viernes, 23 de junio de 2017

PODE RINCHAR

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Até a semana passada, eu sozinho na casa da mãe, o maldito telefone não parava. Atende e é um (011) que cai sem dizer nada.

Pior ainda as instituições ditas de caridade querendo morder a velha. Ela pagava uma mensalidade para uma, e os malandros repassavam seu nome e telefone para outras, estas para outras, no fim umas mil: "Lá tem uma velhinha fácil de tirar os trocos".

Para estas, como são caridosas, me limitei a mandá-los tomar no cu: vai trabalhar, vagabundo.

Não tenho telefone celular de há muito, os malditos credores não me deixavam em paz. Cansei de atender e responder: vou descobrir onde tu mora, advogadinho de crédito podre, e tu vai morrer junto com o dono desse banco-agiota.

Pararam aqui na mãe, pois desliguei da parede, não dava conta de tanto "Vai tomar no cu". Comecei a perder a paciência e a falar em "Tu vai morrer".

Hoje recordei de um colega auditor e religuei, resolvi tentar manter a calma e fazer como ele.

Em pleno carnaval em Belém, madrugada alta, eu tinha segurado três andares de funcionários de um poderoso banco estatal lá da Amazônia. Precisava emitir o Parecer dos Auditores até a Terça Gorda, devido a uma liminar concedida por um juiz federal comprado pelos caras, que na quarta-feira seria derrubada, mas já então com tudo publicado, os espaços no Diário Oficial e outro de grande circulação já reservados, tudo pronto, só faltava o Parecer, o que não vem ao caso.

Um dos meus colegas, que estava trabalhando numa das subsidiárias do bancão, soube e me disse: "Vou aí ficar contigo em solidariedade, não vou para o hotel ficar lá sem nada para fazer, aí pelo menos posso te ajudar fazendo cafezinho, se mais não puder". Um figuraço, o Marcos Adolfo.

Dois diretores deles de plantão, com seu bando de advogados, também lá, apertando o ânus pelo que poderia sair no Parecer. Um dos advogados, metido a luminar em legislação societária, tentou um lero estranho comigo e o expulsei do prédio sem levantar a voz; aquele, que não queria ir, deve ter ido para o carnaval. 

O Marcão frio, com aquele bigodão, muito sério, quieto ao meu lado, olhando feio para eles.

Recém era uma da madrugada e juntou uma centena de pessoas na frente do prédio: era maridos, esposas, namorados, namoradas, etc., todos esperando os seus que estavam trabalhando lá dentro, só da informática eram uns trinta funcionários, para caírem no carnaval.

Os telefones começaram a tocar, ele atendeu um, um cara o xingou. Atendeu outro, idem. Mais um, nova xingada, mais grossa. Ele me disse, rindo: "Fagundes, em três ligações virei corno, sem vergonha e filho da puta".

Parou de atender. Os telefones tocavam, o Marcão sorria e exclamava:

"Pode rinchar que eu não te atendo!"

Liberei o pessoal só às seis da manhã, quando o céu de Belém explodia em fogos, uma tradição deles ao amanhecer de noite de carnaval. Os amigos podem imaginar o número de pragas que nos rogaram.
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miércoles, 14 de junio de 2017

NO CAFEZAL (1)

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Chapéu na cabeça, sem amigos, novo na área, eu tava tomando pinga encostado no balcão de um boteco-mercearia do bairro-favela Cafezal, em Belo Horizonte, lá por 1999, quando a mulher entrou, uns 29 ou 30 anos. Pediu ao alarife, que além de ladrão era dono do boteco, duzentos gramas de couro de porco salgado. Ele pesou os duzentos, se tirasse o sal daria cem, e olha lá.

Até ali, pelo pouco que eu sabia, mineiro gostava mesmo era de pé: pé de galinha, pé de porco, pé de diabo, pé de tudo, exceto pé de boi, mas arrisquei:

- Desculpe a curiosidade, mas vai fazer feijão, moça? - Adoro couro no feijão.

- Vou sim, moço - e abriu um sorriso.

Gostei. Ela comprou mais umas coisinhas e saiu. Da porta, já do lado de fora, se voltou rapidamente, sem insistência, e me sorriu de novo. Nada de frescuras, ela tinha um olhar um tanto triste. Olhos grandes, verdes-água, como certas espanholas.

Larguei o liso de pinga, disse já volto ao bandido detrás do balcão e saí batido. Alcancei-a no meio da quadra.

- Oi, tu aqui de novo, desculpe ter perguntado antes, mas é a primeira vez que vejo mineiro fazer feijão com courinho.

- Aqui é normal, uai, tu que não viu - e tornou a sorrir, agora um sorriso alegre.

- Tu bota uma folha de louro?

- Boto, mas não tinha na mercearia.

Tirei a carteira, abri e peguei:

- Esta é uma folha seca de louro, era fresquinha quando a ganhei há muitos anos de uma irmã, para mim é talismã, guardo com carinho na carteira, me protege, peço que aceites.

- Ai, tão importante pra ti, não precisa...

- Insisto, por favor.

- Muito obrigada, nunca vou esquecer o teu gesto.

- Me dá aqui essa sacola, eu levo pra ti, vou pro mesmo lado - falei sem saber para que lado ela iria.

Subimos seis ruas, desviando pra lá e para cá.

Fomos conversando trivialidades, até que a confiança se estabeleceu, nos entendemos. Ela tinha uma machucadura feia numa das orelhas, outra no ombro, perguntei e me contou que o marido havia lhe dado com um martelo, ele tinha uma fabriqueta de móveis. Tinha serras, lixas, martelos... Sempre chegava às onze da noite irritado, carregando numa caixa de mão alguns instrumentos de trabalho.

- Tu tem filhos, pequena?

- Dois pequenos, 3 e 4 anos, Bruno e Júlio.

- Também me chamo Bruno.

- Ai que amor. Eu sou Lucília.

A cem metros da sua casinha parou, apontou onde morava lá adiante e se despediu de mim, não convinha os vizinhos vê-la chegar acompanhada. Beijou-me na face, mas com respiração de desejar beijo na boca. Saiu com o rosto rubro, afogueado, sem olhar para trás.

Era oito da noite. Voltei para o boteco. Tomei só mais dois lisos, concentrado. Gostei da moça, uma coisa que nunca tinha me acontecido, talvez pelo seu jeito de sorrir, sorriso que mesmo quando triste era lindo. Voz doce, amorosa, jamais briguenta ou teimosa, e era bonita de corpo.

Às dez e meia eu estava de volta à rua dela, no escuro, em espera ao marido irritado. O instinto me disse que ele viria pelo outro lado.

Às dez e quarenta e cinco ele levou três tiros, ficou estatelado no meio da rua escura. A caixa se abriu com a queda, vi o martelo grande. Puxei o chapéu até o nariz e fui saindo de costas, enquanto a vizinhança acendia as luzes de casa. Fuguei-me, ninguém me viu.

No dia seguinte eu estava no mesmo bolicho, como estaria lá ao anoitecer de muitos dias, sabia que não demoraria, um dia ela voltaria comprar courinho de porco ou outra coisa, muito mais alegre, e olharia para mim feliz, cúmplice.

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miércoles, 29 de marzo de 2017

A PRAGA

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Esclareça-se, por dever de honestidade, que não entendo bulhufas de pragas, salvo noções das pragas do Boca Santa, para quem recentemente pedi que rogasse por uns falecimentos de golpistas, o que não vem ao caso.

De praga sei apenas de lagartas e outros bichos que são combatidos com toneladas de produtos tóxicos com que os agrojestes, ávidos por desmesuradas fortunas, depois de derrubarem as florestas, contaminam as plantações, em conseqüência rios e tudo, não importa se ao preço da destruição do meio ambiente, para não falar num cancerzinho amigo aos consumidores da sua produção.

Quando meninos, turminha de nove ou dez anos, a gente chamava aos gringos, que vinham de longe para plantar soja em nossos rincões, de granjestes. Granjeste foi invenção do Tomás: uma mistura de granjeiro com cafajeste. Isto porque derrubavam nossos capões, matinhos e matões que existiam desde sempre, onde éramos os tarzans, donos da floresta em longas incursões, por vezes dormíamos no mato ao som das aves noturnas, fogo aceso.  

Havia também certa inveja de algo que não conhecíamos, pois eles arrendavam terras, arranjavam máquinas, suavam a camisa e logo ficavam ricos, e a gente naquela maleza.

Daí se depreende o que significa agrojeste. A praga, pensando bem, não é o bichinho na planta, muito menos o produto tóxico, este é mal utilizado. A praga é o agrojeste. Isto até onde sei, e sei nada.

Tenho notícias de assassinos que vieram matar nossas florestas para plantar o rentável eucalipto, mas esses vieram depois.

Não sei porque fiz essa volta toda, pois a praga de que pretendo falar é outra. É caseira, até onde sei, ou não sei.

Em todo lugar que chego os móveis de casa estão se desintegrando, virando farelo. O mesmo aqui na pensão Sodoma do Acampamento. Fui abrir uma gaveta no quarto da Alemoa, puxei meio forte e a tal se esboroou diante dos meus olhos, estava carcomida. Encabulei, ora vir causar dano na casa alheia.

A D. Ledona, dona da pensão, disse não se preocupe, meu fio, é cupim, isso é uma desgraça. Logo me explicou que aqueles bichinhos de asa que no verão entram nas casas e ficam arrodeando lâmpadas são cupins. Se instalam nas casas e comem tudo, madeira, livro e sei lá mais o quê.

Vivendo e aprendendo. Algo que a D. Ledona falou me deixou intrigado, pois também tenho a mesma recordação da infância, mesmo que a minha infância seja mais recente que a dela.

Como é que antigamente os móveis duravam décadas, ficavam de avós para netos? Não existiam bichinhos de asas, ou os móveis é que mudaram?
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martes, 28 de marzo de 2017

ATROPELADO

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Hoje li que a Prefeitura está processando um partido político por este ter obstruído na justiça o aumento das passagens de ônibus, o partido obrando em favor da população, abstraindo a luta política. A justiça tempos depois deu razão à Prefeitura, que agora quer que o partido indenize as empresas de ônibus pelo que deixaram de cobrar durante o tempo da obstrução.

Por vezes a leitura de jornais me recorda cada passagem da vida..., sem nenhum nexo com o caso noticiado, às vezes por uma palavra, por uma situação, que embora completamente diversa me remete para outra. Algo como falar da Jurema e lembrar da Walquíria, que em comum eram apenas boas de cama. Aconteceu há algumas décadas.

Saí do Parque da Redenção, comecei a atravessar a Av. João Pessoa pensando em entrar na Rua Alberto Torres e fui atropelado. Saltei para um lado mas o filho da puta me pegou, me quebrou uma perna ao passar por cima, fora as escoriações e a lesão na cabeça ao cair, bati no asfalto e perdi os sentidos, até chegar o socorro passaram-se mais de trinta minutos.

Hora do rush, o sujeito vinha corrido e me pegou já enfiando o pé no freio, e logo outro bateu atrás dele, e outro no outro, no fim uns vinte carros avariados, foi uma confusão, trancou o trânsito por quarteirões, foi um "daqueles dias" para todo mundo.

Lá atrás vinha uma ambulância com um velho pela sete, os minutos que perdeu no congestionamento ocasionaram a morte do paciente, conforme atestaram os médicos da Santa Casa.

Soube depois que ali no ato ninguém quis pagar nada nem discutir danos materiais com ninguém. No dia seguinte sim, começaram a se mexer com seguradoras e advogados. As seguradoras como sempre querendo tirar o seu, e os advogados querendo botar no dos outros.

A família do velho me processou, afirmando levianamente que eu bêbado tinha atravessado o sinal fechado, ocasionando a tranqueira que matou o seu familiar, e à Prefeitura por ter demorado a limpar a área e não ter caminho de escape naquela reta.

Eu processei o motorista, que era também o dono do carro que me atropelou, alegando que o sinal estava aberto para mim, já por tabela o responsabilizando pela morte do velho.

Por sua vez o motorista me processou por danos materiais, e a seguradora acompanhou o argumento: eu atravessei o sinal fechado. Os demais processaram uns aos outros.

A imprensa deu grande destaque ao engarrafamento que entrou para a história da cidade, descobriram que atravessei o Parque vindo do Bar João da Av. Osvaldo Aranha, tinha passado a tarde jogando sinuca e tomando umas e outras por lá, insinuando que eu estava bêbado. Nunca tinham me visto beber, para dizer uma bobagem dessas, ora bêbado.

Na boca do povo eu era o vilão da história. Até um prefeito, um riquinho borra-botas da ditadura, andou falando mal de mim. Muito tempo depois, quando eles não esperavam mais, acertei as contas pessoais com o prefeiteco e com o jornaleco que tinha me chamado de irresponsável.

O negócio ficou enrolado por um tempão, mais de trinta partes interessadas, chegou um momento em que pensei em processar o velho que morreu, não tinha nada que ter morrido, só complicou as coisas.

Até que um dia, tomando trago no Beco do Oitavo com a turma, junto o boêmio Pedrão Causídico, o meu advogado, de repente ele ficou olhando para a parede, sem nada ver, viajou. Eu disse acorda, meu, é a tua vez de pedir as cervejas.

Ele se voltou com os olhos brilhando, murmurando "A sinaleira..." Que sinaleira, meu?

- Amanhã vou pedir perícia no farol!

O serviço de manutenção dos faróis era terceirizado ou concedido, só sei que a Prefeitura objetou de todas as formas, tentando impedir a perícia legal, por alguma razão queria tirar da estaca o concessionário ou terceirizado. Não adiantou. Pedida a perícia ele pegou uns uns três caras e saíram pelo bairro à procura de testemunhas. Em um mês achou seis.

O farol estava com defeito naquele dia, teve gente que viu. A perícia confirmou que componentes haviam sido trocados. Eles repeliram argumentando que a manutenção é normal, mas a justa foi nos controles da empresa de manutenção e estava lá: conserto naquela noite, e esbarraram nas testemunhas. De quebra, especialistas afirmaram que aquele tipo de equipamento poderia ter falhas intermitentes.

Ninguém tinha culpa. A cidade era a responsável, tenha sido caso fortuito ou falha humana, algo impossível de determinar naquelas alturas. Nesses casos, toda a comunidade arca com o prejuízo. A Prefeitura, representando os munícipes, pagou todos os danos.

Ali eu já tinha pago as despesas médicas em três prestações, estava de perna boa e cheio de mulher. A grana das medicinas, dos lucros cessantes e outros penduricalhos entrou no meu bolso limpinha, com o que fiquei uma semana pagando cervejas para a turma, além de alcançar algum para o Pedrão.
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viernes, 24 de marzo de 2017

Paz para o Brasil

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(Da série "Conjuminando" - rascunhos)

O Brasil começa a reagir a alguns procuradores e juízes?

Na cidadezinha do interior o candidato a prefeito, bom homem mas que não se dava bem com as letras, foi ler o discurso escrito pelo pensador do partido - homem culto, lá no palanque, cheio de palavras difíceis. Leu gaguejando a primeira linha e desistiu, ficou meio sem saber o que fazer mas logo soltou: "Óia, gente, vou ser curto e grosso: eles querem ó em nóis (fez o gesto característico com os dois braços), mas nóis é que vamos ó neles!" A massa foi ao delírio, falou a linguagem do povo.

Política é fogo. Todos, sem exceções, candidatos a ou exercendo mandato majoritário, são acusados de tudo pelos seus adversários, vai bomba daqui, vem bomba de lá. Faz parte do show, sem provas lá vai de ladrão para cima. Os cabos eleitorais espalham que o adversário é viado, é corno... Que desviou tanto não sei onde. É a luta política.

Mesmo os inimigos políticos não levam muito a sério as ofensas em campanha, terminou e daqui a pouco estão tomando seu uísque juntos e rindo das histórias. Evitam ser muito calorosos em público apenas. Calorosos sim em momentos sérios, como FHC na cerimônia de despedida da D, Marisa Letícia, emocionado abraçando Lula.

Não que sejam amigos fraternos, mas muitos se conhecem, até se querem bem. Já que citei FHC, quantas e quantas vezes estiveram no mesmo palanque pelas Diretas e outros movimentos? Por anos e anos, perderam a conta. Outro dia FHC foi depor como testemunha do Lula num processo bobo desses que lhe moveram: foi preciso em suas palavras, destruiu a acusação que era imputada ao Lula quanto ao acervo de bens de ex-presidentes, FHC tem o seu.

Certa vez eu e muitos caímos de pau no Lula por um abraço no Maluf. Numa coligação estranhíssima em São Paulo, acabaram no mesmo palanque. Quando fecharam o acordo posaram para fotos, aperto de mão, parece também um abraço ou meio abraço. Pronto, estragou tudo.

Caímos de pau não pelo aperto de mão e abraço, pelamor, claro que não, e sim porque foi em público, foi fotografado, um bruto erro político. A coligação já tinha sido um terrível equívoco no nosso modo de ver.

Por que "inimigos políticos"? Voltemos a FHC-Lula. Ambos foram presidentes, ambos governaram para todos os brasileiros. A diferença é a visão de mundo: FHC governava mais para os ricos, e Lula mais para os pobres, em resumo é isso, com as consequências daí derivadas, e estas não são poucas. No caso de Lula, a ideia era um dia chegar a governar para todos sem destinar mais recursos para nenhum, não teríamos essa distância tão grande entre ricos e pobres.

Claro, é possível que com um extremista como o Bolsonaro talvez o Lula não tomasse um uisquinho. Nem o FHC. Ou tomariam, depende.

Ladrão? Isso por mais que controle sempre tem, em qualquer governo. Tem nego que qualquer que ganhe sempre está lá, consegue uma boquinha e mete a mão. Quando há coligações, então, onde o sujeito tem que dar a CEF ou outras entidades para o coligado administrar...

O sistema politico, com financiamento de pessoas jurídicas, só louco para não ter ciência de que rola propina, ora, "doações", é investimento, empresa não dá nada sem pedir algo em troca. Aí vira mesmo um cabaré.

Agora, outra coisa, muito diferente, é dizer que o presidente roubou. Citei Lula e FHC, como poderia ter citado Itamar, porque os julgo homens, não esses alguns de escalões inferiores que acabam se lambusando. Não tem como impedir, o que se pode é tentar minimizar.

Outra coisa é a política invadir a justiça, e os operadores do direito agirem como cabos eleitorais ou por razões pessoais. Sem provas quem vai te julgar partir para o ataque como se fosse inimigo mesmo.

Não tenho provas de nada, mas convicções (porque eu quero me livrar dele). Mandar a polícia remexer no lixo da família, procurar recibos da mercearia, de quanto custou o pedalinho de quatro ou cinco mil reais, da quota de um apartamento, rapto de notebook, incomodação para terceiros, procurando um motivo, e não encontram. Vazamentos muito seletivos, perseguição desvairada. Como costumo dizer: se o Lula cuspir na calçada leva um "Teje preso".

Estou à vontade, o que critiquei o Lula como político e governante não está no gibi, descendo o malho mas críticas que pensei construtivas.

Sérgio Moro em uma entrevista concedida pela UFPR afirmou em tom irônico: ” De acordo com a constituição mesmo que Lula esteja preso ele poderá se candidatar a presidência, mas se for preciso eu mudarei a constituição só para que isso não aconteça, afinal pelo povo brasileiro que esta lutando comigo, Lula não irá ser presidente nem aqui e nem em lugar algum”.

Dallagnol: Lula "até maio estará preso". Lula é "um general em crime de guerra". Lula "pratica crimes a partir de seu gabinete".

Isto e muito mais, como a coação para delações, tudo registrado, seria presunção de inocência? Não mesmo, presunção de culpa, morre aqui todo e qualquer processo se nas mãos dessas pessoas. Se querem destruir o Lula, como poderão julgá-lo? Não mesmo, ainda que a Corte de Haia (Tribunal Internacional de Justiça) tenha que ser chamada a intervir.

Acabou, até porque autoridades e a própria população começam a enxergar e pensar "Se faz com ele poderá fazer comigo ou com um filho meu". É ódio contra uma pessoa, nada mais, por motivos que nada tem a ver com a Justiça.

Que os operadores da justiça façam o seu trabalho, sem alaúza, não tirem a paz da nação. Artista é no teatro, no show musical, na novela. Na campanha política os políticos por um tempinho serão também uma espécie de artistas declarando as suas propostas.

A paz se foi, mas isso se deve mais a empresários e à Rede Globo, o STF também tem contas a acertar com o país. Não sei como poderemos resolver algo tão grave.

"No dia 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos cujo texto, na íntegra, pode ser lido a seguir...
(...)

Artigo X

Todo ser humano tem direito, em plena
igualdade, a uma justa e pública audiência
por parte de um tribunal independente e
imparcial, para decidir sobre seus direitos
e deveres ou do fundamento de qualquer
acusação criminal contra ele.

Artigo XI

1. Todo ser humano acusado de um ato
delituoso tem o direito de ser presumido
inocente até que a sua culpabilidade tenha
sido provada de acordo com a lei, em
julgamento público no qual lhe tenham
sido asseguradas todas as garantias
necessárias à sua defesa.
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Carta às autoridades: não tem nada a ver com isso

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Comunico às Varas Federais e demais autoridades que meus extratos telefônicos estão ao dispor.

Adianto que a única coisa duvidosa que tem é de uma vez em que o Bruno Contralouco tomou um fogo, pegou meu telefone convencional e ligou para Kampala, em Uganda.

Queria porque queria falar com o Idi Amin Dada. Deu uma confusão, ninguém se entendia, ele falando português e eles lá suaíli, chamaram um intérprete e o Secretário da embaixada brasileira, botaram no viva voz, os caras explicavam e ele não acreditava que Idi Amin já tinha morrido.

Foi um fiasco, no final o Contra mandou-os todos à puta que os pariu, não acreditou na morte do cara.

Também tenho as minhas dúvidas.

Espero que isso não acarrete a prisão do Lula, pois ele não tem nada a ver com isso, sequer o conheço pessoalmente e nunca falei com o cara nem bêbado, menos ainda o Bruno, os pobres de Paris não possuem o número de pessoas importantes que não estão no guia. 

Também nunca vi mais gordo o tal de Eduardo Guimarães. De gente fina aqui só tenho o número do telefone do Chicão, o Papito meu amigo lá no Vaticano, se metam comigo que ele joga uma praga, digo, uma reza, para cima de vocês.

Muito obrigado.

Salito 
Escrevinhador
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Circular aos associados

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AOS ASSOCIADOS DA AGB

Assunto: RESPEITO

Sem respeito, queridos amigos, nossos pais e avós já ensinavam, nada funciona, a sociedade vai por água abaixo.

A gente cresce e um dia descobre que nem cabaré funciona sem um mínimo de respeito. Em cabaré que mereça esse nome os homens se cumprimentam gentilmente com um sinal de cabeça, se de chapéu tocam a aba com os dedos.

Os homens se tornam até amigos, se ouvindo música na sala, aguardando a vez enquanto os quartos não liberam, se um deles tomar a palavra e falar de futebol, uma beleza, logo estão sorrindo amigavelmente.

Se no cabaré tem conjunto musical com pista de dança, Evódio na gaita, Conceição no microfone, Estevo na bateria, Luiz no contrabaixo, Ernesto ao violão, e outros, tiram a dama para dançar com elegância e polidez. E dançam na penumbra.

Claro, durante o tango ela abre as pernas e se esfrega para excitar o bailarino e arranjar um programa, mas isto faz parte do show, é com algum pudor, ela é terceirizada, precisa lutar pela vida, todos sabem.

Chamam a cafetina de D. Polaca, D. Luizona, D. Mimi, com estima e certa submissão. A Dona também os trata bem, com afeto maternal, conhece suas preferências, arranjará aquela loirinha especial. Hoje quero a novata Marcela. Oh, meu filho, é impossível, muita gente na frente, mas vou tentar dar um jeitinho.

O sujeito que se passa no ambiente, profere palavrões ou tenta arranjar briga, perde o respeito dos demais habitués do nobre recinto. Não pode agredir a trabalhadora terceirizada nem acusar sem provas que alguém bateu a sua cuba libre que havia deixado na mesa.

Em casos assim, a depender da gravidade, é jogado no meio da rua, ou leva um tiro na cara lá dentro mesmo.

O mesmo na vida além-cabaré, pois lá dentro aprendemos a conviver com os nossos semelhantes também lá fora.

É por este patrimônio de urbanidade que esta Associação luta incansavelmente.

Pelo seu presidente a Associação aproveita para emprestar a sua solidariedade e o respeito aos doutores Rodrigues Janota e Gilmar Porcão, contumazes visitantes de uma associada de Brasília. Ambos tem toda a razão naquilo que dizem um do outro, não é caso para providências de punição a um ou a ambos, foi uma mera briga de bugios, já passou.

Nós, amigos, que escolhemos esta nobre profissão, devemos estar muito atentos para que não ocorram problemas com os consumidores, sendo sempre solícitos e respeitosos para com os clientes.

Vai também a nossa solidariedade aos congêneres de Curitiba, onde as coisas andaram saindo de controle.

Lamentamos mortificados que em um dos congêneres curitibanos tenham ocorrido situações onde alguns ficaram merecendo o arremesso na rua ou o tiro na cara, isso é profundamente lamentável, um péssimo exemplo para os demais prostíbulos da nação.

Saudações e felicidades a todos.

João da Luzia
Presidente da Associação dos Gigolôs do Brasil - AGB
Rua da Olaria, s/nº - Porto Alegre (RS)
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jueves, 23 de marzo de 2017

TERCEIRIZANDO

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Não é bem a minha praia, mas parece que as implicações da Terceirização são muito mais graves do que vem se falando. Sei que é uma porcaria, todos sabem, tenho amigos altamente qualificados que são terceirizados, mas como donos de si, pessoa jurídica com nota fiscal, sem intermediário, o que perdem em férias, 13º, FGTS embutem no preço que cobram. Mas assim, dessa forma ilimitada, para todas as atividades, incluindo as mais modestas...

Isso é uma maldade inominável, só monstros sem coração e sem alma para sequer sentir remorso ao aprovar uma coisa dessas, ao contrário, defendendo o projeto sabendo da desgraça que trará, pois a maioria são mesmo burros, mas nem tanto que não possam entender o que um aspone lhes explique.

Estão friamente metendo o trabalhador no brete feito boi para o abate, e gostei da metáfora, já que frigoríficos estão na moda. Se tiver algo a reclamar, vai no sindicato, mas que sindicato? Que justiça de trabalho, se não é empregado? Aliás, um deles há tempos falou em extinguir a justiça do trabalho. De fato, perderá a sua razão de ser, a crueldade foi de cabeça pensada.

Pela consideração aos ofícios mais modestos, o Brasil era mais humanista (FHC tentou emplacar a lei e não conseguiu, se não me engano conseguiu passar pouca coisa), antigamente se tergiversava dizendo aos chacais, quando vinham com essa conversa de terceirização: "Esquece isso, meu chapa, terceirização é coisa de corno" (cuidado, Vampirubu), e os deputados, pela maioria, calçavam pé, não passava.

Aliás, convoco aos humanistas a fazermos um sacrifício, de touro e não de boi, e, digamos, namorarmos as mulheres dos chacais enquanto eles vão para os bordéis de Brasília, pois em casa não ganham ménage, suruba... interessante que esta palavra entrou para o rígido e elevado vocabulário dos atuais governantes, por que será?, sessão de espancamento, aquelas brincadeiras de queimar com cigarro, vela pingando, de arrebentar a socos até mandar pro hospital como fazia aquele senador, coisinhas simples de sadismo, masoquismo, elas ou a maioria não curtem, eles não ensinam as esposas, Deus o livre, a queridinha casada de papel.

Coisa estranha, falo em cabaré de Brasília e lembro de propina. Bem, continuando.

Na verdade eles nem tocam nas queridas esposinhas, que ficam lá num calorão danado em noites de outono, enquanto os dignos representantes do... povo, comemoram a aprovação de projetos divertindo-se com jovens coquetes, estas desde sempre terceirizadas.

Eu ia propor quebrarmos a pau as caras deles, mas para começar assim está bom, primeiro com carinho vamos gigolear as madames esposas, eles as terceirizarão sem saber. Quanto às senhoras deputadas..., bem, sobre isso falo com a turma outro dia.

Salvo funcionários públicos estáveis, não celetistas, uma discussão à parte que outros saberão explicar, possivelmente teremos uma onda de demissões terrível. 

O desemprego já está pela hora da morte, prejudicando a todos mas em um aspecto facilitando para os donos de tudo, na escolha entre o lucro e o empregado, já viu... agora vai piorar mais ainda: demite um que custa dois ou cinco mil para admitir um terceirizado por menos, mesmo que os empregados sejam técnicos especializados. O concorrente demite um bom lá, outro daqui, trocam de emprego, ambos ganhando menos. Obviamente que o cara altamente especializado constitui uma pessoa jurídica e vende a si mesmo, sem intermediário, mas a massa dos trabalhadores...

Em conversa muito informal o meu amigo Mário Eustáquio, que entende do riscado em terceirização, saiu-se assim:

"Discutir a Reforma da Previdência daqui para a frente, aprovar ou não, é chover no molhado, é malhar em ferro frio. O regresso aos métodos de trabalho do século XVIII já irá vigorar mediante a assinatura daquela mão ressequida. Acabou a CLT. Será a lei da chibata: reclamou, vai pro tronco. Depois das chibatadas, sem camisa, desnudo, um banho de salmoura e secagem ao sol.

Sei como é o esquema de "terceirizado". Se o terceirizado do terceirizado ver erros ou falhas de projeto/montagem que coloque em risco as instalações e pessoas, se quiser continuar trabalhando terá que fazer "vista grossa", consertar o que for possível ou será sumariamente dispensado sem direito a nada. Eu sei porque passei por tal experiência numa empresa que está indiciada na Lava Jato. Outra coisa: se adoecer e não puder trabalhar, foda-se, não trabalhou não recebe. Simples assim.".

E estamos assim. Correr para onde? O normal seria cada cidadão e cidadã - inclusive os que foram enganados e bateram panelas pela deposição sem crime da presidente eleita - se armar de pedaços de pau e quebrar tudo no cabaré maior, a cara deles também, mas o povo fica na dúvida, indeciso: "O nosso exército atiraria em nós para proteger a ordem e progresso dos chacais?".


-o-

Post Scriptum: Passei muito trabalho nesta vida, como tantos companheiros, esperava ir desta para outra vendo um país melhor, lutei por isso, e o que vejo? Golpe de estado, bandidos cometendo horrores... então não pude abordar o assunto acima, seríssimo que a mim toca fundo, sem usar de alguma irreverência, de outro modo não conseguiria. Relevem-me.

Post Scriptum 2: Os traidores do povo. Alceu Moreira (PMDB), Cajar Nardes (PR), Carlos Gomes (PRB), Danrlei de Deus Hinterholz (PSD), Darcísio Perondi (PMDB), Jerônimo Goergen (PP), Jones Martins (PMDB), Luis Carlos Heinze (PP), Mauro Pereira (PMDB), Renato Molling (PP) e tu, Yeda Crusius (PSDB).
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VIA LÁCTEA (1)

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"Foi, portanto, sentenciado como um herege contumaz, e entregue ao braço secular para ser castigado"

I – Arquitas

Cara Mary, falemos de magia artificial real na produção de efeitos reais. Sabes que há séculos em Nuremberg uma águia e uma mosca foram feitas do mesmo modo. No cosmos hierarquias e esferas, virtudes estelares, hoje sabemos, são pura ilusão. Vênus é uma velha sem serventia.

Se naqueles idos tempos a justiça em geral era ou deveria ser normal, podendo eventualmente ser alegre, expansiva, emocionada, a injustiça que vicejava na outra ponta era gelada, calculista, má, perseguia seus objetivos sem mover um músculo daquele rosto de madeira.

O monstro que assustava e martirizava aquela sociedade não foi criado ao acaso, é possível esculpirmos uma estátua de madeira com uma cabeça que fala com voz humana. Já passado o período dos trovadores e jograis da Idade Média, ainda estavam longe da telepatia, a comunicação mais avançada era eletrônica, e tudo começou com a comunicação a serviço e associada ao grande capital, este capital representativo dos bens comuns de que poucos Frios se apropriavam.

Os Frios constituídos de uma parcela dos humanos desde tempos imemoriais inimiga, oculta da imensa maioria, dos proletários, da escória descartável – na visão dos entes do mundo Frio - que os sustentava, mais os venais legisladores pagos a bom preço, na época com algo chamado papel colorido representando bens naturais.

Papel e legisladores não seriam suficientes para que os Frios atingissem os seus objetivos. Veio o conluio com os julgadores, estes dariam ares de legalidade à prática do terrorismo oficial, ao que os homens Quentes, até então contemplativos, pasmos cairiam de joelhos em reverências.

Reconsideraram: nos tempos em que viviam ainda era pouco para um golpe tão ousado. Refletiram: o que falta para tomarmos o mísero poder que restava aos Quentes pela força disfarçada de salvação?

Não precisaram pensar muito, a história daquela sociedade era pródiga de exemplos, vislumbraram o passado e lá estava: faltava a sensação de grandeza pelo herói e o ódio popular das massas aos chefes de sua própria escolha, estes deveriam tornar-se os culpados por todas as mazelas, com a milenar lavagem cerebral promovida pelos culpados: o combate à corrupção. Corrupção um desvio de conduta inerente aos Frios.

Não ria, Mary, era essa a atmosfera reinante, naqueles tempos os humanos tinham o cérebro muito pouco desenvolvido. Mais tarde falaremos de um povo intermediário, nem Quente nem Frio. Prosseguindo.

Primeiro o ódio, para que a cegueira da massa não se desse conta de que desvios se puniriam com as leis que possuíam, não rasgando leis.

Como difundir o ódio? Ora, a propaganda, que consistia no convencimento dos intelectualmente inferiores, pela mentira ou meia-verdade, inicialmente controlada nos grandes meios de comunicação, não poderiam ir ao ataque atabalhoadamente pelo risco de um revés, então nos grandes meios veio a exaltação do que e de quem interessava e a omissão do que e de quem não interessava aos seus fins.

Logo avançando, subindo o tom aos poucos, para a destruição do inimigo com velhas táticas, escolher e combater um inimigo de cada vez, culpá-lo de todos os males, o exagero ao transformar um delito em mil delitos, impingir a insegurança na comunidade, o bombardeio de notícias más de modo que o receptor não tenha tempo de assimilá-las, silêncio absoluto sobre eventuais boas ações do inimigo, essas e outras bobagens, e, principalmente, a disseminação de boatos inverossímeis, horríveis, com tal insistência que ficassem plantados no imaginário dos humanos mais simples com suas místicas imagens e talismãs.

Organizaram-se inúmeros contingentes secretos para atacarem pela rede mundial de computadores, o meio mais ágil naquele estágio da antiguidade, com calúnias absurdas, repetidas incansavelmente. Os inimigos passaram a ser donos de grandes extensões de terras, de grandes conglomerados de sangue e carne de animais, de instituições financeiras, de tudo o que na verdade pertencia aos Frios, que nas suas vis esperanças não percebiam que outro Sol se aproximava.

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