão de dólares roubados do povo em contas no exterior.

"Fascista" é modo de dizer, nem todos o são: são é assaltantes mesmo. Tornam-se parte da população fascista, manipulando mentes pela cadela Globo e outros meios, como modo de se perpetuarem na gatunagem.

Talvez um pouco mais de um trilhão, pelo medo do Lula nas eleições que viriam. Medo sem razão, viu-se depois.

Jamais vou entender para que roubar tanto, se nada levarão para o túmulo. Deve ser alguma compulsão para compensar alguma impotência, sexual talvez.

Eu vou ganhar R$ 937,00 por mês e seguirei me virando, felizmente tenho moradia quitada. Bem, tem os cobradores de problemas antigos, agiotas oficiais a juros assassinos, quando tive que segurar as pontas em problemas de saúde familiar dez anos atrás, mas esses pretendo matá-los. Esta mania de ir mudando de assunto ainda vai causar problemas aos inimigos, antes do tempo. Seguindo.

Agora, quando estão torrando tudo, mas tudo mesmo, Petrobrás, Eletrobrás, Correios, Casa da Moeda, BB, CEF, terras indígenas, instalações aeroportuárias, minerais, pré-sal... é longa a lista, mais fácil, ou mais difícil, citar alguma coisa que restará. Algo que os seus chefes do exterior não queiram... o povo pensante talvez.

Instituirão a pena de morte para calar as vozes dissonantes? Ou simplesmente assassinarão, como alguns vem fazendo vez que outra?

Bem, os recursos retirados do Brasil chegarão a quanto, pela entrega e pela propina? Cem trilhões? Quinhentos trilhões? Ou um número inacreditável? Quanto vale um continente como o Brasil?

Mas isso não importa muito. Eu gostaria mesmo de saber das altas autoridades investigativas e julgadoras se os recibinhos de aluguel do Lula estão em ordem.


Estão?

viernes, 22 de septiembre de 2017

ONDE ESTÃO OS BRASILEIROS?

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(Rascunhos - Reflexões da madrugada)

CADÊ OS PANELEIROS? CADÊ A CHAMADA SOCIEDADE CIVIL, CADÊ AS INSTITUIÇÕES?

Alguns desses ou dessas sabem qual foi o "crime" da presidente eleita, a legítima presidente? Sonham por que, as verdadeiras razões, ela foi afastada? 

Sabem quem pagou a conta do crime da deposição? A Globo martelando dia e noite, os ditos grandes jornais, que estão indo à falência. Além dos seus próprios nocivos interesses de elite retrógrada, quem pagou os patos amarelos gigantes, camisetas da seleção de segunda ou terceira categoria distribuídas graciosamente, sites, metrô liberado, PM a favor, o despertar dos nazifascistas, etc.?

Quem pagou? Quem agora se beneficia, enquanto o País afunda?

Muitos sabem, não os paneleiros, a estes "Perdoai-os, não sabem o que fazem", como disse o Outro lá com as suas palavras em aramaico.

Dos demais os que sabem foram cúmplices. Por ação ou omissão, mas igualmente cúmplices em crime de lesa-pátria. O pior dos crimes, até não muito tempo atrás com pena de morte, que persiste em alguns países.

Não entro no mérito de simpatias ou antipatias pela presidente Dilma, andei um tanto ressentido com ela e com o PT, isto é, com o governo, por alguns rumos tomados, até pelo pecado de alguma esperança pessoal, eu achava que poderia ajudar em Brasília, e nunca me telefonaram.

Bobagem minha, momento em que andava mal depois de ter-me queimado no mercado, as portas se fecharam, eu era "PT" na cabecinha dos inimigos da sigla, não queriam saber se profissionalmente nunca levei ninguém livre, um presidente da CRT me ameaçou até de morte, e levou o dele. Sobrevivi, a Dilma e o PT tinham pessoas mais preparadas, azar. De tão sortudo com a situação ganhei um câncer, familiares me salvaram, de letra.

Sobre a ameaça, às vezes consigo rir, embora na época tenha ficado muito preocupado. Devolvi a bola, nessas alturas já armado até os dentes. O cara ia saindo do prédio com seus aspones e seguranças, um morador de rua, esfarrapado, enfiou-se no meio deles, não representava perigo, e jogou um bilhete com letra e papel de presídio no peito do ameaçador presidente, me mandaram te entregar:

"Se uma filha minha se descuidar e atravessar a rua com o sinal fechado, for atropelada, erro dela, eu vou pensar que foi você. Morrem todos, tu e a tua família. Isso serve para outros afetos meus, a meu critério, seu canalha. S.".

Não deu nada. Dali alguns anos a Polícia Federal o prendeu por alguma coisa de negociatas. Deve estar solto, a Brasil Telecom era muito rica. Tomara que apareça por Porto Alegre. Sem acidentes.

A crítica quanto aos rumos é do jogo: nenhum governo acerta todas, muito menos agrada a todo mundo. Entretanto, mesmo "de mal" jamais deixei de reconhecer e propagar a inabalável honestidade da Dilma, sei porque convivi com ela em momentos cruciais onde a pessoa mostra a que veio. Vimos coisas de arrepiar, haja nervos e sobriedade para conduzir as coisas. Eles são maus.

Noites de trabalho, além dos dias, sempre com a distância devida entre um profissional contratado e uma Secretária de Estado (RS): "Secretária Dilma", "Dr. Fagundes".

Jamais contei a ela sobre ameaças que recebi. Cada um na sua, e eu sabia me virar, agora sei mais ainda, com esses dejetos humanos. Eles que se cuidem, saí da defesa e estou dentro da área deles, pronto a cabecear. Vamos ver quem vai para o cemitério antes, se bandido ou um sujeito como eu.

Não sei de onde ela tirou essa de doutor, se me recusei a fazer doutorado ao ver que na universidade lecionava um, um só, os outros tudo bem, alguns bons amigos, cara que não servia para carregar a minha pasta. Paciência limitada com gente fútil. No país dos diplomas nunca precisei mais do que um bacharelato em qualquer coisa para sobreviver.

Não somente honesta e corajosa - corajosa os torturadores, cruéis assassinos, da ditadura sabem há décadas: de aguda inteligência. E nenhuma paciência com ladrões, em geral gente muito fútil, como o covarde, espectro de homem, dos 51 milhões, o que se sabe até aqui, fora o resto em tantos anos, que desatou a chorar ao ir para a prisão pelo roubo que causou mortes de crianças, infortúnio de famílias paupérrimas. E como outros...

Em certas situações, com minha consciência, fiz o contrário do que desejavam certos órgãos do governo. De antemão ou no andamento nunca me perguntou nada, nunca disse nada, jamais tentou interferir, o que seria uma grande bobagem que nos tornaria inimigos: apenas recebeu o parecer/resultado, leu tudo, foi lá e subscreveu. 

Poderia me pagar o contrato e depois rasgar o parecer. Não, foi lá na frente de todo mundo e engrossou o caldo para o lado deles. Vergonha na cara não se compra, nem Brasília ou o Inferno mudam isso.

Porém o grande desagrado não foi de gente como eu, um cidadão como qualquer outro, que critiquei uma coisa ou outra como admite e ordena a democracia, nem dos partidos realmente de esquerda que como eu desejavam aprofundamento nas reformas sociais.

O monstruoso desagrado veio do capital financeiro de papel, da indústria de sonegadores, da elite, dos eternos ladrões do dinheiro público, do suado dinheirinho do povo. Dos ambiciosos grandes ruralistas e proprietários de terras. Dos escravagistas que odeiam pobres, e mais ainda se os percebem melhorando de vida.

Até aqui, em alguns aspectos, componentes da luta de classes, a lei da selva, ali com o poder de centro-esquerda acovardado há anos, desde a primeira posse do Lula, que implorei que no primeiro dia do seu governo chamasse o povo à TV, em horário nobre, para denunciar a Globo, cobra venenosa dentro de casa se mata, de outro modo ela volta a picar. 

Nada, os sabidos da Executiva de Sampa eram homens "vividos". Consta que o primeiro ato no Diário Oficial, além da posse de presidente e ministros, foi uma Portaria do José Dirceu nomeando a esposa para presidente de alguma coisa.

Se os admiradores do JD teimarem, tenho mais a dizer, que vocês não vão suportar. Também o admiro, de certo modo, não é moleque covarde e muito menos delator de mentiras. De repente foi algo simbólico, uma promessa, foi apenas um erro político, se é que houve, corrijam-me que amanhã mesmo corrijo este rascunho. Isso é nada perto das besteiras que cometeu. Condenado sem provas por um mandalete dos bandidos.

Nada de novo. Para mim importa, acima de tudo, é que os chacais rasgaram a Constituição!

Minha formação moral, se é que se pode falar nisso, e intelectual se rebela desde o íntimo com o que eles fizeram. Lutemos a boa luta, como diz um valioso companheiro, mas não: eles rasgaram a sagrada Constituição com evasivas, mas rasgaram-na toda.

Jogaram o País no caos, desde o momento em que das urnas surgiu o nome que eles não queriam.

O podre, acusado de ser um grande ladrão, do Aécio Neves, de tão leviano, bobo sem mundo real, viciado em droga branca, disse isso naquele dia. Suponho que os seus chefes tenham lhe chamado a atenção por entregar o plano quando deveria ser ainda segredo, mas entregou num momento em que o filhinho de papai ficou magoadinho por não ganhar o brinquedo de presidente que os chefões lhe prometeram.

Se eu ou o amigo aí que me lê, pobres e anônimos mortais, tivéssemos um amigão com quem andávamos sempre junto, ambos já enrolados em muitas denúncias, e de repente descobrissem um milhão mal havido (roubado) no apê dele, a vizinhança e os camaradas de leve passariam a nos dar as costas.

Mesmo aqueles que se diziam bons amigos, não nos perdoariam. Ninguém é trouxa, os caras sabendo que a gente tem mundo não acreditariam que entramos numa fria de bobinhos, já com montes de denúncias anteriores nas costas.

Teríamos que procurar amigos em antros de criminosos, na podridão humana. Estes nos receberiam bem.

Isso não é problema para o Temer. Os seus amigos são todos delinquentes. Sei, ele é um incompetente, claro que sei, mas de negociatas no vão da escada entende, sim, e como.

E o golpista, putrefato, tido como presidente da República... o vendilhão da Pátria ao estrangeiro, um canalha que todos sabem ser um canalha... aí, gastando o dinheiro da saúde, etc., para comprar o apoio da base de bandidos no Congresso.

Sei, o PT errou ao se associar com essa gentalha - não por falta de aviso -, o PMDB é sinônimo de Larápio, pelos seus dirigentes, nada a ver com filiados inocentes, e as exceções servem para confirmar a regra, se o PT errou, e nenhuma peneira vai tapar o sol, considere-se que o sujeito não apitava nada, e ninguém imaginaria que chegariam, por medo da cadeia, ao ponto em que chegaram, de rasgar a Constituição e assumir um projeto de governo ao extremo contrário, muito pior do que o programa perdedor nas urnas.

Os canalhas do Congresso, enganadores, traidores, eleitos por aqueles por quem Jesus em outros tempos pediu perdão, que por impedirem o prosseguimento da denúncia, proibirem a mera investigação de tão gritantes crimes, hão de pagar muito caro nas urnas. Sem prejuízo de mofarem numa cela amanhã ou depois. E suas gangues que chamam de partidos hão de se esboroar.

Estão destruindo o Brasil. Cadê as instituições, cadê a sociedade civil?

Num pequeno texto, quiçá pecando por personalismo, não cabe tudo, isso dará muitos e muitos livros, escritos por muitas mãos, mas isto é, sim, um libelo, que em lágrimas quentes cometo.
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(A foto é do psdb, o ninho, tirada do google)




O FIM DO MUNDO NO SÁBADO

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Se o mundo acabar pelo menos acabará na Primavera, que entrará hoje às 17:02h segundo os entendidos. Entendidos em estações do ano, bem entendido.

A propósito, um amigo disse que tem algo curioso no Google Sky, que estaria censurando um trecho da Constelação de Virgem (faz anos que não vejo uma), e que um site da NASA mostra um choque de dois corpos celestes não identificados até agora, pelo que uns crentes ou malucos, se é quem tem diferença, meteram o versículo 12 do Apocalipse no meio e pá: o mundo vai acabar neste sábado, dia 23 de setembro de 2017.

Por mi parte eu disse a ele, que, como ele, estou de boa. Que venga el cuerpo. Tou tranquilo. E feliz pela ideia do pavor dos donos do mundo, precupados que não levarão as suas riquezas para o inferno.

Ah, os nossos ladrões: políticos e empresários, chorem, filhos da puta, ahahah.

Eu espero acordar noutro mundo, um que não tenha bancos, cobradores nem oficiais de justiça. Só umas capetas em trajes menores. Nada de juízes patifes também: daria um dedo para ver a cara do Gilmar e de outros sarnentos no momento da explosão, teria um ataque de riso.

Bah, gostaria de ver a cara de tanta gente numa hora dessas. Conseguem imaginar a cara dos banqueiros? Imaginem também o Vampiro Temer todo cagado. E o Trump então? A do Feliciânus, desesperado atrás do Frota para um último encontro? O Bolsonaro numa tremedeira danada? Pensem aí, cada situação...

Por ora vou tomar um uísque e pensar numa mulher, ou melhor:

Alô, mulheres desnamoradas, corram pra cá enquanto é tempo, venham de bando, não sejam bobas! Temos até amanhã para treinar choques de corpos! Se não der nada ao menos a gente fica se conhecendo, e aproveita para marcar outra festa de vale-tudo para a semana que vem.
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viernes, 15 de septiembre de 2017

DE CARTEIRA BATIDA

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Andando pela Cidade Baixa entrei na Mercearia Zaffurtari, resolvi que ia fazer Bacalhau à Gomes de Sá para as mulheres nesta madrugada, faltava comprar o bacalhau. Ninguém neste mundo faz um à Gomes de Sá melhor do que eu, exceto a Mariza Banda, lá do Porto do Beco do Oitavo.

"Ia" fazer. A 85 contos o quilo nem morto, malandro. Fiquei meia hora cheirando - amo o cheiro, ui, me lembra de outra coisa - e não comprei, elas vão ter que se contentar com sopa de letrinhas com um osso buco para dar gosto.

Comprei algumas coisinhas: o buco, um pacote de massa, queijo ralado, pão e mortadela, temperos verdes e poucas latonas de cerveja, umas trinta. Foi quando passei no caixa que me bateram a carteira. Está tudo pela hora da morte.

O guarda noturno Jerivá da Louca dizia que as coisas não são caras, a gente é que ganha pouco.

Pode ser, mas há sérias controvérsias quanto ao "não são caras", pois vi muitas grandes empresas botarem propina a políticos no custo do produto vendido.

Quanto ao ganhar pouco é pura verdade, que o digam os professores eleitores da quadrilha, que no RS, além de ganhar pouco, recebem em migalhas parceladas.

Na volta pra casa, que dista meio quilômetro da mercearia, recebi exatos trinta achaques dos irmãos pedintes, de me empresta um trocado chefe, sai um cigarrinho aí doutor, o senhor tem uma moeda pra me dar...

Para não dizer que não dei, abri a sacola e dei quatro dos dezenove pães para a mulher com nenê no colo. Boboca, se falasse antes teria trazido um saco de leite. Quatro das putiangas tomarão sopa sem pão, ando marcando algumas que se fazem de loucas.

Parava e explicava calmamente aos caras, um por um: não seja bobo, camarada, me morda antes de entrar na mercearia, depois não adianta, aí eles já me tomaram tudo.

De fato, a economia vai bem. 

Já em casa ouvi um samba, enquanto esperava as minhas putas chegarem do cabaré.

viernes, 25 de agosto de 2017

CANCHA RETA NA RUA

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Certa vez, menino de uns oito ou nove anos, aprontei uma.

O querido Pico, primo do Pato e filho do seu Borges, também menino, andava num cavalo maravilhoso, enorme, ficava lá em cima, com arreios de atleta de corrida.

Eu vinha da casa do tio João, fui lá e o primo Edilson não estava, não tinha ninguém, só a tia lá dentro, e o encontrei ali pela altura onde morava o seu Nelinho, no lado de lá do estádio do Palmeirense.

Uma discussão boba qualquer, de moleques, que eu não tinha cavalo ou sei lá, e eu disse então esperaí.

Voltei na casa do tio, fui no galpão e pé ante pé roubei uma égua super ligeira que ele tinha. Saí com ela devagar para não acordar os gansos.

Lá fora montei em pelo, sem freio, apenas enrolei uma corda na cara da égua, e fui disputar a corrida com o cavalão do Pico.

Da esquina onde morava o tio, para onde voltamos para dar a partida depois de combinar as regras lá na frente da casa do seu Nelinho, até o clube União Operária, era um retão daqueles.

Um perigo aquilo: rua com pedras, irregular, com buracos, nunca foi pista de corrida, se o cavalo ou égua pisassem mal ficariam aleijados, o sacrifício seria inevitável.

Largamos. Lá pela metade em alta velocidade perdi o controle da égua desenfreada, a corda que servia de bridão não adiantava e larguei, quase voei de cima dela, "louco pra se matar".

Perdi por una cabeza, o Pico era ginete, e teimava que foi por meio corpo, a minha montaria foi parar uma quadra depois do União. Pouca prática eu, larguei atrás, quando vi ele estava uns dez metros à frente. Como diz o Edilson, que conhecia a égua, que era um espanto de veloz, ele puto da cara comigo: "Aquela até maneada ganhava do pangaré do Pico".

Anos depois o Pico ficou meu camarada para sempre, afinal tínhamos feito arte juntos. Eu agradeço aos céus por não ter morrido, em pelo e sem estribo, me segurando nas crinas da égua.

E o inocente aqui achando que o tio não ficaria sabendo. A rua inteira vendo a corrida, com um piá de juiz para dar o sinal de partida, outro juiz para julgar a chegada na esquina do União, um bando de piás na torcida, ora se alguém não iria contar para os mais velhos.


Não sei por que, mas não apanhei em casa depois, o tio e o pai no fundo estavam mais brabos porque perdi, mas o que ouvi de recriminações... melhor se tivesse apanhado.
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miércoles, 23 de agosto de 2017

DO FUNDO DO POÇO

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Bati no fundo do profundo poço abandonado que eles pensavam seco, onde me atiraram depois de me espancarem pelas costas. Uns trinta metros de fundura.

Tinha um metro d'água lá embaixo, o poço não era tão seco. Caí em cima de um pneu velho sem revestimento, apenas a borracha lá boiando. Por milagre só quebrei uma perna, além de ganhar escoriações generalizadas pelo corpo, desmaiei por instantes com o impacto.

Eles ouviram um barulhinho de água e deram uns dez tiros para baixo, no escuro, não enxergavam o fundo do poço, quando recuperei os sentidos. Os tiros passaram assoviando, um me riscou uma orelha, levando metade dela, outro arranhou um braço, os outros tium na água.

Com o cinto e a camisa amarrei a perna, uma dor lancinante. Imaginei a alegria deles pela maldade, por terem me assassinado, me atacando de bando. Fiquei lá umas seis horas, em dez minutos tinham me dado por morto, mas esperei mais.

Olhava para cima, a pequena claridade bem lá em cima, inatingível. 

Não tinha jeito, salvo um.

Foi quando um bicho de raiva se mexeu dentro de mim e comecei a escalar o poço com as unhas.

(...)
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viernes, 23 de junio de 2017

PODE RINCHAR

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Até a semana passada, eu sozinho na casa da mãe, o maldito telefone não parava. Atende e é um (011) que cai sem dizer nada.

Pior ainda as instituições ditas de caridade querendo morder a velha. Ela pagava uma mensalidade para uma, e os malandros repassavam seu nome e telefone para outras, estas para outras, no fim umas mil: "Lá tem uma velhinha fácil de tirar os trocos".

Para estas, como são caridosas, me limitei a mandá-los tomar no cu: vai trabalhar, vagabundo.

Não tenho telefone celular de há muito, os malditos credores não me deixavam em paz. Cansei de atender e responder: vou descobrir onde tu mora, advogadinho de crédito podre, e tu vai morrer junto com o dono desse banco-agiota.

Pararam aqui na mãe, pois desliguei da parede, não dava conta de tanto "Vai tomar no cu". Comecei a perder a paciência e a falar em "Tu vai morrer".

Hoje recordei de um colega auditor e religuei, resolvi tentar manter a calma e fazer como ele.

Em pleno carnaval em Belém, madrugada alta, eu tinha segurado três andares de funcionários de um poderoso banco estatal lá da Amazônia. Precisava emitir o Parecer dos Auditores até a Terça Gorda, devido a uma liminar concedida por um juiz federal comprado pelos caras, que na quarta-feira seria derrubada, mas já então com tudo publicado, os espaços no Diário Oficial e outro de grande circulação já reservados, tudo pronto, só faltava o Parecer, o que não vem ao caso.

Um dos meus colegas, que estava trabalhando numa das subsidiárias do bancão, soube e me disse: "Vou aí ficar contigo em solidariedade, não vou para o hotel ficar lá sem nada para fazer, aí pelo menos posso te ajudar fazendo cafezinho, se mais não puder". Um figuraço, o Marcos Adolfo.

Dois diretores deles de plantão, com seu bando de advogados, também lá, apertando o ânus pelo que poderia sair no Parecer. Um dos advogados, metido a luminar em legislação societária, tentou um lero estranho comigo e o expulsei do prédio sem levantar a voz; aquele, que não queria ir, deve ter ido para o carnaval. 

O Marcão frio, com aquele bigodão, muito sério, quieto ao meu lado, olhando feio para eles.

Recém era uma da madrugada e juntou uma centena de pessoas na frente do prédio: era maridos, esposas, namorados, namoradas, etc., todos esperando os seus que estavam trabalhando lá dentro, só da informática eram uns trinta funcionários, para caírem no carnaval.

Os telefones começaram a tocar, ele atendeu um, um cara o xingou. Atendeu outro, idem. Mais um, nova xingada, mais grossa. Ele me disse, rindo: "Fagundes, em três ligações virei corno, sem vergonha e filho da puta".

Parou de atender. Os telefones tocavam, o Marcão sorria e exclamava:

"Pode rinchar que eu não te atendo!"

Liberei o pessoal só às seis da manhã, quando o céu de Belém explodia em fogos, uma tradição deles ao amanhecer de noite de carnaval. Os amigos podem imaginar o número de pragas que nos rogaram.
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miércoles, 14 de junio de 2017

NO CAFEZAL (1)

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Chapéu na cabeça, sem amigos, novo na área, eu tava tomando pinga encostado no balcão de um boteco-mercearia do bairro-favela Cafezal, em Belo Horizonte, lá por 1999, quando a mulher entrou, uns 29 ou 30 anos. Pediu ao alarife, que além de ladrão era dono do boteco, duzentos gramas de couro de porco salgado. Ele pesou os duzentos, se tirasse o sal daria cem, e olha lá.

Até ali, pelo pouco que eu sabia, mineiro gostava mesmo era de pé: pé de galinha, pé de porco, pé de diabo, pé de tudo, exceto pé de boi, mas arrisquei:

- Desculpe a curiosidade, mas vai fazer feijão, moça? - Adoro couro no feijão.

- Vou sim, moço - e abriu um sorriso.

Gostei. Ela comprou mais umas coisinhas e saiu. Da porta, já do lado de fora, se voltou rapidamente, sem insistência, e me sorriu de novo. Nada de frescuras, ela tinha um olhar um tanto triste. Olhos grandes, verdes-água, como certas espanholas.

Larguei o liso de pinga, disse já volto ao bandido detrás do balcão e saí batido. Alcancei-a no meio da quadra.

- Oi, tu aqui de novo, desculpe ter perguntado antes, mas é a primeira vez que vejo mineiro fazer feijão com courinho.

- Aqui é normal, uai, tu que não viu - e tornou a sorrir, agora um sorriso alegre.

- Tu bota uma folha de louro?

- Boto, mas não tinha na mercearia.

Tirei a carteira, abri e peguei:

- Esta é uma folha seca de louro, era fresquinha quando a ganhei há muitos anos de uma irmã, para mim é talismã, guardo com carinho na carteira, me protege, peço que aceites.

- Ai, tão importante pra ti, não precisa...

- Insisto, por favor.

- Muito obrigada, nunca vou esquecer o teu gesto.

- Me dá aqui essa sacola, eu levo pra ti, vou pro mesmo lado - falei sem saber para que lado ela iria.

Subimos seis ruas, desviando pra lá e para cá.

Fomos conversando trivialidades, até que a confiança se estabeleceu, nos entendemos. Ela tinha uma machucadura feia numa das orelhas, outra no ombro, perguntei e me contou que o marido havia lhe dado com um martelo, ele tinha uma fabriqueta de móveis. Tinha serras, lixas, martelos... Sempre chegava às onze da noite irritado, carregando numa caixa de mão alguns instrumentos de trabalho.

- Tu tem filhos, pequena?

- Dois pequenos, 3 e 4 anos, Bruno e Júlio.

- Também me chamo Bruno.

- Ai que amor. Eu sou Lucília.

A cem metros da sua casinha parou, apontou onde morava lá adiante e se despediu de mim, não convinha os vizinhos vê-la chegar acompanhada. Beijou-me na face, mas com respiração de desejar beijo na boca. Saiu com o rosto rubro, afogueado, sem olhar para trás.

Era oito da noite. Voltei para o boteco. Tomei só mais dois lisos, concentrado. Gostei da moça, uma coisa que nunca tinha me acontecido, talvez pelo seu jeito de sorrir, sorriso que mesmo quando triste era lindo. Voz doce, amorosa, jamais briguenta ou teimosa, e era bonita de corpo.

Às dez e meia eu estava de volta àquela rua, no escuro, em espera ao marido irritado. O instinto me disse que ele viria pelo outro lado.

Às dez e quarenta e cinco ele levou três tiros, ficou estatelado no meio da rua escura. A caixa se abriu com a queda, vi o martelo grande. Puxei o chapéu até o nariz e fui saindo de costas, enquanto a vizinhança acendia as luzes de casa. Fuguei-me, ninguém me viu.

No dia seguinte eu estava no mesmo bolicho, como estaria lá ao anoitecer de muitos dias, sabia que não demoraria, um dia ela voltaria comprar courinho de porco ou outra coisa, muito mais alegre, e olharia para mim feliz, cúmplice.

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miércoles, 29 de marzo de 2017

A PRAGA

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Esclareça-se, por dever de honestidade, que não entendo bulhufas de pragas, salvo noções das pragas do Boca Santa, para quem recentemente pedi que rogasse por uns falecimentos de golpistas, o que não vem ao caso.

De praga sei apenas de lagartas e outros bichos que são combatidos com toneladas de produtos tóxicos com que os agrojestes, ávidos por desmesuradas fortunas, depois de derrubarem as florestas, contaminam as plantações, em conseqüência rios e tudo, não importa se ao preço da destruição do meio ambiente, para não falar num cancerzinho amigo aos consumidores da sua produção.

Quando meninos, turminha de nove ou dez anos, a gente chamava aos gringos, que vinham de longe para plantar soja em nossos rincões, de granjestes. Granjeste foi invenção do Tomás: uma mistura de granjeiro com cafajeste. Isto porque derrubavam nossos capões, matinhos e matões que existiam desde sempre, onde éramos os tarzans, donos da floresta em longas incursões, por vezes dormíamos no mato ao som das aves noturnas, fogo aceso.  

Havia também certa inveja de algo que não conhecíamos, pois eles arrendavam terras, arranjavam máquinas, suavam a camisa e logo ficavam ricos, e a gente naquela maleza.

Daí se depreende o que significa agrojeste. A praga, pensando bem, não é o bichinho na planta, muito menos o produto tóxico, este é mal utilizado. A praga é o agrojeste. Isto até onde sei, e sei nada.

Tenho notícias de assassinos que vieram matar nossas florestas para plantar o rentável eucalipto, mas esses vieram depois.

Não sei porque fiz essa volta toda, pois a praga de que pretendo falar é outra. É caseira, até onde sei, ou não sei.

Em todo lugar que chego os móveis de casa estão se desintegrando, virando farelo. O mesmo aqui na pensão Sodoma do Acampamento. Fui abrir uma gaveta no quarto da Alemoa, puxei meio forte e a tal se esboroou diante dos meus olhos, estava carcomida. Encabulei, ora vir causar dano na casa alheia.

A D. Ledona, dona da pensão, disse não se preocupe, meu fio, é cupim, isso é uma desgraça. Logo me explicou que aqueles bichinhos de asa que no verão entram nas casas e ficam arrodeando lâmpadas são cupins. Se instalam nas casas e comem tudo, madeira, livro e sei lá mais o quê.

Vivendo e aprendendo. Algo que a D. Ledona falou me deixou intrigado, pois também tenho a mesma recordação da infância, mesmo que a minha infância seja mais recente que a dela.

Como é que antigamente os móveis duravam décadas, ficavam de avós para netos? Não existiam bichinhos de asas, ou os móveis é que mudaram?
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martes, 28 de marzo de 2017

ATROPELADO

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Hoje li que a Prefeitura está processando um partido político por este ter obstruído na justiça o aumento das passagens de ônibus, o partido obrando em favor da população, abstraindo a luta política. A justiça tempos depois deu razão à Prefeitura, que agora quer que o partido indenize as empresas de ônibus pelo que deixaram de cobrar durante o tempo da obstrução.

Por vezes a leitura de jornais me recorda cada passagem da vida..., sem nenhum nexo com o caso noticiado, às vezes por uma palavra, por uma situação, que embora completamente diversa me remete para outra. Algo como falar da Jurema e lembrar da Walquíria, que em comum eram apenas boas de cama. Aconteceu há algumas décadas.

Saí do Parque da Redenção, comecei a atravessar a Av. João Pessoa pensando em entrar na Rua Alberto Torres e fui atropelado. Saltei para um lado mas o filho da puta me pegou, me quebrou uma perna ao passar por cima, fora as escoriações e a lesão na cabeça ao cair, bati no asfalto e perdi os sentidos, até chegar o socorro passaram-se mais de trinta minutos.

Hora do rush, o sujeito vinha corrido e me pegou já enfiando o pé no freio, e logo outro bateu atrás dele, e outro no outro, no fim uns vinte carros avariados, foi uma confusão, trancou o trânsito por quarteirões, foi um "daqueles dias" para todo mundo.

Lá atrás vinha uma ambulância com um velho pela sete, os minutos que perdeu no congestionamento ocasionaram a morte do paciente, conforme atestaram os médicos da Santa Casa.

Soube depois que ali no ato ninguém quis pagar nada nem discutir danos materiais com ninguém. No dia seguinte sim, começaram a se mexer com seguradoras e advogados. As seguradoras como sempre querendo tirar o seu, e os advogados querendo botar no dos outros.

A família do velho me processou, afirmando levianamente que eu bêbado tinha atravessado o sinal fechado, ocasionando a tranqueira que matou o seu familiar, e à Prefeitura por ter demorado a limpar a área e não ter caminho de escape naquela reta.

Eu processei o motorista, que era também o dono do carro que me atropelou, alegando que o sinal estava aberto para mim, já por tabela o responsabilizando pela morte do velho.

Por sua vez o motorista me processou por danos materiais, e a seguradora acompanhou o argumento: eu atravessei o sinal fechado. Os demais processaram uns aos outros.

A imprensa deu grande destaque ao engarrafamento que entrou para a história da cidade, descobriram que atravessei o Parque vindo do Bar João da Av. Osvaldo Aranha, tinha passado a tarde jogando sinuca e tomando umas e outras por lá, insinuando que eu estava bêbado. Nunca tinham me visto beber, para dizer uma bobagem dessas, ora bêbado.

Na boca do povo eu era o vilão da história. Até um prefeito, um riquinho borra-botas da ditadura, andou falando mal de mim. Muito tempo depois, quando eles não esperavam mais, acertei as contas pessoais com o prefeiteco e com o jornaleco que tinha me chamado de irresponsável.

O negócio ficou enrolado por um tempão, mais de trinta partes interessadas, chegou um momento em que pensei em processar o velho que morreu, não tinha nada que ter morrido, só complicou as coisas.

Até que um dia, tomando trago no Beco do Oitavo com a turma, junto o boêmio Pedrão Causídico, o meu advogado, de repente ele ficou olhando para a parede, sem nada ver, viajou. Eu disse acorda, meu, é a tua vez de pedir as cervejas.

Ele se voltou com os olhos brilhando, murmurando "A sinaleira..." Que sinaleira, meu?

- Amanhã vou pedir perícia no farol!

O serviço de manutenção dos faróis era terceirizado ou concedido, só sei que a Prefeitura objetou de todas as formas, tentando impedir a perícia legal, por alguma razão queria tirar da estaca o concessionário ou terceirizado. Não adiantou. Pedida a perícia ele pegou uns uns três caras e saíram pelo bairro à procura de testemunhas. Em um mês achou seis.

O farol estava com defeito naquele dia, teve gente que viu. A perícia confirmou que componentes haviam sido trocados. Eles repeliram argumentando que a manutenção é normal, mas a justa foi nos controles da empresa de manutenção e estava lá: conserto naquela noite, e esbarraram nas testemunhas. De quebra, especialistas afirmaram que aquele tipo de equipamento poderia ter falhas intermitentes.

Ninguém tinha culpa. A cidade era a responsável, tenha sido caso fortuito ou falha humana, algo impossível de determinar naquelas alturas. Nesses casos, toda a comunidade arca com o prejuízo. A Prefeitura, representando os munícipes, pagou todos os danos.

Ali eu já tinha pago as despesas médicas em três prestações, estava de perna boa e cheio de mulher. A grana das medicinas, dos lucros cessantes e outros penduricalhos entrou no meu bolso limpinha, com o que fiquei uma semana pagando cervejas para a turma, além de alcançar algum para o Pedrão.
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